Formação contínua: os professores pagam para trabalhar (2)

A frequência de acções de formação contínua para professores dá acesso a créditos que são utilizados para a progressão da carreira, mesmo sabendo-se que essa mesma progressão tem, há vários anos, a mesma visibilidade que o monstro de Loch Ness ou que o Abominável Homem das Neves.

neste texto, deixei escapar alguns truísmos sobre o facto de a formação contínua ser um dever e um direito dos professores, fazendo parte integrante das suas funções, pelo que criar uma situação em que os professores são obrigados a pagar as acções de formação é obrigar um trabalhador a pagar para trabalhar, o que, na verdade, não é mais do que uma prática imposta por uma Europa cada mais achinesada no que respeita aos direitos dos trabalhadores.

A formação contínua formal está de rastos, devido às alegadas dificuldades financeiras, não havendo, portanto, dinheiro para pagar aos formadores. O Ministério da Educação, tentando resolver esse problema, publicou, recentemente, um despacho, permitindo que, durante o presente ano lectivo, os formadores possam receber, tal como os formandos, os créditos para efeitos de progressão.

Mesmo descontando o facto de que não se sabe se ou quando voltará a haver progressão na carreira, esta oferta é, afinal, um presente envenenado que merece, pura e simplesmente, ser ignorado, uma vez que configura mais uma falta de respeito pelo trabalho dos professores. Um formador tem o trabalho de preparar as acções e a responsabilidade de as orientar, o que implica pagamento, como acontece com qualquer trabalhador. Ora, se um formador troca o pagamento do seu trabalho por créditos de formação, está, na realidade, a pagar do seu bolso a formação contínua, logo, a pagar para trabalhar.

Qualquer formador que aceite trabalhar nestas condições está a contribuir para a criação de um facto consumado que não deixará de ser aproveitado por um governo para quem a Educação não passa de uma rubrica orçamental a abater.

Comments

  1. marai celeste ramos says:

    Mas o carnaval de há seéculos ??) não é um facto consumado – como tudo – como se faz – fazemos – os que fazem viver os outros, (a a mim também) para que tudo se regule e se viva sem contínuo sobressalto ?? o que é uma sociedade, a portuguesa, que na europa pelo menos, tenha tanta depressão, seja a maior consumidora de ansiolíticos, e assista impotente a destruição global individual e de grupos profissiom«nais e sociais, sem se poder mexer nem ver como fazer ?? onde estão os PIG ?? nos decisores ?? e o que ontem se atreveram tantos da AR (entrevista TV) e a UE, a dizer bojardadas e acusar ?? Acusar – acusar – já nem moralistas são – otelo tem razão ??

  2. João Paulo says:

    Subscrevo integralmente! Uma parvoíce tremenda! Mais uma que os professores comem! Inacreditável!
    JP

  3. kalidas says:

    Há um livro pequenino que é uma pequena maravilha ao abordar o problema da Universidade relativamente à formação crítica e profissional, autonomia e relações com o Estado, penso que é insdispensável a sua consulta, para se perceber muito do que se passa.
    .
    É ; “Universidade e Cultura” da dra Luisa Leal de Faria

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