A tropa de Kadhafi em deserção


Podem debalde procurar no Público, no Diário de Notícias ou no Expresso. Nem uma linha ou sugestão de algo que perturbe a eufórica festança da “liberdade”, já corporizada por quem se mete na primeira fila para o exercício do poder que aí vem.

Os assassinos de Anwar el-Sadat e treinadores dos aeronautas do 11 de Setembro, mais conhecidos como Irmandade Muçulmana do Egipto, declararam rejeitar a possibilidade de cristãos ou mulheres poderem candidatar-se à presidência do país. Consiste num tímido e discreto passo para a implementação do seu programa.

Noutras longitudes, há quem não se esqueça dos amigos de negócios. O sr. Luís Amado já avisa quanto à preocupação pela garantia da estabilidade das nossas relações – o “nossas”, quer dizer Europa, ou seja, “eles” – com uma região de fundamental importância. Petróleo, gás, fosfatos, telecomunicações, betonismos vários, pescas, Club Mediterranée, são naquilo que bem depreendemos nas palavras do ministros dos Negócios Estrangeiros e do sr. Basílio Horta, impedimento para uma “simples leitura ideológica”. Já bem longe vão os dias em que se aconselhavam outros ex-compagnons de route – Mubarak e Ben Ali -, apelando-se à moderação ou ao puro e simples rápido desaparecimento da cena. Agora, a coisa parece complicar-se, pois o sr. Kadhafi é homem de “lutas” e de “povo”, cimitarra anti-imperialista dos bons tempos em que mercê dos efeitos do trotil, os aviões da Pan-America também voavam de outras formas. Infelizmente para acordos recentemente assinados em tendas, a bandeira dos Senussi já flutua por todo o lado, especialmente em Bengazi, a capital da Cirenaica. Arriada pelo antigo coronel de 1969, parece voltar aos mastros. O que quererá isto dizer?

Para uma antecipada vingança de um fim ao estilo de Ceausescu, o sr. Kadhafi ameaça a Europa com um Dia-D de boat-people. Veremos o que o sr. Amado e os seus colegas terão para resposta.

Comments


  1. A revolução já chegou à Líbia? ahhhhhhhh ok!!!


  2. Cuidado com o que dizem do 11 de Setembro e os culpados pela queda das Torres, pois o facilitismo do atentado foi de tal forma evidente que não deixo de parte a conivência de Bush e dos seus companheiros pelo vil metal.

    • Antonio Coelho says:

      O anti-americanismo primário, associado ao anti-semitismo, trazem-nos estas coisas: antes o holocausto nunca existiu, foi apenas uma invenção do sionismo; agora o 11 de Setembro teve a colaboração de Bush…Essa dos seus companheiros do vil metal é brilhante! Quantos milhões custou a preparação deste atentado pela Al Quaeda? Ou será que está convencido que os fundamentalistas islâmicos são pobrezinhos?

      • Nuno Castelo-Branco says:

        Pois é, também me parece. Ainda vivemos em época em que há pessoas que acreditam no “azar dos gatos pretos”. A verdade é que existe por aí um black-out total acerca do amigo sr. Kadhafi. Inacreditável, o banzé que foi com o sr. Mubarak!


      • Façam rewind na história (ver como os EUA entraram, por exemplo, na 2ª Guerra Mundial; pois as mortes em Pearl Harbour é estatística para muitos; ai se fosse alguém da sua família…) e depois venham falar.
        Explicar às pessoas que existe somente o bem e o mal é que é primário, quando pelo meio morrem pessoas. Não sou anti-americano, gosto aliás muito do que vem desse país.
        O que não suporto é a elite militar americana que faz mil e uma manobras para encenar pseudo-desculpas para entrar aqui e não ir ali, ou será que os americanos só entram por causas solidárias? Será que há ainda quem acredite na história do urânio e das alegadas armas de destruição maciça no Iraque?
        Quanto ao 11 de Setembro, todos sabiam que Bush (cujo avô já fazia negócios com o poderio Nazi) e o resto da escumalha que ocupava a Casa Branca estavam inquietos para ter uma “boa” razão para aprovar e levar em diante o seu programa nuclear e, acima de tudo, ter uma posição predominante no Médio Oriente – não deixa de ser engraçado que, mais uma vez, foram eles que meteram o homem que passados uns anos virou seu inimigo.
        Já agora, aconselho os filmes «W.» (de Oliver Stone) e «Fair Game» (Doug Liman) para elucidar mais a memória do senhor António Coelho.
        Para finalizar, tal como lá, em Portugal há muita gentalha que devia estar atrás das grades. Será que ainda há espaço para Mário Soares, Sócrates, Dias Loureiro, Valentim Loureiro, Armando Vara e uns quantos mangões deste Portugal dos últimos 30 anos em Caxias?

        PS: Apesar do islamismo radical ser o que é, a religião tem sido uma das manobras para que certos senhores deste mundo pretendam que andemos todos armados. Infelizmente, para essas pessoas, nem todos pensem que a vida é o faroeste.

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