Um governo de reles e vil política

O descontentamento da generalidade dos portugueses torna-se, a cada passo, mais intenso e transversal. Da direita à esquerda, de monárquicos a republicanos, de empregadores a empregados, de ateus anónimos a figuras da hierarquia da igreja católica , as fileiras de revolta engrossam gradual e sistematicamente.

Agora foi a vez do bispo D. Januário Torgal Ferreira vir a público denunciar:

 Fico atónito quando o Governo vai além da troika

Fica ele, fico eu, fica o dono do restaurante aqui da terra, o empregado de balcão da tabacaria, o comerciante de electrodomésticos António, entretanto falido, a D. Adelaide que se levanta às 6 da manhã para fazer limpezas na sucursal da Caixa Agrícola,  o pastor Alexandre da aldeia e a também a vizinha e aldeã D. Gertrudes com os dois filhos desempregados.

Outros, muitos outros, empobrecidos, desempregados e desamparados pouco se manifestam. Afogam silenciosas e duras mágoas nas ‘minis’ oferecidas no café da vila, soprando a tristeza no fumo do miserável cigarro de ‘onça e mortalha’ manufacturado e mais baratinho.

Toda esta gente é, infelizmente, o estigma de um mundo e de um país pervertido. Sobretudo de um país em que milhares, muitos milhares, de cidadãos são deixados ao infortúnio. Não tiveram a sorte de ter uma irmã ministra para arranjar ‘tacho’. Muito menos souberam socorrer-se de oportunismos para se encaixar no governo e da aptidão de, como o cabotino secretário de estado, Sérgio Monteiro de nome, não recusar a falta de honestidade política, ao lançar o topete:

Portugal não aceitaria que “continuasse a política de subsidiação a Lisboa” nos transportes

Lisboa, ainda há dias foi confirmado publicamente, tem 420.000 habitantes fixos, a maioria dos quais sexagenários, septuagenários e ainda mais idosos. O Porto, ainda que a escala menor, não se distingue das características demográficas de Lisboa. Uma e outra constituem cenário rotineiro da morte de idosos isolados, sem que as comunidades se apercebam do sucedido.

Um Monteiro quer centrar nos lisboetas a justificação para o aumento dos transportes. Aqui, no Norte Alentejano, Sr. Monteiro, os transportes colectivos são coisa rara – ramais de caminho de ferro e carreiras rodoviárias foram extintos e, portanto, aprofundado o isolamento do interior.

Os políticos-funcionários ou comissários são os eleitos para este tipo de desempenho. De resto, com um PM que faz da mentira o instrumento predilecto da comunicação do governo, não é com Passos de Coelho, Monteiros e outros do género que o País avançará. Permanecerá no caminho da reles e vil política.

Bem pode Passos de Coelho propalar a propaganda de que Portugal regressará normalmente aos mercados em 2013. Deste género de embustes, já temos a nossa conta e fica-me a sensação de que Coelho ultrapassará Sócrates. Vai para o ‘Guiness’.

Comments


  1. Perderam por completo a noção de decência!
    Têm um projecto de anulação dos salários e vão implementá-lo… e o PS quando para lá for a seguir pouco irá modificar.

  2. Carlos Fonseca says:

    mfc,
    De acordo.

  3. Nightwish says:

    Espero sinceramente que lhes acertem os Passos.
    Se apanhar um deles à frente, já sei que só volto a ver o sol daqui a 25 anos…


  4. Acertar o passo a quem? Esta cambada de cá, Comunidade Europeia, Estados Unidos e por aí adiante é que nos acertam o passo.
    O que irá acontecer se o Irão fechar as portas à Europa, depois de esta ter decidido avançar com o embargo?
    Pensem bem! Para não falar na “vontadinha” ainda “escondida” de Invadir o Irão.

  5. Paulo says:

    Sergio Monteiro e não Ribeiro.

  6. kalidas says:

    Será que o sr bispo vai fazer avançar a ética católica?

    A ética protestante no norte da Europa criou um certo paraíso, que propunha o seguinte procedimento;”Quanto mais formos capazes de usar a razão, para entendermos o mundo e para nos entendermos a nós próprios, mais capazes seremos de moldar a História à nossa medida. Para controlarmos o futuro, é necessário que nos libertemos dos hábitos e dos preconceitos do passado”

    Chegados aqui e pelo resultado alcançado até parece que a coisa deve ser alterada, ou deixaremos de moldar a nossa História. Mas eis que, Dom Januário poderá ser o talhomem do Quinto Imperio Lusitano, que vai resgastar o Sul, lançando a sua Ética Católica com Esírito mas sem Capitalismo.

    Faça melhor que Max Weber sr Bispo, se der para o torto, avance com a tropa e com São Jorge.
    preciso..

  7. marai celeste ramos says:

    Mas julgava eu na minha igorância que haveria sempre alguns valores que vêm de sempre por mais que se evolua (para trás ou para a frente pois à vezes prece que se anda às arrecuas)
    E se calhar o facto de não se ter “guardado” alguns “habitos”, poderá ter, também, contribuido para a situação de desnorte em que mitos vivem – é certo que até o genoma do homem mudou e evoluiu – mas não tem genes comuns do passado ??Creio que tem e é por isso que se sabe de onde (continente e tempo biológico) de onde vem muita gente e esse estudo já foi feito e por isso, também, se sabe que àfrica é o continente da “mãe preta” – vja um lind+issimo documentário da BBC – não falemos da geogradfia e ecologia e clima claro – mas poderemos falar até de Darwin

  8. Carlos Fonseca says:

    Paulo,
    Obrigado. Já rectifiquei.

Trackbacks


  1. […] outro lado, o Carlos Fonseca chama vil à política do governo ao mesmo tempo que a Daniela Major assume que deseja emigrar […]

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