O que é feito do Paulinho das Feiras?

portasNas últimas semanas de 2011, aproveitei o tempo para visitar feiras ou mercados de província; como se queira. Percorri cidades e vilas do Alto Alentejo e da  Beira Baixa.

Falei com feirantes. A D. Ofélia, no Fundão, disse-me que a coisa está má: “Vende-se muito pouco, as pessoas já cortam na comida”, acentuou. Em Alpedrinha, a tia Odete, com a banca cheia de brócolos, couves, nabos, cenouras, cebolas, batatas e não sei que mais, também se lamentou da quebra de vendas. Mas, zangado, azedo, estava em Ponte de Sor o Sr. Ismael, homem de 70 anos, de semblante fechado e duro. Quando lhe perguntei pelo negócio, de mau humor e olhar furioso, gritou: “Estou farto de ser enganado, volte cá o Sr. Paulinho das Feiras que eu e os outros aqui do mercado, tratamos-lhe da saúde. Ele ou qualquer outro político, levam uma corrida em osso!”

À distância dos grandes centros, menos publicitadas é certo, também há manifestações de desagrado e contestação da  gente do povo. São reacções individuais e ditas inorgânicas. Ainda assim, encontrei quem, em feiras e mercados, me tivesse lembrado da demagogia e dos “beijos de vampiro” das campanhas do Paulinho das Feiras. Um político hábil – reconheça-se – na fuga a mediatismos em momentos adversos das medidas de austeridade que, sob a prescrição da ‘troika’ e para além dela, Coelho é publica e quase solitariamente responsabilizado. Para mais, com excessivo protagonismo de um Relvas que já se tornou a figura nuclear de textos e programas de comédia.

De facto, e a despeito de ser ministro, é oportuno perguntar: “O que é feito do Paulinho das Feiras?”. Na altura de prestar contas e pedir novos votos, Paulo Portas, agora vedeta dos engalanados e sofisticados salões de ‘Negócios Estrangeiros’, saberá certamente trocar os diplomáticos uniformes por jeans, blusão ou casaco desportivo, camisa esgargalada e o indispensável boné de lavrador. Para o Coelho, ficarão as cenouras mais duras. Mas nunca tão árduas de mastigar como as medidas que, com o seu “Gasparzinho”, lançou sobre os que trabalham, os que já trabalharam anos a fio ou os que querem trabalhar e não encontram onde..(salvo em Angola, no Brasil ou algures longe de Portugal).

Comments


  1. Será isto reflectir sobre ideias?
    A mim parece-me mais acerca de pessoas!
    A descrição dos pormenores pessoais supera mesmo a prosa de Margarida Rebelo Pinto. Parabéns!

    • clara says:

      não sei bem, mas parece-me que quem tem ideias são as pessoas, logo …
      e penso que Paulo Portas se resguarda para, na hora certa, dizer que não teve nada a ver com todas estas medidas, até nem estava cá, tem graça!

      • m. ralha says:

        Sim, quem tem ideias são as pessoas. Porém, a maior parte das ideias que nos habitam pertencem a pessoas que nunca conhecemos ou conheceremos.

  2. maria celeste d'oliveira ramos says:

    O Paulinho faz falta ?? o que faz falta é alertar a mal, o que faz falta – e quantos como le poderiam dessaperecer e trablhar e deixar o $$$$$$$$$$$$$$$$ que sugam
    Porque não reduzir todos os que não fazem falta e se demultiplicam como cogumelos ???? alguns cogumelos como a amanita, cuidado

    • maria celeste d'oliveira ramos says:

      O Paulinho faz falta ??? o que faz falta é alertar a malta o que faz falta (é favor não deduzir partidarismos – só adoro Zeca Afonso para deixar claro pois há por aí adivinhos a fazer deduções atrevidas a par de comentários consentâneos por mais “livre que seja o Aventar”) – E quantos como o Paulinho poderiam desaparecer (e mesmo emigrar) e ficarem bem longe ??? e deixarem o $$$$$$$$$ que sugam há anos (para situar melhor diria 1986 pois para trás não é preciso sequer ir-para já) – e se desmultiplicam como cogumelos, cuidado, pois que há por aí (na floresta) uns Amanitas, cuidado – repeti porque tinha excesso de erros de dactilografia e sintaxe – o costume – perdão

  3. Jorge Anyous says:

    Prepara tal como um corredor de fundo a presidência da república.
    Como isto está qualquer um pode lá chegar.Basta reparar no último que lá chegou.

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