O S. Pedro já se acabou

Tudo leva a crer que o actual governo vai manter o processo de avaliação dos professores herdado da arguida Maria de Lurdes Rodrigues e Sucessora, Ltd. Suspendê-lo seria um mero acto administrativo, da competência do governo e não da AR, razão pela qual a decisão maioritária ali tomada foi chumbada em Tribunal Constitucional (mentir é feio, Ramiro Marques).

Temos assim, para começar, dois partidos que na oposição disseram uma coisa e agora fazem outra. Temos também que aparentemente não existe nenhum interesse político nesta atitude: suspender o processo, de imediato, passava uma mensagem de mudança no relacionamento com os professores, poupava custos nas horas distribuídas aos relatores, e punha fim a uma situação de desigualdade, falta de rigor e de justiça, que não interessa a ninguém.

Aparentemente, porque só vejo uma leitura para esta atitude (além da falta de palavra, mas a isso estamos todos habituados): brandir o chicote, e avisar que os novos dirigentes do Ministério da Educação estão lá para lidar com os professores como meros zecos, e que estes continuarão a levar com o tratamento que se dá às mulas: rédea curta e uns safanões dados a tempo e a destempo, na velha escola do tempo da outra senhora.

Acabou-se o estado de graça de Pedro Passos Coelho. Sendo verdade que lhe vão cair em cima movimentos sociais muito mais pesados do que o dos professores, esta guerra já a comprou.

O sucessor (ou será herdeiro?) de José Sócrates fala sobre “este processo monstruoso de avaliação” aos 2 minutos e 12 segundos, via arlindovsky.

Comments

  1. IFIGENIO OBSTRUZO says:
  2. IFIGENIO OBSTRUZO says:

    O Mundo Tem um Focinho

    30
    Não penses que o mundo tem para ti um rosto,
    uma fisionomia de dócil empregado de mesa
    ou de mulher bela;
    a vida — e o mundo a que está agarrada —
    tem sim um focinho. E esses beiços grossos
    (que jamais incitam à música)
    desde que nasces, como um juiz de cara
    deformada, observam e julgam os teus comportamentos.

    31
    Em média: as pessoas aperfeiçoam mais os engenhos
    mecânicos da corrupção e das traições mesquinhas
    que os da hospitalidade. Os perigos
    que observam um corpo são produzidos incessantemente
    em qualquer fábrica desconhecida
    mas eficaz.
    Há muito perigo no mundo
    — terás pois (não te aborreças já) a tua bela parte.

    A vida, meu caro, é ilegível.

    A vida, meu caro, é ilegível. Acontece
    e desaparece. Não há inteligência
    que a descodifique: vem em linguagem-nada,
    surge no corpo como surge o dia, e como
    se dia e vida individual fossem materiais paralelos.
    A vida não surge em prosa
    nem em poesia — e a existência não fala
    inglês, apesar de tudo. A natureza dos acontecimentos
    resiste às invasões matreiras da publicidade e
    dos filmes. Já não é mau.

    Gonçalo M. Tavares, in “Uma Viagem à Índia”

  3. O Mundo Tem um Focinho

    30
    Não penses que o mundo tem para ti um rosto,
    uma fisionomia de dócil empregado de mesa
    ou de mulher bela;
    a vida — e o mundo a que está agarrada —
    tem sim um focinho. E esses beiços grossos
    (que jamais incitam à música)
    desde que nasces, como um juiz de cara
    deformada, observam e julgam os teus comportamentos.

    31
    Em média: as pessoas aperfeiçoam mais os engenhos
    mecânicos da corrupção e das traições mesquinhas
    que os da hospitalidade. Os perigos
    que observam um corpo são produzidos incessantemente
    em qualquer fábrica desconhecida
    mas eficaz.
    Há muito perigo no mundo
    — terás pois (não te aborreças já) a tua bela parte.

    A vida, meu caro, é ilegível.

    A vida, meu caro, é ilegível. Acontece
    e desaparece. Não há inteligência
    que a descodifique: vem em linguagem-nada,
    surge no corpo como surge o dia, e como
    se dia e vida individual fossem materiais paralelos.
    A vida não surge em prosa
    nem em poesia — e a existência não fala
    inglês, apesar de tudo. A natureza dos acontecimentos
    resiste às invasões matreiras da publicidade e
    dos filmes. Já não é mau.

    Gonçalo M. Tavares, in “Uma Viagem à Índia”

  4. João Carlos says:

    Os privilégios da função pública têm de acabar, porque são mantidos há quase 40 anos, pelo trabalho privado. Eu, enquanto trabalhador de uma empresa privada, se adoecer não tenho garantido o salário por inteiro nem vou a clínicas privadas pago pelo Estado e sou avaliado, no meu desempenho, há mais de 15 anos. Nunca me queixei. Porque é que vocês hão-de ser trabalhadores 5 estrelas enquanto o tecido social português vive com 1 ou 2 estrelas? Sim porquê?

    • Quais privilégios? quem é que lhe disse que um funcionário público de baixa não leva com descontos no vencimento?
      Quanto ao resto, se quer nivelar por baixo, nivele-se pelos sem-abrigo. Pode ser que fique satisfeito.

  5. Mamão como nós. says:

    O estado de graça acabou por não deixarem cair a avaliação? Looll vocês são mesmo mamões!.. “atrás de mim virá, quem bom de mim fará”. Qualquer dia vou vê-los dizer bem da ex-ministra Isabel Alçada e do Sócrates.

    Agora chupem com a retenção de 50% do subsídio de natal. Ao menos o PS propunha obrigações do tesouro. Estes ainda fazem melhor: retém-se e pronto. É mais fácil e barato. Aqui se percebe que andaram a votar em quem não fazia a mínima ideia do estado em que o país estava, nem do impacto que as medidas que propunham tinham efectivamente no orçamento: ZERO. Aliás como ainda querem baixar a TSU, têm de nos ir ao subsídio, para os patrões ficarem com mais uns trocos no final do ano. Ridículo.
    Agora é vê-los a ir buscar o dinheiro onde é sempre mais fácil: ao nosso bolso.

    • O PS também ia à TSU, e claro que também ia assaltar o subsídio de Natal, mais o de férias, que se não marcham directamente, vão no IVA (e que é que já tinha aumentado o IVA). Encontrar diferenças entre os partidos da troika, só se forem musicais: a dança é a mesma.

  6. João Carlos says:

    O seu problema é não aceitar que a mama conseguida pela aristocracia sindical, infiltrada 37 anos (quase tantos como os do fascismo), no ministério dos professores (o tal da educação),secou. Estrebuche, vingue-se no blog mas acabou, meu caro! Na privada não trabalhamos mais para sustentar a teta pública!

    • O seu problema vai ser descobrir que a privatização do ensino só funcionaria em 2012/13, e que nessa altura nem terá governo, nem direita: como de costume, os cobardes vão fugir para o Brasil…

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