Tirem os cilícios do armário e depois falamos dos maçons

Quando vejo meio-mundo a bater na maçonaria fico logo de pé atrás: historicamente isso costuma coincidir com tempos em que logo a seguir me vêm bater à porta.

Não sendo hoje a maçonaria o que já foi, sempre a instituição esteve do lado da liberdade, sobretudo no séc XIX, por muito que isso custe ao romancista Vasco Pulido Valente. E se acho a coisa hoje em dia patusca, a sua existência é o lado para onde durmo melhor.

É curioso que tendo o assunto vindo à baila de uma forma que belisca o governo veja tantos dos seus apoiantes numa desmedida e excitada caça ao maçon. Cheira a beato.

Haja aqui moralidade: Opus Dei’s, mostrem as vossas chagas, ou estão de tal forma entretidos na caça ao maçon que se esqueceram de olhar para o espelho em casa? Essa, a obra do franquista Escrivá dá-me pesadelos. Entre os do avental e os do cilício a História honra os primeiros. Os segundos são uma das mais tenebrosas organizações dos nossos dias, com um poder  secreto e incomensurável, que faz dela a verdadeira herdeira da santa inquisição. O Herman mostra a diferença:

Comments


  1. O mesmo Herman José que, ainda há dois anos nos esclarecia sobre a censura em Portugal: “na altura [1988], estávamos convencidos de que um dos problemas maiores da sociedade portuguesa seria a pressão obsessiva da Igreja Católica sobre o poder político. Já em 1988 – apesar de ninguém mo ter confirmado – consta que o final do programa Humor de Perdição teria tido mão pseudodivina. Estava no entanto longe de imaginar que, dez anos mais tarde, teria a prova de que os mais perigosos garrotes da liberdade de expressão desta espécie de democracia residem dentro das togas e não das batinas”.» http://www.publico.pt/Cultura/lets-look-at-the-trailer-herman_1431775. Curiosamente não é por baixo das togas que se escondem aventais?


  2. Nuno, o Herman refere-se ao caso Casa Pia, onde não vejo aventais debaixo das togas, mas um processo político a pretexto de uma pedofilia mais que conhecida, processo que apontou o alvo à esquerda, até para o desviar da direita.
    O Herman foi metido ao barulho, completamente inocentado depois mas ficou com a reputação manchada para sempre. Maçonaria? não vejo onde.
    Em 1988 viu um programa seu ser retirado da RTP porque continha uma caricatura a Isabel de Aragão na figura de Rainha Santa, uma coisa hoje em dia impensável, até porque a caricatura nem tinha nada de ofensivo (anos mais tarde foi transmitida). Essa censura tinha um dedo claro da Igreja, precisamente na sua facção mais fundamentalista, a Opus, nenhum católico inteligente e com sentido de humor se ofendeu com aquilo, e eu sou da terra dos devotos da santa (quem não ficou bem no retrato foi o rei Dinis, por razões mais que merecidas).
    Donde, não posso acompanhar o teu raciocínio…


  3. O meu raciocínio é simples: qualquer associação que se escuda no secretismo, por muito que apregoe a liberdade e a filantropia, não merece crédito. Opus, maçonaria, ou a vizinha do lado. E defendê-las é comparticipar neste arrepio cenográfico.

  4. José Galhoz says:

    Seja pelo que for, o certo é que a Maçonaria continua a ser muito mais badalada do que o Opus Dei. Acho que o pio beato Escrivá de Balaguer terá alguma influência, lá de onde esteja…


  5. Nuno, nisso estamos de acordo.

  6. Pimba na Marreta says:

    Igualar a Maçonaria com a Opus Dei é como igualar a violência da extrema-esquerda contra objectos com a violência da extrema-direita contra pessoas.

  7. Jota says:

    Tudo o que tem “obediência” não cheira bem. Seja na Maçonaria ou na Opus.
    Secretismos para quê? se é com tão bons ideais porque não são divulgados e com sessões abertas colóquios e conferências para toda a gente ??

  8. Maria Oliveira says:

    Diz que a Maçonaria esteve -séc. XIX- do lado da liberdade. Por favor leia a história de João Brandão e de José Joaquim Marques de Oliveira*. Isto só para a Beira, no resto do país há outros.

    *meu tio tetra-avô


  9. Li essa e muito mais. E tem razão. Ficamos por aqui, quanto a essa história das nossas beiras, que muito gostaria de contada.
    Quanto ao que escrevi, tem um sentido mais lato, mas não exclui coisas tão abjectas como a de que falamos.

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