Provavelmente ficamos na mesma

Por outro lado, depois de se ter aliado à direita para derrubar o governo do PS e provavelmente abrir o poder à direita, é evidente que o BE escolheu o seu caminho -como sempre, contra o PS.

Vital Moreira, depois de Almeida Santos, coloca a derrota do PS no campo da probabilidade mais que provável, e começa a lançar as culpas para cima dos outros usando a metáfora do tapete, que tal como a outra, a dos partidos que teriam servido de muleta, choca com a realidade onde o PS foi a cadeira de rodas da direita. A encenação PEC IV apenas engana os distraídos: José Sócrates escolheu o último momento em que ainda vislumbrou hipóteses de ser reeleito.

Pela forma como governou durante estes anos, por ter chamado os agiotas do FMI em socorro dos banqueiros que sempre governaram este governo e os que o antecederam. Por aquilo que sempre foi enquanto político: mentiroso compulsivo, campeão da demagogia e da imagem, da supremacia da comunicação na forma esvaziando o conteúdo da mensagem. Destruiu a escola pública, continuou a privatização da saúde, retirou direitos básicos de quem trabalha, engordou os do costume, numa contínua traficância entre sucateiros e construtores civis.

Quando vi Sócrates chegar à liderança do PS calculei que o amigo das cimenteiras ia fazer estragos. Não imaginava que se viesse a revelar o pior chefe de governi do regime (incluindo Pinheiro de Azevedo e Santana Lopes, embora este último por manifesta falta de tempo), o tipo inteligente que toma os outros por parvos, conseguindo enganar um terço dos portugueses em pleno delírio e alucinação.

A força que move este PS é a da lapa agarrada ao poder. A força dos cargos, dos negócios, dos Almerindos e Coelhos que seguem os passos de Ferreira do Amaral: no governo favorecendo as empresas, nas empresas esperando os favores do governo.

A provável vitória do PSD não me aquece nem arrefece. O programa do PS e do PSD é o mesmo. A sua aplicação não depende deles, depende das circunstâncias, e a seu tempo veremos se existem. Espero bem que não. Porque a fome está à porta, e os portugueses com fome já votavam nas ruas ainda antes de se inventarem os sufrágios.

Comments

  1. Nightwish says:

    Porreiro pá!


  2. quando o pão faltar na mesa de muito mais familías é que vamos ter gente na rua!!já os romanos diziam ql coisa assim”…não deixes que falte o pão ao povo e governarás faustosamente”.

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