Os portugueses querem mudar, irão conseguir?

-Um Portugal farto de José Sócrates, decidiu mudar o governo, infligindo ao PS uma pesada derrota, que apenas encontra paralelo nos tempos das maiorias absolutas de Cavaco Silva. Cerca de 500 mil portugueses terão mudado o sentido de voto, resultados comparados com 2009. A vitória do PSD, não propriamente pela votação, cerca de 3 pontos acima das sondagens, é expressiva no número de mandatos obtidos, o que se explica pela hecatombe socialista, o PS, segundo partido mais votado, com menos 100 mil votos que o 2º partido em 2009, então o PSD liderado por Manuela Ferreira Leite. No entanto, Pedro Passos Coelho ficou aquém da meta ambicionada, alcançar a maioria absoluta, felizmente digo eu, porque as 3 experiências que tivemos mostraram um Estado parasitado pelos partidos que tomam nas mãos o poder absoluto.

-Desta vez ao menos, terá de existir uma coligação com o CDS/PP, que também cresceu em número de votos, cerca de 60 mil, mas ficando aquém do objectivo de Paulo Portas, que ambicionava 28 a 30 deputados, ficando pelos 24, apesar de tudo um bom resultado. O crescimento abaixo da expectativa no número de mandatos, é explicável pelo facto do CDS/PP ter em 2009 conseguido eleger em vários Distritos o último deputado, resultado que agora consolidou, mas insuficiente para crescer, à excepção de Setúbal e Lisboa. Desejo sinceramente que o CDS/PP consiga condicionar algumas políticas do próximo governo, nomeadamente a sua oposição às grandes obras públicas, aeroporto e TGV, para as quais não havia dinheiro, sendo preferível apostar na consolidação orçamental. Não adianta mudar de governo, para apenas substituir a construtora do regime, à qual são adjudicadas, muitas vezes por ajuste directo, obras que resultam depois em derrapagem orçamental. E também que Pedro Passos Coelho leve por diante alguns objectivos do seu programa eleitoral, como diminuir o número de Fundações, Direcções-Gerais e Institutos Públicos, onde o PS colocou muitos dos seus boys and girls, com empregos muito bem remunerados à custa do contribuinte. Para isso terá de contrariar as expectativas de parte dos seus militantes, ávidos por substituir os socialistas e desmandos de alguns dos seus autarcas, e Governo Regional da Madeira, que também têm contribuído ao longo dos anos para um verdadeiro regabofe nas contas públicas.

-Esperemos que o futuro imediato não confirme a mundialmente célebre frase de Giuseppe Tomasi di Lampedusa, “algo deve mudar para que tudo fique na mesma”…

Comments


  1. Tentando contribuir para a salvação do sistema, proponho Dias Loureiro (Sr.BPN)
    para ministro das finanças !