Ir mais além

Existe um dado curioso nas tendências de voto nas mais recentes eleições legislativas: o crescimento dos votos em branco. Nas legislativas de 2005 foram 63789, nas legislativas de 2009 foram 99161, e agora nas de 2011 cerca de 148058. Um crescimento interessante de acompanhar. Como é interessante, também, apreciar o quanto isto começa a afligir os partidos políticos.

Como falar de votos é falar de votantes, lá continuam a pairar suspeitas quanto a centenas de milhares de eleitores, que distorcem a realidade estatística do país e permite números de abstenção irreais, com as consequentes viciadas conclusões. Nada de novo, assim, que se continue a falar a cada acto eleitoral da necessidade de actualização do número de eleitores, na esteira da velha lógica do “tem que se ver isso”.

Quanto ao resto, tudo se resume à fria constatação de que a Esquerda falhou e a Direita ganhou. E de que é mais fácil a Direita unir-se do que a Esquerda entender-se. Como bem exemplifica a queda do Bloco de Esquerda que se esqueceu de atacar a Direita e centrou-se em José Sócrates e na concorrência com o PCP.

Contas feitas, nada de novo no lusitano rotativismo. E pouco haverá a dizer depois da turba opinativa dos canais televisivos ter dissecado tudo quanto era matéria de eleições. Agora, é tempo de jogar às adivinhas quanto ao futuro elenco governativo.

Todavia, há algo que foi dito por Pedro Passos Coelho durante a campanha eleitoral que não sendo, por isso, algo de novo agora, poderá acarretar novidades. Trata-se da reafirmação de que é seu firme propósito “ir mais além” do que o acordado com o FMI e a União Europeia.

Este “ir mais além” é muito versátil: poderá ter a ver com o desempenho da economia, com as contas públicas, com a diminuição do desemprego, ou poderá ter a ver com privatizações – como é o caso da Caixa Geral de Depósitos – ou com a legislação laboral, ou com a alteração das prestações sociais.

Porque o ritmo das circunstâncias é galopante, este “ir mais além” não tardará muito a ser conhecido, e será o verdadeiro teste de força do futuro Governo. Pois faltará saber se haverá vontade de o acompanhar na maratona.

(Artigo publicado no semanário famalicense Opinião Pública, em 08/06/2011)

Comments


  1. Caro Amigo,

    Ele vai mais além nos interesses dele e dos seus amigos, assim como as últimas duas décadas de governação politica portuguesa. Favorecimento de lobys e de empresas de construção em função de ganhos privados. O número de votantes resume-se aos que continuam a ser favorecidos.

    Como é que esse artista do P.Coelho vai mais além? Tem um fraco discurso, durante a campanha deu tiros nos pés, não têm experiência politica em cargos exigentes (foi vereador apenas da camara da Amadora) que curriculo?, ainda por cima tirou o curso de economia na Universidade Lusiada, uma escola privada! eheh! No ISEG o curso é mais dificil, é sim senhor, porque é necessário estudar e COMPREENDER para fazer o curso, não basta pagar!! Queria ver esse Coelho a falar de micro ou macro… Como é que um gajo destes vai para o poder? Bolas pá!! Temos cá tanta gente inteligente!!! Ir mais além?? Vamos mais além, nos spreads e na dívida…vamos bater o record na maratona!!

    http://espacopoupanca.blogspot.com/

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