Quando o bobo da corte passou a rei

Num certo país muito, muito distante, havia um rei grandemente convencido de si mesmo ao ponto de nunca se enganar e de raramente ter dúvidas. Esta atitude explicará porque é que ele nunca emendou a mão perante erros cometidos – e cometeu-os, pois errar é humano e ele era muito humano.

Certa vez, resolveu falar dos seus rendimentos, sobre o quão pobre estava, a ponto da sua bolsa de maneio estar a ficar perigosamente vazia e sem tostões para a diária. Um dos seus intérpretes, um tal Professor, na sua missa dominical fez o que os padres fazem e explicou os mistérios da bíblia real ao povo. Mas o povo não era bobo, que esse tinha ido para rei, e à primeira oportunidade brindou-o com uma salva de assobios.

Vaidoso, esse rei amuou e passou a mandar regressar a comitiva sempre que à sua espera houvessem sinais de ajuntamento popular. Certa vez, até de bando de miúdos a jogarem ao berlinde fugiu,  julgando que a ele se referiam quando, depois de uma jogada bem sucedida, um exclamou – Apanhei-te!

Contrastando com o anterior verborreico período, no qual não havia dia em que não houvesse edital, passou a ser acompanhado de guardas para impedirem que os escribas do reino colocassem alguma questão inconveniente. Consta que fez votos de pobreza franciscana quanto a palavras e pensamentos e não mais se soube dele. Esse verbo que fora fértil acabou seco que nem um cavaco.

Comments

  1. Jorge Ralha says:

    …. é assim Sua Alteza Real o Duque da Patã de Baixo……!!! (?)…


  2. Pois olha alfaces este ano só se as tiveres no quintal
    quero eu lá saber da merda dos putos da cassete
    O governo faz c’ista é a morte do art’isca…já a cantavam no tempo de sócras

    se houvesse cavaca de mioleira neste país já tinham começado a racionar a aguadilha…
    quisto de meter 25000 litros para lavar as ruelas de Lisboa….ou 5000 m3 pós jardins
    ao menos prantem-lhes couves

  3. Tito Lívio Santos Mota says:

    De facto, nunca mais chove 🙂

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