Ainda que, para mim, as questões legais percam importância face ao direito de nos indignarmos, quando acreditamos que existem erros ou injustiças graves, é importante ler a resposta de João Roque Dias a Joana Amaral Dias, que criticou a decisão tomada por Vasco Graça Moura, tal como também fez aqui o nosso Pedro Correia.






QUANDO NOS ACORDOS NÃO HOUVER ROMANOS
NEM ÁRABES NA LÍNGUA VICIOSA
NEM VÍRGULAS NO MAR, NEM UMA PROSA
SE DESFOLHAR NOS DEDOS DOS MARRANOS
QUANDO AS LETRAS RUDES EM PARÁGRAFOS VAGOS
DESTRUIREM NAS PALAVRAS AS LETRAS FALSAS
QUANDO O TEMPO ESCORRER LETRAS DESCALÇAS
E SORVENDO ESVAZIAR OS LETRADOS PAGOS
QUANDO OS ANTIGOS MESTRES FICAREM MUDOS
E OS ALVOS REYS DAS LETRAS AGRESTES
COMO AS GENTES QUE EMPENHAM AS VESTES
FICAREM SEM PÚRPURAS PALVRAS E VELUDOS
E QUANDO A SOMBRA DO DESACORDO PESADO
atingir o desarrozoado gado ou será desafeyto gado…literato
tou tã indignado com aqueles castellanos que nos tyraram o galaico cá da casa…
é berdade o mirandum tamém bai na liça ou arneiros ampelhiçam na travanca?
e travanca é bom poiso para churumele bailador
Fernando,
Depois deste momento duplo de delírio por parte do agente acima assinado, vamos a um pequeno esclarecimento:
O que eu questionava (e questiono) era a legitimidade de VGM impor a sua visão aos demais funcionários do CCB, incluindo aqueles apostados em escrever sob as regras do acordo. Depois, no final, interrogava as vozes que “dentro do PSD” se levantam e punha-lhes algumas perguntinhas. Qualquer semelhança com o tom de Joana Amaral Dias é mera coincidência.
Quanto às perguntas que João Roque Dias faz a JAD, sinceramente, tenho mais que fazer e suponho que ela também.
era a legitimidade de VGM impor a sua visão aos demais funcionários…ou seja se uns quisessem escrever em simplex ou em grafitti’s essa visão modernista da comunicação, deveria ir a par com os sinais de fumo…
ou seja o supra-sumo do funcionalismo cultural deveria deixar que a correnteza se dividisse em vários ribeiros…
ou o siza vieira deixar o mestre de obras fazer umas ladrilhagens ou azulejarias extras…
Pedro
Tu e a Joana Amaral Dias, em tons completamente diferentes, criticaram Vasco Graça Moura, com toda a legitimidade que vos assiste. Quem se quiser dar ao trabalho de vos ler não confundirá, de maneira nenhuma, a posição e o tom de ambos, embora não veja mal nenhum na posição ou no tom de ambos. João Roque Dias, num tom truculento, é certo, põe em dúvida a legalidade do Acordo, o que, a ser verdade, contraria a opinião de Joana Amaral Dias. O interesse ou o tempo de que tu e Joana Amaral Dias disponham para ler as perguntas é, evidentemente, da vossa conta.
Até iria mais longe e diria que mesmo, no que diz respeito à defesa da língua em que nos exprimimos e existimos, não se trata já de “direito à indignação”, mas do “dever à indignação”.