Na Líbia, o povo é que governa

     http://tv1.rtp.pt/noticias/player.swf?image=http://img0.rtp.pt/icm/images/articles/355434/socrates_libia_15381_4_01_N.jpg&streamer=rtmp://video2.rtp.pt/flv/RTPFiles&file=/informacao/socrates_libia_15381.flv

O homem diz que “o povo é que governa”. Pelos vistos governa melhor se aviões o bombardear. Coisas destas talvez expliquem o nervosismo de anónimos corporativos que se entretêm a postar fotos de outros com o Kadafi. “Ah e tal se errámos, não estivemos sós”. Puf!, grande coisa. Com o mal dos outros posso eu bem. Mas já ouvi dizer que a seguir publicarão as fotos do seu amado líder num jogging matinal em Tripoli.

Comments

  1. Rodrigo Costa says:

    … Primeiro, não há, que eu conheça, lugar nenhum onde o “povo” governe. Quando muito, tem direito de voto. O que, como já compreendemos, não é a mesma coisa, se tomarmos o exemplo mais próximo, Portugal, e virmos que, por mais eleições e governos, os problemas são sempre os mesmos.

    Houve essa tentativa de governo popular, logo após o 25 de Abril, e… como se sabe, deu no deu: passagens administrativas; fábricas levadas à falência; terrenos que acabaram ao abandono; casas assaltadas e estouradas; pessoal que, sem conhecimentos que se visse, mal sabendo ler e escrever, tornando-se parte de administrações de empresas… Enfim!, um regabofe. Por quê?… o “povo” é formado por pessoas; as pessoas são ligadas pelo mesmo instinto; e todas esperam a sua oportunidade —como com a “avaliação” dos professores, podemos é discutir os moldes.

    Quanto aos negócios, como toda ou quase toda a gente sabe, no mundo dos negócios o lema é… negociar. Quer dizer, analisar e discutir vantagens e desvantagens económicas; as questões de ordem ética vêm sempre em último plano. Se assim não fosse, os impérios não existiam, porque são sempre alicerçados em atitudes que poderemos, à vontade, considererar criminosas.

    Se olharmos em redor, fartámo-nos de ver campanhas que apelam ao humanismo, ao cuidado dos direitos humanos; mas toda a gente procura comprar o que é barato, mesmo vindo da China ou da Índia, onde as pessoas trabalham em condições miseráveis…

    Aquilo a que se assiste —a crise que percorre a Humanidade— não é mais do que o resultado das dificuldades que os poderes enfrentam para, arbitrariamente, consumarem as suas vontades.

    Como acham que foram concretizados os projectos megalómanos do passado? Como acham que foram construídas as pirâmides do Egipto ou o Mosteiro dos Jerónimos?… Por gente escravizada, a quem o único direito que assistia era a fome. Trabalhavam até mais não poder; e, quando já não podiam, eram descartados e substituídos por outros que fariam o mesmo percurso.

    O que são ou foram os Descobrimentos?… Como acham que foram captados os marinheiros, muitos dos marinheiros, por também ser normal que, nessa altura, um ou outro apostasse na aventura?… E dizer-se que foi o País, não foi; foram famílias que dividiam, entre si, o governo do Reino. Aquilo a que se assitiu foi saque, com um ou outro benefício colateral —como estão os países que nos “pertenceram”?… Como nós, uma lástima. Mas há quem tenha, quem seja possuidor dos rescaldos da época. Portugueses que não são, obviamente, Portugal.

    Do mesmo modo, dizer-se que o povo português negociou ou negoceia com a Líbia… é outra mentira. Quem tem, neste caso, negociado com a Líbia são pessoas, de facto, investidas de poder e que negoceiam em proveito próprio.

    Voltamos ao princípio e eu pergunto: —para onde foram e onde estão os lucros dos Descobrimentos?… Para onde vão e onde estão os lucros destas negociações?… O PaÍs está de tanga, mas há gente a fazer fortuna.

    Deixemo-nos de merdas e encaremos a realidade. Grande parte dos “meninos” que são sustentados pelos pais e que protestam contra as desigualdades, contra a degradação dos direitos humanos, são rapazes e raparigas que não querem saber de onde a mesada vem; que acham possível a família ser sustentada, viver em abundâcia, e gastarem nos botecos, nos fins de semana —o que muitos e muitos desgraçados não ganham de salário mensal—, e sem que os pais cometam abusos e mesmo crimes, para lhes proporcionarem as mordomias.

    Esta é a realidade. É pelas mesmas razões que muitos jovens e tontos engrossaram as fileiras dos partidos de esquerda e que, com o passar da idade, na defesa da herança da família, se foram passando para o outro lado; havendo, no entanto, outros que, não tendo herdado, mas vendo que a juventude tem um tempo, sem meios termos, saltaram a paliçada.

    Meus caros. o que sempre esteve e estará em causa é a sobrevivência e o modo de sobreviver; o conforto com que cada qual quer sobreviver. Ninguém cá está —pessoa ou instituição— por amor ao próximo. Está… porque tem de cuidar de si mesmo.

  2. Rodrigo Costa says:

    … Eu não disse que era sua :-). Até, porque, como sabe, há muito boa gente que pensa que isso é possível. Ainda hoje.

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.