Todos contra a Barragem 0,1% – Depoimentos sobre o Douro e o Tua. 8 – Sant’Anna Dionísio (III)

(continuação)

– 34 km Ribeirnha, est. (D.).
O nome está a dizer com a frescura do sítio. Na margem do lado de cá está a pequena povoação desse nome. Do lado de cá, estão duas aldeias (Longa e Barcel), face a face, com uma pequena ribeira de permeio.
Daqui parte uma estradinha que serve a populosa vila antiga, decaída, de Vilas Boas, abrigada do lado do norte por um volumoso monte e que, noutros tempos, servia decerto de atalaia nocturna. é o chamado monte de Faro (824 metros de altitude), hoje coroado por um marco geodésico. Das janelas do comboio se contempla a crista granítica desse altaneiro serro, admirável miradouro de toda esta região de Riba-Tua. Um pouco mais além, à esquerda, destaca-se outro píncaro, relativamente isolado e grimpante: é o pico da Senhora da Assunção, coroado por uma ermida branca que certamente seria para Erastótenes ou Ticho – Brahe (caso um ou outro o visitassem) uma moradia ideal para uma discreta e paciente perscrutação dos grandes enigmas do Céu.
Do lado do poente, avista-se a montanha desnuda de Lamas de Orelhão.
Ao longo do rio, por fim pacificado, sucedem-se os olivais e alguns vinhedos. Estamos, ao cabo de um demorado segmento horizontal de 2 km, em

– 37,6 km. Vilarinho, est. (D.)
Voltam, por momentos, as penedias; mas as vinhas pequenas e os modestos olivedos voltam também, deixando aos renques de choupos a discreta hora de se remirarem no espelho verde do rio. O monte de Faro vai-se afastando, mas sem perda da sua manifesta grandeza. Nisto, porém, interpõe-se um serro escalvado que por pouco não nos oculta o pano orográfico do fundo. Aproxima-se o decantado

– 41,5 km. Cachão, est. (E.)O rio, que antes havia inflectido sensivelmente na direcção do nascente, retoma a orientação do norte, assemelhando-se a uma tranquila alameda líquida, uma vez ou outra interrompida por algumas rumorosas levadas. Defronte recortam-se
dois pedregosos outeiros, mais conhecidos pelo nome de «serra» de Valverde e «serra» do Cubo. A estrada, um pouco mais elevada, acompanha de perto a via férrea.

– 45 km. Frechas, est. (D.)
Neste ponto a linha transpõe a curva de nível dos 200 metros. Cruza-se uma pequena ribeira (ponte de Frechas) e passa-se so a estrada nacional por um breve túnel. De novo avista-se o belo pico granítico da Senhora da Assunção, tendo ao lado, à direita, o formoso cone do Monte do Faro. Pelo perfil, dir-se-iam os seios de uma Deusa Negra, adolescente.
A paisagem amplia-se; torna-se mais bela e calmante.
Segue-se demoradamente ao longo do rio, pacífico e amplo. Ao cabo de um bom estirão, a linha afasta-se (junto do apeadeiro de Latadas) da estrada e inflecte para a esquerda, entre macios pendores revestidos de vinha e olival, cruzando a importante Quinta de Choupim, dominada do lado do nascente por um cabeço, conhecido pelo nome de Castelo, coroado por um marco geodésico (376 metros).
Andando um pouco mais, em ligeira rampa, surge

– 54 km. Mirandela, est. (D.); (208 metros de altitude)

(continua)

Sant’Anna Dionísio, Guia de Portugal

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1 – Francisco José Viegas
2 – Guilherme Felgueiras
3 – Eça de Queirós
4 – Miguel Torga
5 – Pedro Homem de Mello
6 – Daniel Deusado
7 – Manuel Monteiro
8 – Sant’Anna Dionísio I, II
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