Mubarak & Fillon + BCP & Mourinho

A Moral e  Ética obedecem a conceitos distintos. Porém, em domínios individuais e grupais ou à escala da comunidade humana do ‘ethos’, no todo, é consensual exigir que o comportamento humano cumpra os princípios de inalienável respeito pelo interesse colectivo e  pelos valores universais que o sustentam.

Há dois acontecimentos noticiados, neste fim-de-semana, lesivos, quanto a mim,  dos citados princípios:

  • O primeiro corresponde às férias, no Egipto, pagas por Mubarak ao primeiro-ministro francês, François Fillon, e família, no último Natal. Da promíscua relação com o ex-ditador egípcio, Fillon defende-se com o argumento de outros políticos franceses – Mitterrand, Chirac e Sarkozy –  terem feito o mesmo. Ou seja, segundo Fillon: “Se outros roubaram, eu também posso roubar, se outros mataram, igualmente me é permitido matar”. Ao recorrer a esta lógica, Fillon pretende convencer-nos de que fica despenalizado, tão só porque outros fizeram igual.
  • O segundo relaciona-se com o contrato de publicidade entre o BCP e Mourinho. Do ponto de vista dos objectivos de gestão, e a despeito desta ultrapassada notícia do ‘Público’, não me parece que a publicidade através de Mourinho, da Lady Gaga ou da Deolinda possam gerar resultados económicos e financeiros extraordinários ao BCP. Quanto à perspectiva financeiro-fiscal, é revoltante saber-se que, apesar da imoralidade de que o BCP e banca em geral beneficiaram em matéria de impostos, ainda haja folga para  investir uma verba, certamente elevada, no contrato publicitário com o “special one”. Futebol à parte, haja bom-senso. 

Um e outro casos, embora de matizes diferentes, são característicos da vida contemporânea. Somam-se, a meu ver, ao lote de normais dislates contra a moral e a ética públicas. No Egipto, em França, em Portugal e em muitos lugares deste mundo.

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