O presente, essa grande mentira social. I – Reciprocidade

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4. Reciprocidade?

Apenas um esquema de iniciação. Porque sobre reciprocidade tenho escrito bastante, em vários textos publicados[1]. No entanto, o conceito deve ser esclarecido, para além da excelente tentativa de Alvin Gouldner[2]no seu texto clássico, citado neste livro e que tem orientado a minha análise. Mas, antes de entrar pelos comentários de Gouldner, é preciso lembrar outras distinções e definições, normalmente pouco referidas em textos.

Diz Vernon Robbins, da Emory University[1], que reciprocidade é “ the informal principle on which a dyadic contract is based, reciprocity is an implicit, non-legal contractual obligation, unenforceable by any authority apart from one’s sense of honour and shame. The principle of reciprocity is the most significant form of social interaction in the limited-good world of the first century. The reciprocity in dyadic contracts is either symmetrical or asymmetrical. There are also several kinds of reciprocity in the distribution system of the pre-industrial-agrarian based economy: balanced, full, weak, negative. Asymmetrical reciprocity, a feature of the patron-client contract, is between partners that are not social equals and make no pretence to equality. Balanced reciprocity occurs where distant tribal kin were involved, the element of watchful calculation grew greater, and the time within which the counter gift would have to be made grew less. Full reciprocity occurs among members of a family, goods and services were freely given. Negative reciprocity occurs outside the tribe mutuality ends–like morality, it only holds good for tribesmen. An outsider was fair game for clever dealing in an exchange: one could haggle, cheat and lie. Symmetrical reciprocity, a feature of a colleague contract, is between closely located persons of the same social status. Weak reciprocity occurs among members of a cadet line within a clan, gifts would be given; but an eye would be kept on the balanced return-flow of counter gifts.”

Trata-se, a meu ver, da definição mais clássica que existe sobre o conceito, aquela a que normalmente as pessoas se referem ao falar de dar, de aceitar, de receber, de devolver, na base da palavra empenhada ou dada, um contrato oral, não escrito, que obriga a uma continuidade na relação. Esta ideia é retirada das teorias religiosas que são estudadas e professadas na Universidade em causa. Nesta, para mim, romântica forma de entender o real, falta a noção de que o que se dá é um bem, que tem preço, valor económico, e é resultado de trabalho humano, como se não houvera mercado para trocar…       

        Outra definição é proporcionada por Hegel, ao dizer que reciprocidade é: “the completion of the division of Actuality which proves to be the Notion. Reciprocity is the grasping of the thing at the point where cause and effect, action and reaction, possibility and necessity have completely merged with one another. Reciprocity is sometimes called “interaction”, the conception of a complex system as a network of interacting causes and effects, but yet lacking a “notion” or concept of the underlying unifying system to “make sense” of these interactions”[2] Por outras palavras, e se lembrarmos o objetivo da Filosofia Hegeliana, sem reciprocidade o ser humano está incompleto, se não o estava já, ao não ser parte da Ideia Absoluta ou Divindade. Não é em vão que Hegel menciona o processo de interacção, tão usado por mim próprio em textos e palestras, ao conceber a vida social como resultado de uma atitude cultural, baseada no reconhecimento da existência de um Ideal Absoluto que orienta as nossas acções, incluindo a razão, e que esse Ideal faz de nós seres incompletos enquanto não tratamos quer com a Divindade, quer com nós próprios e os nossos semelhantes. Pelo que, ao sermos entidades em permanente criação, não somos o que somos, somos a negação de nós próprios, negação que construímos em parceria com os outros: eu sou uma tese, os outros são a minha antítese, em conjunto aprendemos e somos uma síntese. Eis a base da sua dialéctica, que o fez afirmar, nos seus textos, que os seres são completos enquanto co-existem dentro de um mesmo espaço, entendem a sua História e partilham as mesmas ideias: se assim não fora, haveria um conflito de culturas que faria da vida um campo minado, dentro do qual apenas a política aplicada ao Estado e aos indivíduos por eles próprios poderia pacificar. É esta a base da sua ideia de reciprocidade, uma forma de interacção social necessária para se viver bem, em paz, em submissão ao Absoluto Ideal ou Divindade; ou, por outras palavras ainda, a reciprocidade define a interacção necessária para a vida social. Esta é a ideia que leva a Karl Marx a falar de reciprocidade.

No entanto, há mais ainda a entender, para definir a reciprocidade e a maleabilidade desse conceito central para a Antropologia, como o entendimento que têm teólogos como Martinho Lutero, que a ele se refere enquanto como forma de salvação e conquista do Céu, escapando à condenação do Inferno, assunto que no seu tempo preocupava imenso os seres humanos.[3] “…the structure of reciprocity is not as strongly articulated as in the Treaty on Christian Freedom. The main model seems to be one in which everything is received from God and passed on to a neighbour. The presentation moves from sinful man to God’s forgiveness. In the sermons the view from above plays an equally important role, and follows here the movement of the incarnation. This is the reason for Lutero’s placing of the Kingdom of God in actions. However, it is wrong to understand these variations in an absolute way. Both perspectives could be found in both writings, because Lutero’s understanding of Christian man is basically structured by a Chalcedonian Christology.”[4]

Parece evidente a necessidade de um comentário. Porque estamos a falar da raiz da cultura, o que eu denomino a sua lógica em vários dos meus textos[5]. De facto, através da minha observação, ou de membros da minha equipa, em vários sítios de pesquisa da Europa, América Latina e África, as primeiras ideias que as pessoas aprendem em pequenas, com palavras e ideias retiradas dos seus adultos, são as da existência de uma divindade que determina o facto de sermos solidários e caridosos uns com os outros. O rito de Eufuko, analisado por Rosa Maria Melo, da Etnia Handa de Angola, assim testemunha[6]. Bem como o texto de Ângela Nunes sobre as crianças A’Uwe-Xavante do Brasil[7]. Ou, ainda, o texto que organizamos com Manuela Ferreira[8], devotado todo ele ao entendimento das formas de aprendizagem dos mais novos do grupo social. Estes textos que refiro, ensaiam o entendimento da interacção entre duas culturas, a do adulto e a da criança, enquanto analisam as formas de aprendizagem das primeiras ideias que derivam das crenças na Divindade. Os Mandamentos da Igreja Romana estão presentes no processo de ensino e aprendizagem. É isto que preocupa Martinho Lutero, ao escrever os seus textos, especialmente os referidos e o seu Catecismo: todo o ser humano está predestinado a viver uma vida de intenso trabalho dentro de vida histórica, para atingir uma vida melhor além História ou na visão da Divindade (definida como Deus Pai; o seu Filho Sacrificado pelos denominados pecados do mundo; e as ideias inculcadas em nós pela terceira pessoa que é parte da Unidade da qual Hegel falara, como Luterano, o Ideal Absoluto: o Espírito Santo a definir a racionalidade da raça humana). Não apenas dos membros da teoria religiosa organizada, a partir da Bíblia traduzida para as línguas faladas pelos membros das Igrejas, por Lutero e Calvino, e mais tarde por Pio V, Papa dos cristãos romanos em 1563. É esta a preocupação demonstrada por Lutero, o facto de que a salvação apenas é possível se existe colaboração entre as pessoas ou actividades recíprocas. É necessário advertir que Lutero, como Calvino nos seus textos referidos a seguir, enfatizam a ideia de ser a Divindade a implantar racionalidade e objeto de trabalho entre as pessoas, desde a Infância, ideia expressa pelo autor sempre por mim citado, Thomas Aquinas, ou Tomás de Aquino, quer no seu texto sobre Economia ou Summa Theologica, quer do seu Catecismo da Summa Theologica de 1260, reeditado e modernizado pelo Papa Benedetto XV, em 1875[9]. Este conjunto de análises etnográficas fundamenta essa preocupação de Lutero que, por sua vez, é uma preocupação universal: como referido por Ludwig Feurebach em 1841 e 1848-49, a preocupação central do ser humano é a morte e de como a vida pode ser continuada[10]. Estes textos são ensaios histórico-filosóficos que defendem a hipótese de que o ser humano vive alienado pela sua preocupação com a morte e atribui as suas qualidades a uma Divindade que o substitui, adormecendo-o para a realidade como se de ópio se tratasse. Ideia que não se encontra em Lutero, ou Calvino, ou no Catecismo de Aquino, ou do Pio V, cuja base é uma solidariedade entre seres humanos, que Feuerbach reconhece como reciprocidade que colabora na ultrapassagem dos dissabores de uma vida, que, de certeza, deve acabar um dia, na Visão da Divindade ou nas chamas do Inferno. É o que Lutero denominou vocação para se salvar do inferno e Max Weber analisou no seu tempo, em 1905.

É assim que reciprocidade é, no meu ver, um conceito social derivado da lógica religiosa, apesar de Temple e Chabal[11], bem como Godelier[12], fazerem uma outra leitura. Uma leitura que começa por remeter a Claude Lévi-Strauss e à sua hipótese de 1948, de ser a reciprocidade uma ligação única entre natureza e cultura, que Marcel Mauss teria criado. E a análise dos textos passa pelas ideias, que pensam eles, Marcel Mauss teria avançado no seu texto, hoje livro, L’Essai sur le don. No entanto, estes três autores colocam uma questão fundamental, que estava já no texto de Mauss e que Lévi-Strauss não considerou: a mais valia, ou moeda retirada aos seres humanos que recebem dádivas ou presentes, que, como refere o próprio Mauss, acaba por ser uma mentira social, por haver Mercado.Temple e Chabal começam por referir que a dádiva é uma gratuitidade, mas rapidamente passam para a existência de dinheiro na circulação das gratuitidades e na fabricação dos bens oferecidos. Tal e qual refere Godelier, ao falar da subordinação de quem recebe face a quem oferece. Por outras palavras, materializam um conceito que tinha sido usado como dogma dentro da teoria religiosa e ainda é usado pelos Antropólogos como uma actividade sem mercado, donde, Temple e Chabal referirem as ideias de Marshall Sahlins[13] e de Karl Polanyi[14], autores muito considerados para entender uma invenção da Ciência da Antropologia: as sociedades sem mercado e a sua economia, que Malinowski estuda e conclui que não existem, como refere ao falar no Capítulo VI, parágrafos IV a VII[15], referido em detalhe mais à frente.

É o que eu denomino a Lenda Negra da Antropologia ou a mentira antropológica. Porque, da análise de Temple e Chabal, pode inferir-se a ideia de ser a reciprocidade a base de valores humanos, como é provado profusamente nas 1ª e 2ª parte do livro, dedicado a desenvolver uma hipótese certa e bem desenhada: entre quem recebe e aceita, aparece um outro, denominado “Tiers…Le mana, c’est concept vide, n’exprime-t-il pas alors la plénitude du sens, donnée d’emblé à l’homme, ou plutôt crée par lui dès qu’il entre dans un relationm réciproque? Le mana c’est la valeur de la réciprocité, un Tiers entre les hommes, qui n’est pas dejà là, mais à naitre, un fruit, un fils, le Verbe que circule, qui donne à chacun son nom d’être humaine, et sa raison à l’universe.[16] Para acrescentarem, mais à frente ao falarem do Tiers, ou do Outro como nós diríamos, mas um Outro que não tem existência física, uma ideia à Hagel: “Selon notre thèse, dans la structure binaire, le hau ou le mana naît individis de la parité avec autrui…Le Tiers et le produit même de le réciprocité”[17]. Resulta, em consequência, nada estranho que o tratamento de Marshall Sahlins et Malinowski seja pouco certo, sem mencionar outros autores críticos de Marcel Mauss e das suas ideias sobre hau e mana, conceitos que este autor apenas analisara para entender o funcionamento da economia da França do seu tempo, e que os autores citados ignoram. Tal como foi ignorada por Claude Lévi-Strauss a referência clara que Marcel Mauss faz, no começo da sua obra e que diz que procura saber qual é a regra de Direito em sociedades arcaicas, que obriga a devolver um bem emprestado a outrem. A questão estava resolvida já por Malinowski, nas páginas referidas do texto citado: não há dádiva, não há mana e o hau não é esse engano que refere Remo Guideri no seu texto, quando ao analisar as ideias de Marcel Mauss, propõe que o autor se teria enganado ao interpretar a história do Maori Tamati Ranapiri, ao dizer que hau não é nem uma coisa nem o vento que passa pelos ramos de uma árvore, mas sim, a alma da coisa emprestada ou doada que iria atrás do ser que aceita ou solicita esse empréstimo[18].

A análise de Temple e Chabal é poética, é certa, segue as ideias e teorias criadas por Claude Lévi-Strauss e o livro é um prazer de leitura: é um processo de aprendizagem. No entanto – e esta minha frase não é uma crítica, apenas uma ideia que segue no decorrer do meu pensamento –, Marshall Sahlins e Malinowski não podem entrar na sua análise, na forma estrutural que ela toma. Malinowski, no texto invocado, fala claramente de que existe comércio, troca e intercâmbio nas sociedades não ocidentais (no seu caso, entre os Massim da Kiriwina) e acrescenta que há obrigações sociais a serem cumpridas, como oferecer bens no caso do parentesco matrilinear, ou entre marido e mulher, relações de parentesco político, e outros[19]. O estudo dos autores invocados é um processo de interacção, da forma mais sociológica possível, conceito que não é usado por Temple e Chabal. Mais, Marcel Mauss, no seu importante ensaio sobre a dádiva, com o qual continua as ideias de Direito, Estado, Ritual, Lei e Economia, do seu Mestre Émile Durkheim, pergunta-se qual é a lei que orienta os contratos nas sociedades arcaicas, aparentemente sem Estado, sem Mercado e sem Escrita. E acrescenta, logo a seguir, dentro da sua definição de programa de pesquisa: “…Há aqui todo um enorme conjunto de factos. E eles próprios são muito complexos…fenómenos sociais “totais”…religiosos, jurídicos, morais e conomicos…queremos destacar apenas o carácter voluntário…aparentemente livre e gratuito, e todavia forçado e interessado por estas prestações… [em] forma de presente, da prenda oferecida generosamente, mesmo quando, nesse gesto que acompanha a transacção, não há senão ficção, formalismo e mentira social…e obrigação e interesse económico.[20] É esta parte do texto que acabo por não entender como pode não ter sido lida ou referida, nem por Lévi-Strauss nem pelos autores em causa. Tal como não entendo, que a análise de todos eles se concentre na classificação de bens e prestações e não no Capítulo V, páginas 185 a 208, as bases da Sociologia Económica. O texto de Marcel Maus é importante ao comparar trabalhos de campo de outras culturas, com os acontecimentos actuais do povo francês, referidos nas eternamente omitidas páginas. Tal como não entendo, também, a omissão dos textos políticos de Marcel Mauss, especialmente os textos sobre socialismo e sobre a participação de um cientista na vida pública do seu país[21], tal e qual tinha feito Émile Durkheim ao colaborar na Educação francesa durante o Governo socialista de Gambetta. As obras de Mauss, como a maior parte das de Durkheim, especialmente as que incidem sobre socialismo e materialismo histórico, parece terem sido banidas do reprrtório científico da Ciência Social, pelo que, no final, acrescentarei a lista das publicações. Para, como gosto de referir, “lavar a cara” destes nossos autores fundamentais e limpar as autorias dos Antropólogos.

Como é o caso de Marshall Sahlins, muito criticado por distinguir quando a teoria da Ciência da Economia deve ser usada e quando não deve, para entender e explicar a vida doméstica dos Bosquímanos e de outras economias denominadas de subsistência. Para se explicar, concebe o conceito de Modo de Produção Doméstico[22]. Ideia que passo a referir. Sahlins afirma no seu texto, que é possível apreciar as formas da caça e colheita de alimentos, apenas quando se tem necessidade e passar o resto do tempo no que ele denomina uma estrutura de carência ou de baixa produtividade. [23] E investe bastante na defesa de uma forma de produção doméstica que não precisa de continuidade no trabalho, nem de indústrias, nem de mercado. É preciso entender e comparar os capítulos 1 e 2, para perceber que o autor experimenta distinguir entre analisar o comportamento social como recíproco e de entreajuda, e o comportamento pela ciência que ele denomina burguesa – não para analisar classe social, mas para analisar a possibilidade de empregar os conceitos de Economia a povos como os Bosquímanos de Kalahari, os Aborígenes Australianos, e outros da América Latina, cuja economia é a de trabalhar quando é preciso guardar bens de consumo, para descansar ou usar o tempo em entretenimentos e rituais ou a ensinar crianças e jovens. Por outras palavras, o conceito de reciprocidade usado por Sahlins, tem mais a ver com o comportamento social que com o económico, por não existirem ideias sobre mais-valia, lucro, maximização, conceitos todos usados nas economias com tecnologias, que satisfazem as necessidades humanas de forma rápida e facilitada[24]. Conceitos para analisar noutro capítulo. Entretanto, era necessário entender que, o comportamento social de grupos que baseiam o seu processo reprodutivo na colheita e na caça, entram em contradição com um elemento principal da economia de lucro: a falta de propriedade, porque para quem subsiste de forma nómada, a propriedade seria um laço contraditório para o seu “hand-labour”[25]. A denominada propriedade, em sociedades não industriais, está atribuida à Autoridade do grupo, que distribui os sítios de procura de alimento e sítios de caça, enquanto que na sociedade com indústrias, esta propriedade é individual, como refere no Capítulo 2, páginas 92 a 94. É a partir desta ideia, que refere reciprocidade e o que denomina “sharing”, ou partilhar os frutos do trabalho, se este faltar aos parentes ou pessoas relacionadas[26], quer na produção e colaboração, quer ainda na distribuição dos meios de trabalho ou objectos de recolha e caça, para acabar com o que ele denomina “a Lei de Chayanov que diz: “in the community of domestic producing group, the greater the relative working capacity of the house-hold, the less its members Works”. Ideia que Anton Vladimir Chayanov tinha desenvolvido ao estudar o trabalho nas denominadas unidades económicas camponesas[27], ou MIR, onde os camponeses russos, na época feudal, suplementavam a sua economia por não ser suficiente o trabalho nas terras do Senhor, a quem deviam entregar grande parte da colheita[28]. De facto, Sahlins usa as ideias de Chayanov apenas uma vez, para sustentar a sua ideia de Modo Doméstico de Produção e atingir a sua definição de reciprocidade, diferente da proporcionada por Marcel Mauss, que ele cita no seu texto[29]. O que interessa a Sahlins, é teorizar sobre o impossível: o “pooling” que evita a anarquia e dispersão referidas pelo autor, caso não haja uma redistribuição de bens entre parentes e amigos, que transcenda o que ele denomina redistribuição de “funções” ou trabalho recíproco, especialmente entre homem e mulher, ideia retirada de Malinowski, mas sem citar o autor desta interacção que Malinowski denomina comercial e sem a mínima relação de reciprocidade. Ideia, enfim, que fez Lévi-Strauss usar o conceito para falar do parentesco, como base de toda reciprocidade.

Como dizem Temple e Chabal na obra referida, a frase maori que refere Reciprocidade, é normalmente tomada como intercâmbio: a procura de um Outro não existe, esse Tiers ou terceira pesoa que refere Tamati Ranapiri, é um ciclo de dádivas. Existem duas pessoas; quem entrega um bem, quem oferece, quem aceita ou não. E esta atitude é tomada como intercâmbio por Sahlins: “ Il croit, comme Mauss que le troisème personage du cycle èconomique évoqué par Ranapiri est un artífice pour rendre visible quelque chose ; il conteste que cette chose soit le mana du donnateur”[30] . « Le Tiers est l’obligation de rendre », como definem os autores no título de um parágrafo do Capítulo 2, página 61. Por outras palavras, a reciprocidade Maori existe entre quem doa e quem recebe e torna a doar, e apenas para um tipo de bens, os taonga ou um nome que representa palavras, pinturas da cara ou do corpo, colares, braceletes e outros semelhantes. Entre nós, Ocidentais, parece não existir este tipo de bens e, no entanto, o conceito é usado: “Cês reflets de la gloire, cês miroirs du nom ont une importance particulière dès les moment où il peuvent être aussitôt confiés à otroui ou même donnés. La distinction fait par Mauss entre deux sortes de richesses et dons et s’éclaire : les uns engendrent du nom, les autres les représentent. Les seconds symbolisent l’autorité acquise par la redistribution des premieres.Ils sont de la renommée gravé, du prestige sculpté, de l’âme thésesaurisées.Les indigènes, on l’a vu, , font eux – mêmes cette distinction….Cette capacité des objets précieux d’incarner la valeur de renoméeacquise para le don des objets d’usage, est  peut-etre ce qui conduit  Mauss à croire à croire que les indigènes prêtaaint systematiquement de l’âme aux choses.Il observe en effet  surtout le transport d’objets auxquels sont délibérément associées des valeurs spirituelles : trésors, talisman, blasons, nattes et idoles sacrées qui représentent de l’âme »[31].

Por outras palavras. Temple e Chabal isolam a sua própria cultura, o seu etnocentrismo, relativizam as suas vidas, usam o seu saber clássico, para entender o que o sábio Maori quis dizer e que o próprio Mauss não tinha entendido. E, não tinha entendido, por ser a sua análise apenas um ponto de comparação entre a sua sociedade, tal e qual tinha feito o seu Mestre Durkheim, que investigara no Ocidente antes de ir pelas avenidas dos Aborígenes Australianos. O próprio Mauss retoma textos Massim e Kwakiutl, e apenas um trecho que lhe tinha sido proporcionado por Robert Hertz, para estudar o hau, conceito que se viu impossibilitado de debater em seguida, por Hertz ter morrido na Grande Guerra do Século XX. Dominique Temple e Mireille Chabal vivem com os Maori e é assim que os entendem, como fazemos todos nós, antropólogos de terreno. Tentam ultrapassar a falta de entendimento do conceito citando Sir Raymond Firth, ele próprio filho de Maori e com trabalho de campo feito entre eles, mas que, como bom nativo, renega as suas origens, donde, nada é demonstrado[32]. Firth sabe imenso de reciprocidade familiar, entende as formas de ensino e aprendizagem, fala da correlação entre matrimónio, herança e circulação de pessoas dentro dos Hapu, ou grupos domésticos, mas não refere reciprocidade; ou, por outras palavras, refere, à maneira de Malinowski, comércio e modernidade.

O que experimenta fazer Sahlins? Estudar “formas arcaicas”, mas a sua cultura atraiçoa-o, acabando por aplicar a economia ocidental, como Mauss, enquanto estes nossos autores centram a sua análise no interior da cultura Maori e, se escrevem em francês e vão passando pelos vários autores, isso deve-se à necessidade de explicar Etnologia a Antropólogos, Etnógrafos, Formalistas, Substantivistas ou Estruturalistas. Recorrem aos autores que falam de sociedades sem mercado, para ajudar no entendimento de um comportamento que existe no meio de um outro: há dádiva dentro da realidade da troca mercantil. Tenho observado entre os Mapuche Rauco do Sul do Chile, entre os Mapuche Picunche do Centro, ouvi do meu colega e amigo Roger Dale da Universidade de Auckland[33], como todos estes nativos, fora da sua terra natal, resistem a falar na sua língua e fazem por esquecer a sua procedência. Caso diferente em Temple e Chaball, eles passam pelos Maori, não são Maori. Caso diferente de Polanyi, Sahlins, o próprio Marcel Mauss e, no seu minuto, Émile Durkheim e Sigmund Freud[34]: o estudo feito é de seres humanos distantes, incógnitos. Marcel Mauss teve Hubert[35], Hertz[36]e Durkheim filho, para essa essencial parte da Antropologia: o trabalho de campo com residência continuada. Mas como desapareceram, e a análise antropológica passou a ser uma semiologia, ainda em vida de Mauss, o entendimento de reciprocidade ficou sob a interpretação de Malinowski, Firth e, especialmente em França, origem dos dados para o conceito, de Claude Lévi-Strauss e a sua escola, como será referido em breve.

Acaba por ser um problema falar de reciprocidade, usando o conceito entre tantas actividades diferentes e diferentes culturas. Mauss aplica-o para entender a mais valia no seu país, conceito que não tenho visto ser analisado por nenhum autor, por enquanto. Os economistas referem a desigualdade na base da lógica cultural diferenciada entre proprietários e não proprietários, da natural servidão do operariado. Mas, como a minha ideia é entrar pela mais-valia nesse conceito tão usado em Antropologia, não posso deixar de acrescentar as seguintes palavras, a partir do texto já citado de Durkheim e do desenvolvimento estruturado por Marcel Mauss (mas usado de forma tão diferente por toda a Ciência Social, como provam os autores referidos mais acima, e os que vou referir a seguir).

Reciprocidade não é um conceito fácil de analisar. Há quem fale da norma de reciprocidade, há quem fale do princípio de reciprocidade. Para entender a diferença, é preciso entender a relação que existe na correlação entre ética, lei, direito, costume e objectivo do conceito. O primeiro que parece ter falado da ideia de reciprocidade, foi Cicero, c.60 BC. Diz: “There is no duty more indispensable than that of returning a kindness. All men distrust one forgetful of a benefit”[37] Há poucos conceitos usados para definir a palavra reciprocidade. Um deles é de Samuel Becker, que diz: “I do not propose to furnish any definition of reciprocity; if you produce one, they will be your own achievement”[38] Hobhouse diz que “reciprocity…is the vital principle of society, a key intervening variable through which shared social rules are enabled to yield social stability” [39]. Richard Thurnwald, na sua ideia, muito da escola alemã, constata que “the principle of reciprocity is almost a primordial imperative which pervades every relation of primitive life”[40]. Há as duas ideias, a do princípio e a da norma. Como princípio, tratam do conceito Malinowski[41], Mauss[42], Durkheim[43]. De uma outra maneira, há os autores que pensam o conceito como uma norma e não como um princípio ético, orientado pelo direito costumeiro ou pela lei escrita. Entre estas, ao mesmo tempo que Durkheim fala de princípio, fala também de direito à maneira aprendida do seu mestre Ferdinand Tönnies, ao referir que há uma solidariedade mecânica ou comunitária Gemeinschalft, ou uma orgânica ou associativa ou de trocas, separada pelo intercâmbio ou Société denominada por Tönnies Gessenchalft, que pode levar a uma anomia ou falta de dinâmica social. Donde a troca/dádiva é impossível. Mas o que interessa nesta parte, é entender que Durkheim, ao debater a divisão do trabalho de Adam Smith, refere a existência do apoio que os seres humanos procuram para a produção dos seus bens. Essa que Marcel Mauss, ao procurar o princípio de reciprocidade, nem denomina como tal, apenas entende que há três movimentos para estabelecer um convénio económico entre os seres humanos: dar, receber, devolver. E começa logo com uma pergunta, que é parte da sua hipótese, ao dizer: “Desde há anos que a nossa atenção se debruça ao mesmo tempo sobre o regime de direito contratual e sobre o sistema das prestações económicas entre as diversas secções ou subgrupos de que se compõem as sociedades ditas primitivas e também aquelas que poderíamos dizer arcaicas…que exprimem ao mesmo tempo e de uma só vez todas as espécies de instituições: religiosas, jurídicas e morais – e estas políticas e familiares ao mesmo tempo; económicas – e estas supõem formas particulares de produção e do consumo, ou antes, da prestação e da distribuição….queremos considerar um dos aspectos apenas, profundo mais isolado: o carácter voluntário, por assim dizer, aparentemente livre e gratuito, e todavia forçado e interessado dessas prestações…onde há senão ficção, formalismo e mentira social, quando há no fundo, obrigação e interesse económico.”[44]

A questão que lhe interessa passa de imediato a ser exposta como hipótese: “Qual a regra de direito e de interesse que, nas sociedades de tipo atrasado ou arcaico, faz com que o presente recebido seja obrigatoriamente retribuído?…há fenómenos de troca e de contrato nessa sociedades que não estão privadas de mercado económicos como se pretendeu – porque o mercado é um fenómeno humano, que, em nossa opinião, não é estranho a nenhuma sociedade conhecida…mas cujo regime de troca é diferente à nossa. Veremos aí o mercado antes da sua principal invenção, os mercadores e antes da sua principal invenção, a moeda propriamente dita[45]. E, ao longo de quase duzentas páginas, analisa a sociedade romana do contrato, a grega, a hindu e as do potlatch e do kula, nas quais analisa os conceitos mana e hau. Para concluir, nas páginas 192 a 209, que existe uma noção de valor que é semelhante à nossa, capitalista, embora esteja permeada ou apareça como uma forma diferente à utilitária. No entanto – é a sua conclusão – há procura de lucro, bem como há procura de mais-valia tal como no sistema capitalista. O donatário empresta pelo interesse de ver uma outra pessoa ou grupo, vergado à necessidade de restituir, o que, pelo seu carácter religioso ou sagrado, aparece como uma actividade pela qual há castigo e punição pelo incumprimento. Mauss fala de oferta e dádiva, mas nunca fala de reciprocidade. Apenas de três momentos da actividade de trocar, que é, para todos os efeitos, utilitária, procura lucro e mais-valia. Não fala de reciprocidade, apenas fala de obrigatoriedade de retribuir, para não perder a abundância que um povo tem, perante a escassez de um outro. E vai retirando casos, especialmente de hierarquia, que explicitam as formas de comércio por si encontradas, e, especialmente, como diz, por Malinowski que, após ter feito um sério esforço de entender a dádiva pura, apenas a encontra nos esposos ou na troca para a reprodução de seres humanos.

É neste tipo de análise em que é preciso trabalhar, porque dádiva e reciprocidade são factos diferentes. Gouldner, no trabalho citado, encontra poucos cientistas que entendam ou tentem definir reciprocidade. E passa para a análise da reciprocidade feita por Durkheim na sua obra póstuma, bem como a de Marx[46]. No seu texto Le Socialisme[47], analisado mais adiante neste meu texto, quer Gouldner, quer Mauss no seu Prefácio, reconhecem terem retirado ideias de Marx, bem como de Saint-Simon e de Proudhoum, ou a por ele denominada “Escola Socialista” da sua época. O conceito usado é o de exploitation ou exploração, resultado de uma relação social na qual é “possível apreciar a desigualdade no intercâmbio, por causa de investimentos não ganhos por pessoas que apenas possuem a propriedade dos meios de produção, acabam por receber o lucro dos operários ou a mais valia de quem trabalhou já o necessário para produzir o seu valor de uso ou consumo próprio, para produzir um valor extra ou não merecido, pelo proprietário”[48]. É a partir destas ideias que Thorstein Veblen trabalha o conceito útil para entender reciprocidade, o de institutionalized explotation[49] O autor noruego-americano entende que existe um Vested Interest ou um interesse de investir, que caracteriza como o direito a coisas após nada ter sido feito pelo investidor. É a partir desta ideia que é possível pensar que a reciprocidade tem apenas um interesse, o de lucrar na base do trabalho de outro, enquanto se faz o trabalhador pensar que existe solidariedade social, na medida da segurança social e assistência a quem não trabalha. E é destas ideias do Capital, usadas por Thorstein Veblen nos anos 30 na Sociologia Americana, que Mauss e Durkheim usam, para dizer nos textos dos anos 20 ou póstumos e prefaciados por Mauss, que “a existência de classes sociais, caracterizadas pela importante desigualdade de quem tem e de quem apenas possui a sua capacidade de produção como força de trabalho, faz impossível que contratos justos sejam negociados entre um possuidor e um não possuidor de meios de produção. O sistema de estratificação social existente constrange (constrains) ou impinge uma desigual troca de bens e serviços, ofendendo assim às expectativas dos povos das sociedades industriais. A exploração impossibilita, por causa da disparidade de poder entre as partes contratantes, uma igualdade necessária para exprimir a vontade, o que coloca à sociedade em risco de extinção ou subversão” [50] Durkheim acrescenta uma ideia que Marx não tinha analisado, essa de ferir os valores das pessoas com a atitude anti-ética dos proprietários do Capital.

Malinowski, no entanto, não abandona a procura da ideia de reciprocidade e aí, onde Durkheim adverte que a sociedade é instável pela sua falta de solidariedade ou a existência de anomia nas relações sociais, a Gemande de Tönnies, professor de Durkheim, o nosso polaco adverte que há várias formas de reciprocidade[51] Na primeira das obras citadas, Malinowski acaba por dizer que tudo o que tem encontrado é apenas uma forma de comercializar o que é ritual, da qual um grupo social extrai utilidade de um outro, em bens e tempo de trabalho. Na segunda, muda para o campo de psicologia, abandona a economia e decide qualificar a Reciprocidade, com uma primeira questão “Why is it that rules of conduct in a primitive society are observed, even though they are hard and irksome?…” [52]

A conformidade às regras, diz Malinowski, é base da reciprocidade pela coesão mecânica que produz. Uma outra é o facto das pessoas deverem, entre elas, direitos e obrigações nascidas ou da interacção social ou do trabalho em conjunto. A reciprocidade teria lugar fora da esfera económica, por ser um complemento e preenchimento da divisão do trabalho, necessária como ela é para povos sem tecnologia avançada. “Reciprocity, therefore, is a mutually gratifying pattern of exchanging goods and services” [53]

Quer Malinowski, quer Lévi-Strauss, vão encontrar relações sociais recíprocas na estrutura do parentesco. O primeiro, ao analisar a psicologia primitiva; o segundo, ao estudar as relações sociais. E, como eles, muitos autores. Porque a prometida igualdade parecia estar na troca-dádiva, denominada reciprocidade.

É destas ideias que Lévi-Strauss retira as suas, para definir a reciprocidade como o que é oposto à natureza e é fabricado pelo homem, embora a natureza seja também humana[54].

É no entanto possível perceber que, na sociedade do intercâmbio, nada é gratuito. Não é em vão que Adam Smith fala de permuta, troca e intercâmbio, dentro do mercado. E, como ele, toda a escola liberal, contra a qual se insurgem as teorias radicais de Marx, Proudhon, Saint-Simon, Durkheim, Mauss. Estes últimos, tentam, tal e qual Malinowski[55], comparar sociedades para procurar uma troca-dádiva, que aparece inexistente enquanto gratuidade. Eis porque Durkheim tem que distinguir entre uma sociedade mecânica ou comunitária, na qual a religião traz, de forma simbólica e ritual, uma forma de colaboração sempre paga pelo donatário; e uma de solidariedade orgânica, na qual a lei é a base de todo contrato, excepto quando é celebrado entre quem nada tem e o proprietário, como diz na obra citada L’éducation e outras, invocadas nestas páginas. A troca-dádiva tão procurada parece ser apenas uma permuta, com mais-valia, à maneira definida por Marx em 1862 e 1863[56]. Troca que é comercial, como estimo provar no capítulo seguinte.



[1] Robbins, Vernon, 1996: Exploring the texture of texts, Vallet Forge, Trinity Press International, http://www.cyberclass.net/reciprocity.htm

[2] Hegel, Friederick, 1812-1816: Science of Logic, on-line. Há versão portugues pela Guimarães Editora. Website para pesquisa: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Friedrich+Hegel+Science+of+logic+&meta=

[3] Luther, Martin, (1529) 1991: “Small” Cathecism, Concórdia Publishing House, St Louis, USA; (1517) 1989: The Ninety-Five Thesis; (1522) 1989: Eight Sermons at Wittenberg, Ausburgs Fortress, USA. Website com texto:

 http://www.ccel.org/l/luther/small_cat/small_cat.txt

[4] Retirado da sintese dos textos de Martin Luther, especificamente dos Sermões de Wittenberg de 1522, por Bo Kristian Holm, e referidos em 1999, no texto: Life and Law. Martin Luther Understands of Christian Existence and the Challenge from the “New Perspective on Paul”, texto on line:   http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Kristian+Holm+Life+and+Law+Martin+Luther&btnG=Pesquisar&meta=. Website com textos de Wittenberg: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Martin+Luther+Serm%C3%B5es+de+Wittenberg&btnG=Pesquisar&meta=

[5] Iturra, Raúl, 2003: “A religião é a lógica da cultura” entregue a Editora Afrontamento para um livro do Seminário sobre Religião, realizado na Universidade da Beira Interior em 2003. Bem como no meu texto de 2002: A economia deriva da religião, Afrontamento, Porto, e o referido de Protohistória: “O conceito de reciprodocidade”. Ver nota 45.

[6] Melo, Rosa Maria, 2001: O rito do Eufuko entre os Handa de Angola, tese de Doutoramento, ISCTE, policopeado.

[7] Nunes, Ângela, 2000: A sociedade das crianças A’Uwe-Xavante do Brasil. Por uma Antropologia da criança, IIE, Lisboa. Bem como a sua tese de Doutoramento de 2003: Brincando de ser criança, ISCTE, policopiado.

[8] Ferreira, Manuela (org): “Crescer e aparecer ou para uma sociologia da infância”, in Educação Sociedade e Culturas, Afrontamento, Porto, Nº17.

[9] Comentários sobre estes textos, vide Iturra 2001 e 2003, livros sobre teoria religiosa, bem como os comentários de outros capítulos do presente texto.

[10] Feuerbach, Ludwig, 1841: Das Wesen des Christentums ou A Essência do Cristianismo, Papirus, Brasil, 1988; Website com texto: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Ludwig+Feuerbach+1841+A+Ess%C3%AAncia+do+Cristianismo&btnG=Pesquisar&meta=; e 1848-49: Vorlesunger über das wesen der religion ou A Essência da Religião, Papirus, Brasil, 1989. Website biográfico e analítico da obra: http://www.pucsp.br/~filopuc/verbete/feuerba.htm 

[11] Temple, Dominique, e Chabal, Mireille, 1995: La réciprocité et la naisance des valeurs humaines, L’Harmattan, Paris ou http://dominique.temple.chez.tiscali.fr/structures.htm1

[12] Godelier, Maurice, 1996 : L’Enigme du don, Fayard, Paris. Website publicitário e debate: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Maurice+Godelier+L%27+Enigme+du+don&btnG=Pesquisar&meta=

[13] Sahlins, Marshall, 1974: Stone Age Economics, Tavistock Publications, Londres. Website para debate http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Marshall+Sahlins+Stone+Age+Economics&spell=1 

[14] Polanyi, Karl, 1944: The Great Transformation. The political and economic origins of our time, Beacon Press, USA. Website debate e pesquisa: cepa.newschool.edu/het/profiles/polanyi.htm

[15] Malinowski, Bronislaw, 1922: Argonauts of the Western Pacific, Routledge and Kegan Paul, Londres. Uso a versão castelhana de Eidiones Península, Barcelona, 1973, páginas 173 a 198. Website debate, teoria, etnografia: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Bronislaw+Malinowski+The+argonauts+of+the+Western+Pacific&spell=1

[16] Temple et Chabal, ob.cit. página 15. Website nota 57.

[17] Temple et Chabal, página 68 da obra referida. Esta análise nasce do comentário feito ao começo do livro sobre o que Lévi-Strauss pensa do conceito de reciprocidade, acima referido, na sua obra de 1948: Les strcutures élémentaires de la parénté, PUF, Paris. Website para debate, informação, base teórica: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Claude+L%C3%A9vi-Strauss+Les+structures+elementaires+de+la+parent%C3%A9&spell=1

[18] Guideri, Remo, 1984: L’abondance des pauvres, Seuil, Paris, citação in pasim. No entanto, diz na página 40 da sua obra: “ Le mystère de la reciprocité, à suposser toujours qu’elle existe, rédide entièrement dans cette idée d’ « equivalance » d’une chose que je donne avec un chose que je reçoi…” Website para debate: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Remo+Guideri+&btnG=Pesquisar&meta=

[19] Nas páginas 196 e 198 do texto que uso, em formato de papel, o autor refere 8 interacções entre pesoas relacionadas a actividades económicas. Aliás, o parágrafo VII referido nesta linha, é denominado pelo autor “obligaciones económicas” que bascem de relações sociais e, comforme Durkheim, essas relações são as mais fortes dentro de um grupo. Não consigo entender como Temple e Chabal descuraram esta parte do texto em análise por eles próprios. É verdade que Malinowski esquematiza a interacção sem mercado, mas é também verdade que repete inúmera vezes que “deve suspender a análise do Kula para voltar às relações de comércio”. Malinowski 1922 obra referida, in passim em todo o livro.

[20] Mauss, Marcel, obra referida, versão portuguesa de 1988, Edições 70, Lisboa. A edição de 2002 é bem mais certa e esclarecida. As minhas reticências e parêntese.Website com texto, ver nota 27

[21] Mauss, Marcel, textos entre 1896 a 1942, 1997: Marcel Mauss – Écrits Politiques. Textes réunis et présentés par Marcel Fournier, Fayard, Paris. Website sobre textos políticos do autor, partes de textos, cartas e debate http://www.uqac.uquebec.ca/zone30/Classiques_des_sciences_sociales/classiques/mauss_marcel/ecrits_politiques/ecrits_politiques.html

[22] Sahlins, Marshall, 1974: Stone Age Economics, Tavistock Publications, Londres. Website nota 59.

[23] Sahlins, obra citada, página 42 e seguintes do texto usado, Tavistock e Net.

[24] Sahlins, obra citada, páginas 44 e seguintes, em contraste com página 1 e seguintes. A frase que ele usa é “an affluent society is one in wich all the people’s material wants are easily satisfied”, página 1. E acrescenta a seguir, uma frase que estimo genial: “to assert that the huntres are affluent is to deny then that human condition is an ordained tragedy, with man the prisoner at hard labour of a perpetual disoarity between his unlimited wants and his insufficient menas”. Páginas 1, 4 e 6, especificamente. Nota e Website nº 59

[25] O que em português denominamos força de trabalho.

[26] Sahlins sintetiza o seu argumento na frase da página 86: “In brief, by this characteristich of Domestic Mode of Production – that is a production of use values –…entertains limited economic goals…” páginas 86 e seguintes. Website nota 59.

[27] Chayanov, op. cit. Pág. 47 e seguintes (versão castelhana de 1974). Website debate e teoria: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=A.V.+Chayanov+La+organizaci%C3%B3n+de+la+unidad+econ%C3%B3mica+campesina&btnG=Pesquisar&meta

[28] A análise de Sahlins, está contida nas páginas 94 e seguintes; as de Chayanov, no seu texto citado por Theodor Shanin, The theory of Peasant Economy, 1966, American Economic Association. O que eu tenho ussado para referir este entendimento do “pooling”, “sharing” e reciprocidade como defininido por Chayanov, é de 1905-data da escrita-, edditado pela Nueva Visón de Buenos Aires en 1976. Há outros textos editados nos anos 80 do Século XX por Theodor Shanin, especialmente no seu The awkward class-Russia 1910.1925, texto dedicado às análises de Chayanov sobre a Rúsia Rural, fonte não usada por Marshall Sahlins, apesar de Alexander Chayanov ser referido dentro do Ocidente no texto citado, por Theodor Shanin, discípulo de Chayanov ao definir o conceito de reciprocidade que Sahlins omite. Website para debate, teoria e pesquisa: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Theodor+Shanin+The+awkward+class&btnG=Pesquisar&meta=

[29] Sahlins, obre em referência, páginas 150 e seguintes, com o mesmo erro de não entender a comparação mausiana das sociedades sem contratato e com contrato, parta definir a Sociologia Económica, que Sahlins ignora.

[31] Temple et Chabal, página 44, texto em formato de papel. Tenho transcito esta extensa passagem do texto, porque ajuda ao entendimento da reciprocidade maori, que é, como bem sabemos, diferente à nossa. Os autores fizeram um reestudo, que nem Sahlins nem Guidéri tinham feito, para entender o conceito original, que Lévi-Strauss não precissou de fazer por ter sido não apenas estudante de Mauss, mas porque analiza o real a través de símbolos. Em caso nenhum, é a autoridade de outros semelhante a esta para entender reciprocidade.

[32] Firth, Raymond, 1929: Primitive Economy of the New Zealand Maori, Routledge and Kegan, Londres. Website para debate e teoria etnográfica: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Raymond+Firth+Primitive+Economy+of+the+New+Zealand+Maori&btnG=Pesquisar&meta=

[33] Dale, Roger, 1994 : « A promoção do mercado educacional e a polarização da educação” in Educação, Sociedade e Culturas, nº 2, Afrontamento. A informação foi-me transmitida pessoalmente. Website de síntese: http://www.fpce.up.pt/~ciie/revistaesc/pagina2.htm

[34] Durkheim, Émile, entre outros, 1912 ou Les formes élémentaires de la vie religieuse, Felix Alcan, Paris. Website http://www.uqac.uquebec.ca/…/classiques/Durkheim_emile/ formes_vie_religieuse/formes_vie_religieuse.html –  ; ou 1914 :«L’avenir de la religion », troisiéme entretien , pp 97-105 , 1906 : «Determination du fait moral », ulletin de la Société française de Philosophie, 1906 »Internationalisme et lutte des classes », Libre Entretiens, 2è série, 1906 : « Organisation sociale Masai », 1903, com Marcel Mauss : De quelques formes primitives de classification », Année Sociologique VI, «Communauté et societé selon Tönnies », Revue philosophique, 27, 1898 : »Représentations individuelles et représentations collectives », Revue de Métaphisique et de Morale, VI, Nº Maio. Website para todos estes ensaios, com textos: http://www.geocites.com/areqchicoutimi_valin; para Freud, com texto: ou http://www.uqac.uquebec.ca/zone30/Classiques_des_sciences_sociales/index-html. Em suporte de papel: (1913-Viena) 1919:Totem and taboo, Routledge and Kegan Sons, Londres.

[35] Hubert, Henri et Mauss, Marcel, 1906: « Mélanges d’histoire des religions ou Introduction à l’analyse des quelques phénomènes religieux » Revue d’histoire des religions, 58, Classiques_des_sciences_socieles/index1.

[36] Hertz, Robert, póstumo, 1928 : Sociologie religieuse et folklore.Recueil des textes publiés entre 1907-1917, PUF, Paris ou http://www.uqac.uquebec.ca/zone 30/ Classiques_des_sciences_sociales/index.html

[37] Cicero, c.65 BC, Oratio against Catiline, citado por Alvin Gouldner no seu texto essencial para entender este conceito, “The norm of reciprocity: A preliminary statement” in American Sociological Review Volume 25. Nº2, April 1960, University of St Louis, Washington.Website nota 46

[38] Becker, Howard, 1956: Man in reciprocity, Prager, New York, page 1. Website teoria e pesquisa: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Howard+Becker+1956+Man+in+reciprocity&btnG=Pesquisar&meta=

[39] Hobhouse, Leonard Trelawny, 1906: Morals en evolution: A study case in comparative ethics, Chapman and Hall, página 12. Website para debate e textos: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Hobhouse+LT+1906+Morals+en+evolution+A+study+case+in+comparative+ethics&btnG=Pesquisar&meta=

[40] Thurnwald, Richard, 1932: Economics in primitive communities, Oxford University Press, página 106 do texto em suporte de papel. Website: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Richard+Thurnwald+1932+Economics+in+primitive+communities&btnG=Pesquisar&meta=

[41] Malinowski, Bronislaw, 1926, Crime and custom in primitive society, Routledge and Kegan Paul, Londres. Website em francês, texto completo: http://www.google.pt/search?hl=pt- O texto em francés está datado em 1936. PT&q=Bronislaw+Malinowski+Moeurs+et+coutume+dans+les+societes+primitives&btnG=Pesquisar&meta=

[42] Mauss, Marcel, 1923-24 : « Essai sur le don. Formes et raison de l’Exchange dans les sociétés archaïques » in L’Année Sociologique, Nouvelle Série, Félix Alcan Paris, Vol I.Website com texto, nota 27.

[43] Durkheim, Émile, 1925: L’éducation morale, Félix Alcan, Paris. Website com texto, nota 43.

[44] Mauss, obra citada, versão portuguesa tratada por mim, páginas 53 e 54.

[45] Mauss, obra citada, página 54 da versão de 200, Edições 70, em formato de papel. Website, nota 27.

[46] Marx, Karl, (1867) 1946: El Capital, Vol. I, FCE, México. Website com texto dos três volumes: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Karl+Marx+Capital&btnG=Pesquisar&meta=

[47] Durkheim, Émile, (1888) 1928:Le socialisme, PUF, Paris, prefaciado por Marcel Mauss. Website com texto, nota 26.

[48] Marx, obra citada, in passim, a minha tradução. Website nota 92.

[49] Veblen, Thorstein, 1934: The theory of the leisure class, Modern Library, New York, página 246. Website http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Thorstein+Veblen+1934+The+theory+of+the+leisure+class&btnG=Pesquisar&meta=

[50] Durkheim, Émile, escrita em 1888, publicada como obra póstuma em 1928, PUF, Paris, com Prefácio de Mauss. Mauss faz notar o desgosto de Durkheim pela guerra, a revolução e a luta de classes. Esta ideia está defendida na sua crítica à economia utilitária e clássica, no seu texto de 1893 e nos seus comentários à obra de Marx na Revue Philosophique de Dezembro de 1897, Paris. Website nota 26. Website e texto obra 1893, nota 106.

[51] Malinowski, Bronislaw, 1922: The Argonauts of Western Pacific, páginas 1172 1 226 da versão Catalana de Península; e 1926: Crime and custom in primitive societies, Routledge and Kegan Paul, Londres. Website para debate, teoria e etnografia, nota 61 para Argonautas; e nota 87 para Crime e Costume.

[52] Malinowski, 1926, página 21 de I Parte da versão Castelhana de Ariel. Há versão francesa Web, nota 87, e em suporte de papel pela editora inglesa Routledge & Kegan Paul.

[53] Malinowski, Crime and Custom página 55. Ver nota anterior.

[54] Lévi-Strauss, Claude, 1949, Les forme élémentaires de la parenté, Mouton, Paris. Website nota 63.

[55] Nas páginas 196 e 198 do texto que uso de Malinowski, em formato de papel, o autor refere 8 interacções entre pesoas relacionadas a actividades económicas. Aliás, o parágrafo VII referido nesta linha, é denominado pelo autor “obligaciones económicas” que bascem de relações sociais e, comforme Durkheim, essas relações são as mais fortes dentro de um grupo. Não consigo entender como Temple e Chabal descuraram esta parte do texto em análise por eles próprios. É verdade que Malinowski esquematiza a interacção sem mercado, mas é também verdade que repete inúmera vezes que “deve suspender a análise do Kula para voltar às relações de comércio”. Malinowski 1922 obra referida, in passim em todo o livro.

[56] Marx, Karl, 1862, e 1863 (1977): Theories of Surplus Value, Oxford University Press. Website, texto e comentários: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Karl+Marx+1862+1863+%281977%29+Theories+of+Surplus+Value&btnG=Pesquisar&meta=


[1] Iturra, Raúl, 1988: Antropologia Económica de la Galicia Rural, Edições Xunta de Galiza, Compostela: website com texto: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Ra%C3%BAl+Iturra+Antropologia+Econ%C3%B3mica+de+la+Galicia+Rural&btnG=Pesquisar&meta=; O crescimento das crianças, Profedições, Porto, website para debate: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Ra%C3%BAl+Iturra+Como+era+quando+n%C3%A3o+era+o+que+sou.+O+crescimento+das+crian%C3%A7as&btnG=Pesquisar&meta=; A Economia deriva da religião, Afrontamento, 2000, website nota 2; “O conceito de reciprocidade”, Seminário da Universidade de Múrcia, Espanha, em Protohistória, Buenos Aires, Argentina. http://www.prohistoria.com.ar/seminariomurcia/ponencias/ponenia­_iturra_texto.htm

[2] Gouldner, Alvin, 1960: “The norm of reciprocity: a preliminary statement” in American Sociological Review, April 1968, Vol 25, Nº 2. Website com texto http://www.garfield.library.upenn.edu/classics1979/A1979HT60900001.pdf