Os problemas de memória de José Manuel Fernandes

Desculpem-me os funcionários públicos, mas quem não achou estranho, ou até aplaudiu, um aumento de 2,9 por cento em plena crise e num ano de eleições, algum dia teria de também pagar a factura. Ela chegou agora, com juros.

José Manuel Fernandes, Público, p. 38, 11-11-11

Se o problema está em não ter achado estranho ou em ter aplaudido, exijo não ter de pagar, pelo menos, metade da factura, porque não achei estranho que um governo em ano de eleições inventasse folgas para aumentos (como vai acontecer, o mais tardar, em 2014) e porque não me lembro de ter aplaudido uma única medida tomada pela clique socrática (como não aplaudirei, o mais tardar, até 2014, o que sair da toca governativa).

Aos congelamentos da carreira José Manuel Fernandes disse nada, como nada disse sobre o facto de a maioria dos aumentos da Função Pública, ao longo de anos, terem sido inferiores ao valor da inflação. Nada diz também sobre os cortes nos ordenados ocorridos já este ano. Claro que não se lembrou de falar nas despesas que muitos funcionários públicos têm para ir trabalhar, como se esqueceu de fazer referência a mais de trinta anos de governação incompetente e ruinosa.

É claro que não acho estranho que isto venha de José Manuel Fernandes e é claro que não consigo aplaudir, porque, sendo funcionário público, sou credor.

Comments

  1. Carlos says:

    E olhe que JMF esqueceu-se do item emigração, que é muito importante para a discussão do assunto
    Saberá o meu amigo dizer-me quantos funcionários públicos emigraram nos últimos 10 anos? Pois saiba que do sector privado deve ter emigrado cerca de um milhão de pessoas. Uma desgraça, amigo.

    • António Fernando Nabais says:

      O país está, todo ele, uma desgraça e não se subentenda do que escrevi que os funcionários públicos são os únicos desgraçados ou que não há outros que estejam pior. No entanto, o que José Manuel Fernandes escreve é, no mínimo, inexacto. O facto de não haver funcionários públicos a emigrar ou a passar fome não impede que estejamos a falar de uma classe que tem vindo a ser altamente prejudicada, com reflexos inevitáveis e indesejáveis no funcionamento do país. A velha história de que se ganha mais na função pública do que no sector privado é usado por políticos e cronistas para desacreditar qualquer reivindicação, esquecendo que, na função pública, há uma grande quantidade de trabalhadores altamente diferenciados.
      Seria bom que as pessoas se preocupassem mais com aquilo que não têm e deveriam ter, que se preocupassem mais em lutar pelos seus direitos do que viverem ansiosos por verem direitos serem retirados a outros. O portuguesinho, o lado mau do português, não se importa de estar mal, se os outros estiverem tão mal como ele. É pouco.

      • MAGRIÇO says:

        É o paradigma do português mesquinho: nivelar por baixo! Se eu não tenho, tu também não podes ter! Quanto a José Manuel Fernandes, de militante convicto da UDP passou a moço de recados de Belmiro de Azevedo. Que falta faz a coluna vertebral!

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