Criança, totem e tabu. Ensaio de etnopsicologia da infância

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…para irmã Lúcia Aljustrel que nunca soube ler e escrever, exemplo do que não deve acontecer…Não sou homem de fé, mas em dia de defuntos, a etnopsicologia dee ser comentada na base de um totem

Há a necessidade da criança aprender como é a vida, material e cientificamente. É a maneira de ser um bom cidadão. Oh leitor! Não desmaie se ler mais uma vez esta minha teimosa ideia sobre o processo de aprendizagem das crianças.

É tão importante para um povo, é tão interessante para nós, na cauda da Europa esse saber que define o dos mais novos. Curiosas investigadoras da vida, para construir o seu aparelho conceptual ou uma epistemologia para entender o processo de vida. A História, a Economia, a acumulação de Lucro, o Trabalho, o extorquir da Mais-valia. Esteja o adulto, consciente ou não do facto, é ele o mentor da criança. Atrevo-me a afirmar, pela pesquisa feita in situ, que o mais novo aprende na base de factos e lendas tecidas sobre pessoas que afirmaram ter vivido uma experiência invulgar: ter visto e falado com a divindade e a hierarquia social que esta origina. Conceito não entendido mas temido pela pequenada. Facto lembrado de forma agonística, cultivados até a exasperação e pregado «ad infinitum» por uma hierarquia religiosa, semelhante à civil, opulenta, ostentosa, omnipotente, vestida com abas e togas. Hierarquia de andar lento e majestoso e de palavra sabida, uma autoridade que aparenta ser impossível de desmentir e permitir a crença do saber proletário. Hierarquia ou Seres considerados autoridades por estarem vários degraus acima de nós na gestão da vida social, da solidária interacção, na distribuição do trabalho, na posse dos bens que criam riqueza e no ditar da lei e dos dogmas que nos governam. Poder duma verdade encarnada em material humano. Em seres humanos a criar, recriar, definir, aprofundar a leitura, a escrita, para melhor processar a distribuição do afazer social. Falam na escolha duma forma de vida humilde e de serviço para melhorar as vidas dos outros, na base dos seus patamares de ouro. Ao quererem agir em nome duma entidade denominada Divina, Criadora, Justiceira, Omnipresente, com o poder de perdoar ou não o pecado ou a interacção não amável de pessoas que se denominam entre sim irmãos. A palavra deles ensina pelo medo que desperta na criança pequena. Era o que Freud denominava um Totem: entidade animal ou ser humano a estruturar a identidade de um grupo que se quer solidário, amoroso, estudioso, amigo, preparados para apoiar os derivados da identidade comum e viver fora dos segredos da literacia. Do Totem, a hierarquia cria um Tabu, uma proibição, um travão, um riacho que conduz, de forma obrigada, às emoções da vida em comum: aproxima, afasta, permite, proíbe interacções definidas pelo saber como não desejadas pela Divindade. É o que o Luterano Marx em 1843 denomina A Questão Judaica, o que Feuerbach em 1841 trata como a Essência do Cristianismo, Freud em 1939 denomina O Mal-estar na Cultura. O que muitos outros aprofundam, como os Presbíteros Escoceses Hume e Smith, ao criarem bases de acumulação da riqueza, ou o Médico Huguenote Católico Francês François Quesnay ao teorizar sobre as bondades da Natureza. Bem como o Sacerdote Cristão Romano Gregor Mendel que em 1822 tentou entender as leis da herança genética, assim como e o devoto Decano (Dean para a ordem sagrada) Anglicano, o seu sucessor Charles Darwin. A Freira Católica Teresa de Ávila e os seus textos teológicos; o João da Cruz e a sua arte poética dedicada a explicar apenas um facto: o trabalho da mente Divina sobre a matéria. Explicado todo este saber a criança, entende que o Totem manda e o Tabu rouba se os mais novos não ouvem os seus adultos. Oh! Leitor paciente com estas homilias, semelhantes às referidas….

E a Lúcia? Onde cabe neste texto? Essa autoridade popular, amada por todos, embuçada por um véu, olhar no chão, essa que o povo foi ontem enterrar na sua Páscoa pessoal? Jornaleira e pastora que entende de boa fé uma outra construção sentimental e social, pregada em todo o mundo: a doçura, a alegria e ruralidade de Lúcia de Aljustrel ou a Irmã Lúcia de Portugal que levamos ontem a sua solidão. Mulher destemida desde os seus ternos anos de infância, ao contar em Abril de 1917 a sua mãe, também Lúcia, que tinha visto e falado com uma linda Senhora vinda do Céu, com um trabalho para si: propagar a oração pelo mundo, com calma e silêncio. A mãe não só não acreditou, como ainda lhe bateu. A rapariga tinha duas testemunhas, os seus primos Jacinta e Francisco Marto, que morrerem muito novos. Para ter mais testemunhas e ser acreditada na verdade do que dizia, a 13 do mês seguinte levou um grupo de pessoas como testemunhas, pessoas que apenas a viam falar para uma luz brilhante e ouvir com atenção o que hoje se conhece em todo o mundo: o poder da denominada oração, ensinada às crianças em Portugal e no mundo, desde o dia em que Lúcia conversou com a Senhora. Por não acreditarem na sua história, deixou a sua terra e foi para Lisboa e, mais tarde, para o Porto como Freira Doroteia. A morte de una irmã leva ? a tomar conta de três sobrinhas, que tem que alimentar. Trabalha por um salário enquanto faz o que mais desejava: meditar, pensar, escrever, orar, fazer penitência. Entretanto, um Totem é organizado para si. De jornaleira entra na mais abundante literacia, escreve memórias, cartas, artigos, dá conferências, lê e não larga essa hierarquia autoritária a arrogante. Senhores de saber incutido em latim e grego, em Faculdades Romanas, em Faculdades isoladas apenas para eles que nada têm a ver com a Escola Pública de Lúcia, dos Marto. Assim, o povo acredita no que diz, segue-a e guardam-na na sua memória. É um Tabu. Derivado do seu Totem para servir. Com a alegria, a calma e a serenidade que conheci em Coimbra nos anos 80 do Século XX. Começam a desenhar-se factos e lendas sobre a sua vida. Ela, continua a escrever. O quê? Não sabemos ainda: mais alguns anos, e talvez a exuberância da sua conversa, guardada em textos pela Hierarquia que tudo diz saber. E definir. Exuberância que convenceu Padres, Bispos, Papas Romanos, hoje parte da nossa História.

Lúcia de Aljustrel é um Totem construído fora do Carmelo de Coimbra e usado na Catequese para a Criança ser obediente, simples, singela, a rir por tudo e por nada. Será que esta realidade, vista por mim em poucos minutos, é o Totem e o Tabu de Frazer, Freud, Bion, Klein e outros autores? Fora do Carmelo de Coimbra, sem ela saber, a lenda tece e cresce, sem ela saber (freira de clausura, mulher da Igreja Católica…sem poder) como provou a imensa multidão que acompanhou o seu funeral. A criança vê- a como o seu Totem. Junto da Divindade, do Totem Maior, este mais pequeno teve a sua Páscoa a 13 de Fevereiro.

Lúcia de Aljustrel prestou-nos um grande serviço: abriu Portugal ao mundo, e não  soube,… fazer  felizes as crianças…que um dia pisaram o Tabu e aprenderão o lucro. Como os que vão a Fátima orar para triunfar e ganhar o lucro que nem as crianças nem a Lúcia, puderam conhecer.
É tão importante para um povo, é tão interessante para nós, na cauda da Europa esse saber que define o dos mais novos. Curiosas investigadoras da vida, para construir o seu aparelho conceptual ou uma epistemologia para entender o processo de vida. A História, a Economia, a acumulação de Lucro, o Trabalho, o extorquir da Mais-valia. Esteja o adulto, consciente ou não do facto, é ele o mentor da criança. Atrevo-me a afirmar, pela pesquisa feita in situ, que o mais novo aprende na base de factos e lendas tecidas sobre pessoas que afirmaram ter vivido uma experiência invulgar: ter visto e falado com a divindade e a hierarquia social que esta origina. Conceito não entendido mas temido pela pequenada. Facto lembrado de forma agonística, cultivados até a exasperação e pregado «ad infinitum» por uma hierarquia religiosa, semelhante à civil, opulenta, ostentosa, omnipotente, vestida com abas e togas. Hierarquia de andar lento e majestoso e de palavra sabida, uma autoridade que aparenta ser impossível de desmentir e permitir a crença do saber proletário. Hierarquia ou Seres considerados autoridades por estarem vários degraus acima de nós na gestão da vida social, da solidária interacção, na distribuição do trabalho, na posse dos bens que criam riqueza e no ditar da lei e dos dogmas que nos governam. Poder duma verdade encarnada em material humano. Em seres humanos a criar, recriar, definir, aprofundar a leitura, a escrita, para melhor processar a distribuição do afazer social. Falam na escolha duma forma de vida humilde e de serviço para melhorar as vidas dos outros, na base dos seus patamares de ouro. Ao quererem agir em nome duma entidade denominada Divina, Criadora, Justiceira, Omnipresente, com o poder de perdoar ou não o pecado ou a interacção não amável de pessoas que se denominam entre sim irmãos. A palavra deles ensina pelo medo que desperta na criança pequena. Era o que Freud denominava um Totem: entidade animal ou ser humano a estruturar a identidade de um grupo que se quer solidário, amoroso, estudioso, amigo, preparados para apoiar os derivados da identidade comum e viver fora dos segredos da literacia. Do Totem, a hierarquia cria um Tabu, uma proibição, um travão, um riacho que conduz, de forma obrigada, às emoções da vida em comum: aproxima, afasta, permite, proíbe interacções definidas pelo saber como não desejadas pela Divindade. É o que o Luterano Marx em 1843 denomina A Questão Judaica, o que Feuerbach em 1841 trata como a Essência do Cristianismo, Freud em 1939 denomina O Mal-estar na Cultura. O que muitos outros aprofundam, como os Presbíteros Escoceses Hume e Smith, ao criarem bases de acumulação da riqueza, ou o Médico Huguenote Católico Francês François Quesnay ao teorizar sobre as bondades da Natureza. Bem como o Sacerdote Cristão Romano Gregor Mendel que em 1822 tentou entender as leis da herança genética, assim como e o devoto Decano (Dean para a ordem sagrada) Anglicano, o seu sucessor Charles Darwin. A Freira Católica Teresa de Ávila e os seus textos teológicos; o João da Cruz e a sua arte poética dedicada a explicar apenas um facto: o trabalho da mente Divina sobre a matéria. Explicado todo este saber a criança, entende que o Totem manda e o Tabu rouba se os mais novos não ouvem os seus adultos. Oh! Leitor paciente com estas homilias, semelhantes às referidas….
E a Lúcia? Onde cabe neste texto? Essa autoridade popular, amada por todos, embuçada por um véu, olhar no chão, essa que o povo foi ontem enterrar na sua Páscoa pessoal? Jornaleira e pastora que entende de boa fé uma outra construção sentimental e social, pregada em todo o mundo: a doçura, a alegria e ruralidade de Lúcia de Aljustrel ou a Irmã Lúcia de Portugal que levamos ontem a sua solidão. Mulher destemida desde os seus ternos anos de infância, ao contar em Abril de 1917 a sua mãe, também Lúcia, que tinha visto e falado com uma linda Senhora vinda do Céu, com um trabalho para si: propagar a oração pelo mundo, com calma e silêncio. A mãe não só não acreditou, como ainda lhe bateu. A rapariga tinha duas testemunhas, os seus primos Jacinta e Francisco Marto, que morrerem muito novos. Para ter mais testemunhas e ser acreditada na verdade do que dizia, a 13 do mês seguinte levou um grupo de pessoas como testemunhas, pessoas que apenas a viam falar para uma luz brilhante e ouvir com atenção o que hoje se conhece em todo o mundo: o poder da denominada oração, ensinada às crianças em Portugal e no mundo, desde o dia em que Lúcia conversou com a Senhora. Por não acreditarem na sua história, deixou a sua terra e foi para Lisboa e, mais tarde, para o Porto como Freira Doroteia. A morte de una irmã leva ? a tomar conta de três sobrinhas, que tem que alimentar. Trabalha por um salário enquanto faz o que mais desejava: meditar, pensar, escrever, orar, fazer penitência. Entretanto, um Totem é organizado para si. De jornaleira entra na mais abundante literacia, escreve memórias, cartas, artigos, dá conferências, lê e não larga essa hierarquia autoritária a arrogante. Senhores de saber incutido em latim e grego, em Faculdades Romanas, em Faculdades isoladas apenas para eles que nada têm a ver com a Escola Pública de Lúcia, dos Marto. Assim, o povo acredita no que diz, segue-a e guardam-na na sua memória. É um Tabu. Derivado do seu Totem para servir. Com a alegria, a calma e a serenidade que conheci em Coimbra nos anos 80 do Século XX. Começam a desenhar-se factos e lendas sobre a sua vida. Ela, continua a escrever. O quê? Não sabemos ainda: mais alguns anos, e talvez a exuberância da sua conversa, guardada em textos pela Hierarquia que tudo diz saber. E definir. Exuberância que convenceu Padres, Bispos, Papas Romanos, hoje parte da nossa História.
Lúcia de Aljustrel é um Totem construído fora do Carmelo de Coimbra e usado na Catequese para a Criança ser obediente, simples, singela, a rir por tudo e por nada. Será que esta realidade, vista por mim em poucos minutos, é o Totem e o Tabu de Frazer, Freud, Bion, Klein e outros autores? Fora do Carmelo de Coimbra, sem ela saber, a lenda tece e cresce, sem ela saber (freira de clausura, mulher da Igreja Católica…sem poder) como provou a imensa multidão que acompanhou o seu funeral. A criança vê- a como o seu Totem. Junto da Divindade, do Totem Maior, este mais pequeno teve a sua Páscoa a 13 de Fevereiro.
Lúcia de Aljustrel prestou-nos um grande serviço: abriu Portugal ao mundo, e não o soube,… fazer felizes as crianças…que um dia pisaram o Tabu e aprenderão o lucro. Como os que vão a Fátima orar para triunfar e ganhar o lucro que nem as crianças nem a Lúcia, puderam conhecer.
É tão importante para um povo, é tão interessante para nós, na cauda da Europa esse saber que define o dos mais novos. Curiosas investigadoras da vida, para construir o seu aparelho conceptual ou uma epistemologia para entender o processo de vida. A História, a Economia, a acumulação de Lucro, o Trabalho, o extorquir da Mais-valia. Esteja o adulto, consciente ou não do facto, é ele o mentor da criança. Atrevo-me a afirmar, pela pesquisa feita in situ, que o mais novo aprende na base de factos e lendas tecidas sobre pessoas que afirmaram ter vivido uma experiência invulgar: ter visto e falado com a divindade e a hierarquia social que esta origina. Conceito não entendido mas temido pela pequenada. Facto lembrado de forma agonística, cultivados até a exasperação e pregado «ad infinitum» por uma hierarquia religiosa, semelhante à civil, opulenta, ostentosa, omnipotente, vestida com abas e togas. Hierarquia de andar lento e majestoso e de palavra sabida, uma autoridade que aparenta ser impossível de desmentir e permitir a crença do saber proletário. Hierarquia ou Seres considerados autoridades por estarem vários degraus acima de nós na gestão da vida social, da solidária interacção, na distribuição do trabalho, na posse dos bens que criam riqueza e no ditar da lei e dos dogmas que nos governam. Poder duma verdade encarnada em material humano. Em seres humanos a criar, recriar, definir, aprofundar a leitura, a escrita, para melhor processar a distribuição do afazer social. Falam na escolha duma forma de vida humilde e de serviço para melhorar as vidas dos outros, na base dos seus patamares de ouro. Ao quererem agir em nome duma entidade denominada Divina, Criadora, Justiceira, Omnipresente, com o poder de perdoar ou não o pecado ou a interacção não amável de pessoas que se denominam entre sim irmãos. A palavra deles ensina pelo medo que desperta na criança pequena. Era o que Freud denominava um Totem: entidade animal ou ser humano a estruturar a identidade de um grupo que se quer solidário, amoroso, estudioso, amigo, preparados para apoiar os derivados da identidade comum e viver fora dos segredos da literacia. Do Totem, a hierarquia cria um Tabu, uma proibição, um travão, um riacho que conduz, de forma obrigada, às emoções da vida em comum: aproxima, afasta, permite, proíbe interacções definidas pelo saber como não desejadas pela Divindade. É o que o Luterano Marx em 1843 denomina A Questão Judaica, o que Feuerbach em 1841 trata como a Essência do Cristianismo, Freud em 1939 denomina O Mal-estar na Cultura. O que muitos outros aprofundam, como os Presbíteros Escoceses Hume e Smith, ao criarem bases de acumulação da riqueza, ou o Médico Huguenote Católico Francês François Quesnay ao teorizar sobre as bondades da Natureza. Bem como o Sacerdote Cristão Romano Gregor Mendel que em 1822 tentou entender as leis da herança genética, assim como e o devoto Decano (Dean para a ordem sagrada) Anglicano, o seu sucessor Charles Darwin. A Freira Católica Teresa de Ávila e os seus textos teológicos; o João da Cruz e a sua arte poética dedicada a explicar apenas um facto: o trabalho da mente Divina sobre a matéria. Explicado todo este saber a criança, entende que o Totem manda e o Tabu rouba se os mais novos não ouvem os seus adultos. Oh! Leitor paciente com estas homilias, semelhantes às referidas….
E a Lúcia? Onde cabe neste texto? Essa autoridade popular, amada por todos, embuçada por um véu, olhar no chão, essa que o povo foi ontem enterrar na sua Páscoa pessoal? Jornaleira e pastora que entende de boa fé uma outra construção sentimental e social, pregada em todo o mundo: a doçura, a alegria e ruralidade de Lúcia de Aljustrel ou a Irmã Lúcia de Portugal que levamos ontem a sua solidão. Mulher destemida desde os seus ternos anos de infância, ao contar em Abril de 1917 a sua mãe, também Lúcia, que tinha visto e falado com uma linda Senhora vinda do Céu, com um trabalho para si: propagar a oração pelo mundo, com calma e silêncio. A mãe não só não acreditou, como ainda lhe bateu. A rapariga tinha duas testemunhas, os seus primos Jacinta e Francisco Marto, que morrerem muito novos. Para ter mais testemunhas e ser acreditada na verdade do que dizia, a 13 do mês seguinte levou um grupo de pessoas como testemunhas, pessoas que apenas a viam falar para uma luz brilhante e ouvir com atenção o que hoje se conhece em todo o mundo: o poder da denominada oração, ensinada às crianças em Portugal e no mundo, desde o dia em que Lúcia conversou com a Senhora. Por não acreditarem na sua história, deixou a sua terra e foi para Lisboa e, mais tarde, para o Porto como Freira Doroteia. A morte de una irmã leva ? a tomar conta de três sobrinhas, que tem que alimentar. Trabalha por um salário enquanto faz o que mais desejava: meditar, pensar, escrever, orar, fazer penitência. Entretanto, um Totem é organizado para si. De jornaleira entra na mais abundante literacia, escreve memórias, cartas, artigos, dá conferências, lê e não larga essa hierarquia autoritária a arrogante. Senhores de saber incutido em latim e grego, em Faculdades Romanas, em Faculdades isoladas apenas para eles que nada têm a ver com a Escola Pública de Lúcia, dos Marto. Assim, o povo acredita no que diz, segue-a e guardam-na na sua memória. É um Tabu. Derivado do seu Totem para servir. Com a alegria, a calma e a serenidade que conheci em Coimbra nos anos 80 do Século XX. Começam a desenhar-se factos e lendas sobre a sua vida. Ela, continua a escrever. O quê? Não sabemos ainda: mais alguns anos, e talvez a exuberância da sua conversa, guardada em textos pela Hierarquia que tudo diz saber. E definir. Exuberância que convenceu Padres, Bispos, Papas Romanos, hoje parte da nossa História.
Lúcia de Aljustrel é um Totem construído fora do Carmelo de Coimbra e usado na Catequese para a Criança ser obediente, simples, singela, a rir por tudo e por nada. Será que esta realidade, vista por mim em poucos minutos, é o Totem e o Tabu de Frazer, Freud, Bion, Klein e outros autores? Fora do Carmelo de Coimbra, sem ela saber, a lenda tece e cresce, sem ela saber (freira de clausura, mulher da Igreja Católica…sem poder) como provou a imensa multidão que acompanhou o seu funeral. A criança vê- a como o seu Totem. Junto da Divindade, do Totem Maior, este mais pequeno teve a sua Páscoa a 13 de Fevereiro.
Lúcia de Aljustrel prestou-nos um grande serviço: abriu Portugal ao mundo, e não o soube,… fazer felizes as crianças…que um dia pisaram o Tabu e aprenderão o lucro. Como os que vão a Fátima orar para triunfar e ganhar o lucro que nem as crianças nem a Lúcia, puderam conhecer.
É tão importante para um povo, é tão interessante para nós, na cauda da Europa esse saber que define o dos mais novos. Curiosas investigadoras da vida, para construir o seu aparelho conceptual ou uma epistemologia para entender o processo de vida. A História, a Economia, a acumulação de Lucro, o Trabalho, o extorquir da Mais-valia. Esteja o adulto, consciente ou não do facto, é ele o mentor da criança. Atrevo-me a afirmar, pela pesquisa feita in situ, que o mais novo aprende na base de factos e lendas tecidas sobre pessoas que afirmaram ter vivido uma experiência invulgar: ter visto e falado com a divindade e a hierarquia social que esta origina. Conceito não entendido mas temido pela pequenada. Facto lembrado de forma agonística, cultivados até a exasperação e pregado «ad infinitum» por uma hierarquia religiosa, semelhante à civil, opulenta, ostentosa, omnipotente, vestida com abas e togas. Hierarquia de andar lento e majestoso e de palavra sabida, uma autoridade que aparenta ser impossível de desmentir e permitir a crença do saber proletário. Hierarquia ou Seres considerados autoridades por estarem vários degraus acima de nós na gestão da vida social, da solidária interacção, na distribuição do trabalho, na posse dos bens que criam riqueza e no ditar da lei e dos dogmas que nos governam. Poder duma verdade encarnada em material humano. Em seres humanos a criar, recriar, definir, aprofundar a leitura, a escrita, para melhor processar a distribuição do afazer social. Falam na escolha duma forma de vida humilde e de serviço para melhorar as vidas dos outros, na base dos seus patamares de ouro. Ao quererem agir em nome duma entidade denominada Divina, Criadora, Justiceira, Omnipresente, com o poder de perdoar ou não o pecado ou a interacção não amável de pessoas que se denominam entre sim irmãos. A palavra deles ensina pelo medo que desperta na criança pequena. Era o que Freud denominava um Totem: entidade animal ou ser humano a estruturar a identidade de um grupo que se quer solidário, amoroso, estudioso, amigo, preparados para apoiar os derivados da identidade comum e viver fora dos segredos da literacia. Do Totem, a hierarquia cria um Tabu, uma proibição, um travão, um riacho que conduz, de forma obrigada, às emoções da vida em comum: aproxima, afasta, permite, proíbe interacções definidas pelo saber como não desejadas pela Divindade. É o que o Luterano Marx em 1843 denomina A Questão Judaica, o que Feuerbach em 1841 trata como a Essência do Cristianismo, Freud em 1939 denomina O Mal-estar na Cultura. O que muitos outros aprofundam, como os Presbíteros Escoceses Hume e Smith, ao criarem bases de acumulação da riqueza, ou o Médico Huguenote Católico Francês François Quesnay ao teorizar sobre as bondades da Natureza. Bem como o Sacerdote Cristão Romano Gregor Mendel que em 1822 tentou entender as leis da herança genética, assim como e o devoto Decano (Dean para a ordem sagrada) Anglicano, o seu sucessor Charles Darwin. A Freira Católica Teresa de Ávila e os seus textos teológicos; o João da Cruz e a sua arte poética dedicada a explicar apenas um facto: o trabalho da mente Divina sobre a matéria. Explicado todo este saber a criança, entende que o Totem manda e o Tabu rouba se os mais novos não ouvem os seus adultos. Oh! Leitor paciente com estas homilias, semelhantes às referidas….
E a Lúcia? Onde cabe neste texto? Essa autoridade popular, amada por todos, embuçada por um véu, olhar no chão, essa que o povo foi ontem enterrar na sua Páscoa pessoal? Jornaleira e pastora que entende de boa fé uma outra construção sentimental e social, pregada em todo o mundo: a doçura, a alegria e ruralidade de Lúcia de Aljustrel ou a Irmã Lúcia de Portugal que levamos ontem a sua solidão. Mulher destemida desde os seus ternos anos de infância, ao contar em Abril de 1917 a sua mãe, também Lúcia, que tinha visto e falado com uma linda Senhora vinda do Céu, com um trabalho para si: propagar a oração pelo mundo, com calma e silêncio. A mãe não só não acreditou, como ainda lhe bateu. A rapariga tinha duas testemunhas, os seus primos Jacinta e Francisco Marto, que morrerem muito novos. Para ter mais testemunhas e ser acreditada na verdade do que dizia, a 13 do mês seguinte levou um grupo de pessoas como testemunhas, pessoas que apenas a viam falar para uma luz brilhante e ouvir com atenção o que hoje se conhece em todo o mundo: o poder da denominada oração, ensinada às crianças em Portugal e no mundo, desde o dia em que Lúcia conversou com a Senhora. Por não acreditarem na sua história, deixou a sua terra e foi para Lisboa e, mais tarde, para o Porto como Freira Doroteia. A morte de una irmã leva ? a tomar conta de três sobrinhas, que tem que alimentar. Trabalha por um salário enquanto faz o que mais desejava: meditar, pensar, escrever, orar, fazer penitência. Entretanto, um Totem é organizado para si. De jornaleira entra na mais abundante literacia, escreve memórias, cartas, artigos, dá conferências, lê e não larga essa hierarquia autoritária a arrogante. Senhores de saber incutido em latim e grego, em Faculdades Romanas, em Faculdades isoladas apenas para eles que nada têm a ver com a Escola Pública de Lúcia, dos Marto. Assim, o povo acredita no que diz, segue-a e guardam-na na sua memória. É um Tabu. Derivado do seu Totem para servir. Com a alegria, a calma e a serenidade que conheci em Coimbra nos anos 80 do Século XX. Começam a desenhar-se factos e lendas sobre a sua vida. Ela, continua a escrever. O quê? Não sabemos ainda: mais alguns anos, e talvez a exuberância da sua conversa, guardada em textos pela Hierarquia que tudo diz saber. E definir. Exuberância que convenceu Padres, Bispos, Papas Romanos, hoje parte da nossa História.
Lúcia de Aljustrel é um Totem construído fora do Carmelo de Coimbra e usado na Catequese para a Criança ser obediente, simples, singela, a rir por tudo e por nada. Será que esta realidade, vista por mim em poucos minutos, é o Totem e o Tabu de Frazer, Freud, Bion, Klein e outros autores? Fora do Carmelo de Coimbra, sem ela saber, a lenda tece e cresce, sem ela saber (freira de clausura, mulher da Igreja Católica…sem poder) como provou a imensa multidão que acompanhou o seu funeral. A criança vê- a como o seu Totem. Junto da Divindade, do Totem Maior, este mais pequeno teve a sua Páscoa a 13 de Fevereiro.
Lúcia de Aljustrel prestou-nos um grande serviço: abriu Portugal ao mundo, e não o soube,… fazer felizes as crianças…que um dia pisaram o Tabu e aprenderão o lucro. Como os que vão a Fátima orar para triunfar e ganhar o lucro que nem as crianças nem a Lúcia, puderam conhecer.

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