Troikinices e Cretinices!

troikaA maldita troika andou por cá. Em cada passagem, o tenebroso trio ataca sem pudor nem piedade direitos de cidadania básicos. Sobretudo, a frágil qualidade de vida de milhões de portugueses.

Desta vez, os senhores da troika deram-se ao prazer de ratificar a deliberação – para não lhe chamar roubo – do governo de corte dos subsídios de Natal e de férias a funcionários públicos e pensionistas; medida esta que, lembre-se, não estava elencada no tristemente célebre ‘memorando de entendimento’.

Todavia, as desumanas criaturas são insaciáveis em semear a maldade. Manifestaram agora o desejo de aplicar cortes de remunerações aos trabalhadores do sector privado. O eurocrata Jürgen Kröger exprimiu argumentos a favor da medida, nomeadamente os seguintes:

  1. A economia tem problemas de falta de competitividade e produtividade, solucionáveis, segundo ele, através da redução de salários também no sector privado.
  2. A medida teria a vantagem de travar “a transferência de trabalhadores do sector público para o privado”, atraídos por remunerações mais elevadas.

As observações e recomendações do Sr. Kröger são, no mínimo, disparates; próprios, de resto, de tecnocratas monetaristas, como o nosso Prof. Gaspar, cuja visão se centra em exclusivo no sector financeiro, ignorando a economia real do país – do nosso ou de outro onde infelizmente essas troikas intervêm.

Com efeito, caso fosse adoptada a sugestão da troika quanto a salários do privado haveria, pela certa, diversas repercussões, entre as quais destacamos:

– o corte de salários nos privados, se equivalentes ao previsto na proposta do OGE para a f.p. e pensionistas, redundaria na redução de 14,28% das remunerações e 4,96% de Taxa Social Única (a Segurança Social deixaria de cobrar cerca de 3.000 milhões de euros/ano);

– os ganhos da redução em causa seriam em exclusivo para os empregadores, independentemente de serem ou não exportadores;

– a diminuição adicional do poder compra dos portugueses, já fortemente devastado, causaria agravamento da quebra de despesa das famílias já prevista na proposta do OGE 2012, de –4,8% para o ‘Consumo Privado’;

– a quebra de receitas de IVA, por reflexo de acrescida  redução do consumo, agravaria o défice e a prossecução da consolidação orçamental prevista para 2012 (- 4,5% do PIB).

– por último, e para quem tem realmente experiência de exportações, sabe que a competitividade externa, além de dependente de variáveis exógenas, assenta também em economias de escala para as quais o consumo interno dá contributos, em muitos casos, decisivos.

Enfim, o Sr. Kröger, provavelmente a par dos seus pares, atinge o pleno da incompetência e da insensatez. Sobre a evasão do sector público para o privado é melhor nem perdermos tempo. Não passam de Troikinices e Cretinices!

Comments

  1. FJMarques says:

    Continuem a martirizar um POVO calado, que quando ele se revoltar as consequências serão imprevisiveis, aconselho que os politicos que levaram o País ao estado em que está que mantenham os passaportes em dia, o POVO está a chegar ao ponto de saturação, farto de ser roubado pelos bancos, pelo estado para satisfazer gestões e gestores fraudulentos, por monopólios tipo EDP e GALP, farto de ser assaltado por corruptos e nos mais básicos pontos sociais, isto é um conselho e não uma ameaça, continuem a não ouvirem o POVO, continuem a governar contra ele que ele tudo aguenta até um dia, até um dia que nem policia nem tropa vos salvará da revolta. Esse dia cada dia está mais perto, e quanto mais o martirizarem mais depressa chegará esse dia.

  2. Carlos Fonseca says:

    Há, de facto, muito descontentamento popular. Eu viajo por diferentes regiões e apercebo-me. A probabilidade de haver borrasca aumenta e 2012 vai ser para doer muito.


  3. Não é pretendido que consigamos pagar. NÂO É POSSIVEL e eles sabem.
    Mas enquanto puderem espremer! Não interessa que se produza riqueza, porque o que se quer é que a dívida persista, o nosso cinto que se aperte, os bolsos deles entretanto enchem e quando estivermos “secos” mas com a dívida ainda a pairar, Portugal é comprado por um €
    Quando chegar esse dia, estamos num quadrado cercado, com uns grãos de milho lá dentro.
    Ainda estamos a tempo de evitarque seja colocada a quarta cerca.

  4. MAGRIÇO says:

    “Somos um povo imbecializado e resignado, humilde e macambúzio,
    fatalista e sonânbulo, burro de carga, besta de nora, aguentamos
    pauladas, sacos de vergonhas, feixes de miséria, sem um arebelião,
    um mostrar de dentes, a energia de um coice, pois que nem já com
    as orelhas é capaz de sacudir as moscas.”
    José Régio

    • MAGRIÇO says:

      Ontem, como hoje! Não nos basta estes governantes imberbes que ainda não perceberam que o país não é a mesma coisa que uma república estudantil, ainda temos de ouvir as opiniões “isentas” dos representantes do capital internacional. Ainda não perceberam que a baixa produtividade se deve muito mais aos gestores do que aos trabalhadores. Veja-se o caso da Autoeuropa: os trabalhadores não são portugueses? Como dizia Camões, “um fraco rei faz fraca a forte gente”. Mais uma vez, a ignorância da história a não ajudar.

  5. Jorge Anyous says:

    Caricata e humilhante a entrevista de um dos elementos da troika no telejornal da RTP.
    Só gostava de ter perguntado a este cavalheiro se o que preconiza para os portugueses em condições iguais também defendia para o seus próprios concidadãos,
    E a que titulo é ele convidado?Esta gente é par ser tolerada por motivos óbvios mas nada mais do que isso.Aliás em vez de andar sempre a ir e a vir,é viver cá com o ordenado que preconiza para os outros e deixar de ser vedeta e aparecer em telejornais,Já é demais tanto palpite.

    • MAGRIÇO says:

      Exactamente! Andou mal a RTP ao convidar tal figurão e o governo parece não se importar de estar a ser substituído nas suas competências. Que falta faz uma coluna vertebral!


  6. montes de merda e ladroes,súditos de sua alteza a imperatriz angela merkel.

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