O buraco

Como sair do ciclo recessivo? Tivémos o engenheiro a despejar dinheiro na Parque Escolar,  nas estradas, nos moinhos eléctricos,  nas barragens, nas… A lista é considerável. Se o tivessem deixado ainda faria o mesmo num aeroporto e no TGV. Ficámos melhor? Obviamente que não, basta ver que perdemos a independência legislativa! Nem a porcaria de um orçamento de estado agora podemos aprovar sem a bênção de um trio não eleito.

Fala-se muito que se estão a fazer políticas recessivas mas eu gostava é que me dissessem que alternativa há e com que dinheiro se implementaria. Está última parte é particularmente importante.

A partir do momento em que a Europa acabou com as barreiras alfandegárias face às “chinas”, nomeadamente pela possibilidade de se importarem produtos feitos sem as condicionantes salariais, ecológicas e de segurança que os europeus exigem – e bem – às suas empresas, a Europa assinou o seu declínio. Este, associado à negação da sua existência e ainda com uma enorme dose de irresponsabilidade, levou empresas, pessoas, bancos, Estado a gastarem muito para além do que tinham. Mas a factura era real. É real.

Estamos no buraco e dele não sairemos sem uma radical alteração da ordem mundial. E político que prometa algo diferente não passa de vendedor de banha da cobra.

Comments


  1. Sim então os sapatos italianos são todos feitos pelos chineses da eurropa


  2. condicionantes salariais, deve ser por isso que a etiópia é mais perigosa que a china ecológicas(o qué quisto quer dizer? a indústria europeia migrou toda porque é incompatível uma indústria e zero de poluição e de segurança temos tanta que até arrepia…. que os europeus exigem…morre gente à mesma mas numa máquina de engarrafar é mais difícil morrer do que num alto forno…


  3. morreu um gajo na panasqueira e ai meu deus que a mina é insegura…

    uma mina é um buraco entre rochas cheias de falhas…zero acidentes nem numa mina a céu aberto…aqui chamamos-lhes pedreiras

  4. Dora says:

    “Fala-se muito que se estão a fazer políticas recessivas mas eu gostava é que me dissessem que alternativa há e com que dinheiro se implementaria. Está última parte é particularmente importante.”

    “Fala-se”, não é bem o termo certo. Estão a fazer-se, penso que é o correcto.

    Para “alternativa”, há que ler e procurar o que se vai discutindo em Portugal e lá por fora.

    Com que dinheiro?

    Esse nem é o maior problema, como vamos vendo.


  5. talvez o mais importante será perceber que portugal caiu numa armadilha – o euro, o fim da emissão de moeda, a indexação aos gangs de rating, a abertura a mercados distorcidos- e que para lutar pela existência tem de se livrar o mais rapidamente possível desta “ajuda”.


  6. “Trabalhem, trabalhem noite e dia! Ao trabalharem, fazem crescer a vossa miséria e a vossa miséria dispensa-nos de vos impor o trabalho pela força da lei. A imposição legal do trabalho exige demasiado esforço, demasiada violência e faz demasiado estardalhaço; a fome, pelo contrário, não só é uma pressão calma, silenciosa, incessante, como também o móbil mais natural do trabalho e da indústria, ela provoca também os mais poderosos esforços.”

    Trabalhem, trabalhem, proletários, para aumentar a fortuna social e as vossas misérias individuais, trabalhem, trabalhem, para que, tornando-vos mais pobres, tenham mais razão para
    trabalhar e para serem miseráveis. Eis a lei inexorável da produção capitalista.

    Porque, ao prestarem atenção às insidiosas palavras dos economistas, os proletários se entregaram de corpo e alma ao vício do trabalho, precipitam toda a sociedade numa destas crises de superprodução que convulsionam o organismo social. Então, porque há superabundância de mercadorias e penúria de compradores, as oficinas encerram e a fome fustiga as populações operárias com o seu chicote com mil loros. Os proletários, embrutecidos pelo dogma do trabalho, não compreendem que é o supertrabalho que infligiram a si próprios durante o tempo da pretensa prosperidade a causa da sua miséria presente, em vez de correrem ao celeiro de trigo e de gritarem: “Temos fome e queremos comer!..(…)

    Se as crises industriais se seguem aos períodos de supertrabalho tão fatalmente como a noite se segue ao dia, arrastando atrás de si o desemprego forçado, e a miséria sem saída, também levam à bancarrota inexorável.(…)

    Até aqui, a minha tarefa tem sido fácil, tinha apenas de descrever males reais que todos nós conhecemos muito bem infelizmente. Mas convencer o proletariado de que a palavra que lhe
    inocularam é perversa, que o trabalho desenfreado a que se dedica desde o início do século é o mais terrível flagelo que já alguma vez atacou a humanidade, que o trabalho só se tornará um condimento de prazer da preguiça, um exercício benéfico para o organismo humano, uma paixão útil ao organismo social, quando for prudentemente regulamentado e limitado a um máximo de três horas por dia, é uma tarefa árdua superior às minhas forças.(…)

    Paul Lafargue: O direito à preguiça. 1883

  7. jorge fliscorno says:

    Sim então os sapatos italianos são todos feitos pelos chineses da eurropa

    Parabéns, parabéns, acabou de descobrir que afinal também cá há produção. Olhe que não estava à espera. Mais um pouco e ainda descobrimos que os Magalhães foram cá produzidos 😉

    Mas olhe, escolheu um grande exemplo:

    http://economia.publico.pt/Noticia/zara-investiga-trabalho-infantil-de-fornecedor-portugues-1258787

  8. Lagartices says:

    Até que enfim que alguém escreve sobre a questão de se ter aberto o mercado mundial à China.
    Obrigado!

  9. jorge fliscorno says:

    condicionantes salariais, deve ser por isso que a etiópia é mais perigosa que a china

    Este argumento é sublime. Afinal de contas, até é capaz de ter razão já que tivemos um ministro da economia, aquele que agora anda nos states a dar aulas de ventoínhas com uma bolsa paga paga pela EDP, dizia, até tivemos um ministro que disse em plena China que Portugal era competitivo em termos salariais… quando comparado com China.

    Mas não o quero desiludir:

    http://www.youtube.com/watch?v=RRL4nsHEQe0

    ou ainda, para vermos mesmo uma das razões das nossas empresas nunca terem a menor hipótese de competição com as chinesas:

    http://www.youtube.com/watch?v=yF8jUDzz5bE

    ecológicas(o qué quisto quer dizer?

    Faço-lhe um desenho. Não tem nada a ver com o porco negócio das suiniculturas na Ribeira dos Milagres e cheira bem pior:

    Já comeu maçãs chinesas que se vêem nos nossos supers? Parabéns!

    E o que acha dos nossos ares quando comparados com os dos chineses?
    http://www.youtube.com/watch?v=-1DNjJd2YfA

    a indústria europeia migrou toda porque é incompatível uma indústria e zero de poluição e de segurança temos tanta que até arrepia…. que os europeus exigem…

    Ai que agora é que fiquei sem argumentos. Vamos mas é acabar com estas leis absurdas que nos roubam os empregos. De que vale um planeta limpo… excepto para os nossos filhos?

    morre gente à mesma mas numa máquina de engarrafar é mais difícil morrer do que num alto forno…

    É isso, trabalham ou limpa-se-lhes o sebo.

  10. jorge fliscorno says:

    Para “alternativa”, há que ler e procurar o que se vai discutindo em Portugal e lá por fora.

    Mas lá fora quem é que está a sair da recessão? De repente não estou a ver… Ah sim, há aqueles países das economias emergentes e que praticam condições laborais/etc com as quais não temos hipótese de competição.

    Com que dinheiro?
    Esse nem é o maior problema, como vamos vendo.

    Por acaso até o maior problema. Tem visto em quanto andam os juros? Parece que quem tem dinheiro teima em o emprestar com lucro, os sacanas.

  11. jorge fliscorno says:

    Posts anteriores nesta temática:


  12. E, enquanto o engenheiro vive agora à grande na cidade das luzes à conta do que sacou aos saloios, os camaradas continuam por cá a “investir”:

    http://www.jornalarquitecturas.com/Notícias.aspx?noticia=376

    Enquanto houver alguém a quem sacar…

  13. Luís says:

    “Fala-se muito que se estão a fazer políticas recessivas mas eu gostava é que me dissessem que alternativa há e com que dinheiro se implementaria”!

    Sugiro que o dinheiro que o governo dá à banca fosse canalizado pela CGD para financiar as empresas exportadoras.
    Sugiro que se cumpra com o acordo da Troika e se renegociem a PPs utilizando essas verbas para pagar às empresas que estão a falir porque o governo é caloteiro!
    Sugiro que a monopolisra EDP dê menos lucros de forma a que a energia saia mais barata para as industrias de bens transacionaveis.
    Sugiro o fim dos outsoursings com os escritórios de advogados da Cristas, Judices, Morais Leirão, etc. de forma a que as leis saiam mais justas em beneficio das empresas que não são do regime.
    Sugiro a isenção de impostos durante 5 anos, para novas empresas que trabalhem com parentes, ou com projectos inovadores ou ainda com projectos supervisionados por universidades!
    Sugiro …

  14. jorge fliscorno says:

    Luís, concordo com algumas coisas mas discordo de

    «Sugiro que o dinheiro que o governo dá à banca fosse canalizado pela CGD para financiar as empresas exportadoras.»

    «Sugiro a isenção de impostos durante 5 anos, para novas empresas que trabalhem com parentes, ou com projectos inovadores ou ainda com projectos supervisionados por universidades!»

    Isto é despejar dinheiro nas empresas, o que já foi abundamentemente feito e com os resultados que vemos.

  15. jorge fliscorno says:

    Ah, também não concordo que o governo dê dar dinheiro à banca. O governo que deixe é de sacar dinheiro aos contribuintes.

    editado

  16. Dora says:

    #10,

    jorge fliscorno,

    1- estava a referir-me a debates sobre a situação que vivemos: austeridade e o desenvolvimento económico e medidas para se combater a crise. Nomeadamente na imprensa internacional, da parte de economistas, de investigadores e conhecedores destas coisas que podem não alinhar com a visão que está a ser seguida no nosso país ( O Financial Times, por exemplo)- o rebentar completo de tudo quanto mexa na economia, no consumo interno e na criação de riqueza. A falta de mobilização social, de esperança.

    2- o dinheiro, como já aqui alguém referiu, existe, apesar da rapina e da sua deslocalização.
    penso que é outra a questão: como utilizar o dinheiro.

    Aqui entramos num nível diferente de discussão que não vale a pena escamotear, por muito assépticos que queiramos ser: o da ideologia e o de uma visão política e social.

    E vamos sempre voltar ao mesmo enquanto não se tomar posição e enquanto não se assumir de que lado queremos estar e que sociedade queremos.

    É a política, isto.

  17. Dora says:

    Gostaria de acrescentar a seguinte ideia, deixando bem claro que não tenho conhecimentos sobre economia e finanças. Leio, oiço, vejo e tento manter-me actualizada.

    O que acrescento é esta ideia: sabemos que há fundos europeus que podem dinamizar a economia e que não estão a ser utilizados.

    Poderemos pensar: bom, mas se não há dinheiro e o estado tem de comparticipar com uma percentagem, não dá.

    Mas poderá não ser bem assim, se tivermos em conta que o retorno desses investimentos compensa o investimento. É uma questão de visão a mais longo prazo. De política ao serviço do país e dos cidadãos.

  18. jorge fliscorno says:

    Mas Dora, eu sei bem do lado que estou. De há uns 20 anos a esta parte, desde que pago impostos sobre o trabalho, que estou do mesmo lado, o daqueles que pagam a festa. Digamos que estou bocadito farto até porque quando chegar a minha vez de farrar, nem as canas terei para apanhar.

  19. mortalha says:

    jorge, esse seu ultimo comentário é a essência desta crise. a crise existe porque quem trabalha tem se acomodado a ser paulatinamente chulado. Há quem ache que os chulos são os do rendimento mínimo, outros acham que é a banca e outros ainda acham que são os corruptos. no fundo têm todos a sua razão mas ninguém se entende e faz-se o que se pode individualmente para sobreviver… nem q seja tirar a côdea ao vizinho ou ao colega do trabalho.

  20. Dora says:

    “Digamos que estou bocadito farto até porque quando chegar a minha vez de farrar, nem as canas terei para apanhar”

    Não entendo o que quer dizer com o “quando chegar à minha altura de farrar”.

    Refere-se à reforma?

    Se assim for, pense um pouco de modo mais abrangente : em casa o marido está com 4 salários em atraso. A caminho de um desemprego provável. A trabalhar desde os 18 anos, com a flexibilização laboral e a manis dos direitos adquiridos, nem as canas tem para apanhar. Agora, sem ter de esperar pela vez de “farrar” a que julgo que se refere.

    Como temos 2 filhos a caminho do desemprego, da precariedade ou da emigração, já passei a fase de olhar apenas para o meu umbigo. Não leio a nossa situação como uma questão de farra ou de não farra. de os outros terem e eu poder não ter.

    É outra coisa que pretendo: que todos tenham o que é direito: trabalho e salário. E uma vida digna. E isto, repito, não é nenhuma farra. Está a deixar-se contaminar pelo discurso mainstream.
    E todo o seu texto do post é o que resulta desta contaminação. “Não há dinheiro, não há alternativas, se os outros farram, eu também quero farrar”.

    Os trabalhadores da empresa onde o meu marido trabalha, não tendo almofadas de apoio para tantos meses de salário em atraso, já estão a sobreviver devido à caridade dos que ainda têm algumas almofadas.

    Quer ir falar-lhes em farra?

    Experimente. E talvez eles, e tantos outros por esse país fora, o informem melhor sobre tudo isto.

  21. jorge fliscorno says:

    Mortalha,

    «a crise existe porque quem trabalha tem se acomodado a ser paulatinamente chulado»

    Ou seja, se bem percebi, se eu estivesse na rua a bramar fosse por que motivo fosse, não haveria crise. Bom, a minha tese é outra, a do post.

  22. Dora says:

    Uma informação interessante e a seguir com atenção:

    “In the past, China’s migrant workers were just thankful not to go hungry; today they are savvy and secure enough to start being choosy. Higher salaries, basic benefits, better working conditions and less physically taxing jobs are only the beginning of their demands, and for many factories, these are already too costly to be tenable.”

    http://www.nytimes.com/2012/02/18/opinion/chinese-labor-cheap-no-more.html?_r=1

  23. jorge fliscorno says:

    Dora, lamento que esteja a passar um momento difícil.

    O farrar a que me refiro é a reforma, sim, mas também ter um médico de família, ter um subsídio de desemprego e todas as coisas que possa vir a precisar e para as quais tenho pago. É que até agora tenho pago a dobrar, com os impostos e indo a privado porque no público não há capacidade de resposta. A geração que agora se reformou teve tudo; a minha tudo pagou e pouco vai ter; e a dos actuais jovens nada vão ter. É a estas canas que nem haverá para apanhar a que me referia.

    Também eu gostava que houvesse emprego para todos. Haverá alguém que o não queira?

    Estarei a ir pelo pensamento mainstream, como diz? Repare que a minha tese no post é sobre a razão de aqui termos chegado, nomeadamente devido a este encadeamento de acções:

    – abertura das fronteiras a produtos produzidos em condições de concorrência desleal;
    – estando essas fronteiras abertas nada impediu que a capacidade produtiva se tivesse deslocado em massa para essas “chinas”, pois nada impedia que os produtos entrassem sem entraves na Europa;
    – terminando cá grande parte da capacidade produtiva, sobra o desemprego;
    – com desemprego há menos dinheiro na economia, há menos impostos e há um Estado em falência.

    Por isso referi que só uma nova ordem mundial mudará a nossa situação. E isso significa que não podemos continuar a ser bombardeados com produtos em condições desumanas e em total desrespeito com o ambiente.

    Quanto ao sairmos do buraco já, tenho ouvido algumas ideias por aí. Uma passava por vendermos as reservas de ouro. Assumindo que haveria comprador para uma tal quantia de ouro e ignorando os efeitos de desvalorização desse ouro que uma tal injecção no mercado provocaria, arranjaríamos dinheiro para quanto tempo? Dois anos? E depois? Injectar dinheiro na economia foi o que têm os governos feito e não saímos do buraco.

    Outras soluções? Pegar no dinheiro que se está a enterrar no BPN, esse problema que era privado e que o engenheiro tornou um problema de todos nós, dizia, pegar no dinheiro que se está a enterrar no BPN e gastá-lo em qualquer outra coisa só poderia ser positivo. O ideal é que nem tivesse chegado a sair dos nossos bolsos! Mas novamente, cairíamos no anterior cenário do ouro.

    A saída de todos tem que passar por um paradigma diferente. Não temos hipótese de competir com os piratas económicos das “chinas” a não ser que passemos a ter as condições laborais deles. E isso, seguramente que não queremos! Mas para lá caminhamos. A alternativa é não aceitarmos a entrada de produtos feitos nessas condições para que a competitividade seja reequilibrada.

    Bem, estiquei-me no comentário 🙂

  24. jorge fliscorno says:

    Começa a haver classe média na China, Dora. É o que isso significa. Mas em simultâneo há muita exploração. E além de há ainda a considerar o problema ambiental.

  25. Dora says:

    #23,

    Obrigada pela resposta. Apesar do muito que separa as nossas leituras pessoais da realidade, no fundo estamos do mesmo lado. Pena é que a minoria mínima da outra barricada seja muito mais eficiente. O jorge continua a referir os governos de Sócrates. O meu “rancor” já foi inscrito, como diz o filósofo. Perante este quadro actual, é como ter passado de Mau a Piau. E isso é que não devia ser possível e estar a acontecer.

    #24,

    Por cá acaba-se paulatinamente com a classe média. A que se junta a exploração. (Alguns consideram esta palavra despropositada. Que não, a exploração não se aplica a países europeus, do euro, ainda que periféricos…)

    Junte-se este problema da classe média com o da exploração (ok, se quiser chame-se o que “custe o que custar”)e finalize-se com uma pitada de um também ambiente não muito recomendável.

    Veremos que, apesar de os nossos olhos serem mais arredondados, no fundo somos um pouquinho chineses. Já agora, gregos….quiçá de outros locais….

    Boa noite.

  26. jorge fliscorno says:

    Refere que continuo a referir os governos de Sócrates, Dora. Tem razão. Foi o último governo que tivemos e que nos enterraram de forma irrecuperável. Este que agora temos não passa duma comissão liquidatária.

  27. Dora says:

    Este governo que agora temos foi o que a maioria dos eleitores votantes quis. Penso que ao fazerem esta escolha não tiveram em mente estarem a votar para uma comissão liquidatária.

    Sei que é politicamente incorrecto e nunca me imaginei a pensar e, muito menos, escrever isto, mas, será que “nos enterraram de forma irrecuperável” mesmo?

    É que, ultimamente, leio que o desvio colossal, afinal, não era assim tão colossal.

    Nestas coisas, a dúvida metódica é minha companheira.

  28. Dora says:

    “Afinal não houve um desvio colossal na despesa em 2011. Quem o diz é a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO), num relatório sobre a execução orçamental do ano passado, no qual conclui que o desvio existente se deveu a menos receita e não a despesa em excesso.”

    http://www.dinheirovivo.pt/Economia/Artigo/CIECO032308.html?page=0

  29. Dora says:

    “Através da produção de uma ideologia justificativa, que proclama com frequência não existirem alternativas à atual praxis económica, por exemplo, este mecanismo insinuaria nas pessoas as normas do comportamento correto de um modo tão impercetível quanto o ar que respiram. O sentimento de impotência que este discurso está preparado para inocular nas pessoas é frequentemente acompanhado, ademais, por um outro tipo de mensagem que o sistema necessita de transmitir para ultimar a produção da referida ideologia justificativa, o medo. Com efeito, de modo a obrigar as pessoas a não sair da linha, o discurso económico dominante necessita de produzir uma série de ameaças, ou melhor dizendo de evocar um conjunto de potenciais perdas em que os indivíduos incorrerão caso não respeitem as normas do dito comportamento correto. Uma das ameaças mais correntes na economia global contemporânea é provavelmente a da deslocalização de empresas e consequente transferência de postos de trabalho.(…)”

    http://ladroesdebicicletas.blogspot.com/

  30. Dora says:

    E por aqui me fico, para não abusar da paciência.

    Um espaço alternativo ao mainstream e a uma certa fatalidade:

    “Infelizmente, a passividade nacional e europeia deu lugar a uma aposta na austeridade necessariamente recessiva e destruidora de emprego e a comunicação social, em especial a televisão, tratou de assegurar o quase monopólio dos economistas que a apoiaram e ainda a apoiam e que, até às eleições, por incompetência ou interesse político, insistiam em ignorar a dimensão europeia da crise. Por isso mesmo, em Outubro de 2010, uma petição, subscrita por mais de mil cidadãos em menos de uma semana, apelava ao pluralismo no debate político-económico: “Por ignorância, preguiça, hábito, desconsideração deliberada ou manifesto servilismo, os canais televisivos têm sistematicamente tratado a análise da crise económica como se o intenso debate quanto aos fundamentos doutrinários e às opções políticas que estão em jogo pura e simplesmente não existisse.”

    http://ladroesdebicicletas.blogspot.com/

  31. jorge fliscorno says:

    Ó Dora, quando digo que os governos socráticos nos afundaram de forma irremediável não me refiro a 2011 mas ao total dos mandatos. Magalhães, quadros mágicos, paneis solares, energia eólica subsidiada, mais autoestradas, nacionalização do BPN e uma injecção massiva de dinheiro na economia a partir de 2008. É disto que falo.

    Uma das ameaças mais correntes na economia global contemporânea é provavelmente a da deslocalização de empresas e consequente transferência de postos de trabalho.»

    Ameaça ou realidade? Há por aí muita gente desligada do mundo. Alguém não anda a ler as notícias. De qualquer das maneiras proponho um teste empírico que faço recorrentemente: olhar para as etiquetas dos produtos à venda e contar quantos não são Made in PRC. Pior é que por norma nem existem alternativas.

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