O Carnaval dos contratos colectivos

Disse o ministro da destruição da economia que a culpa de o país não ter cumprido o encerramento da terça-feira de Carnaval é dos contratos colectivos.

Agora percebo a verdadeira intenção da coisa (além de mostrar serviço a uma troika em visita): colocar a contratação colectiva do trabalho na berlinda.

É um velho sonho da concertação social, que por natureza se concerta sempre para o mesmo lado. Num mundo perfeito cada trabalhador é chamado ao patrão, ou aos “recursos humanos”, e metem-lhe umas folhas de papel à frente. Assine aí se faz favor, se não assinar a porta da rua é a serventia da casa, e já agora à saída mande entrar as centenas de candidatos ao seu emprego que estão lá fora à espera.

Mais de um milhão à espera já, têm só falta o resto, ou pelo menos retirar os sindicatos do assunto, que sobre uma comissão de trabalhadores espevitada é muito mais fácil exercer represálias.

Por estas e por outras, onde se lê austeridade, produtividade e flexibilidade deve ler-se trabalho sem direitos e aumento da prepotência e dos lucros, é tudo a mesma coisa.

Comments

  1. Pisca says:

    Há tempos um “empreendedeiro”, dizia por aí, que bom seria o trabalhador/empregado/”colaborador”, assinaria um contrato de trabalho onde se comprometeria a NÃO FAZER GREVES, mundo perfeito

    Não retive a peça em questão, mas vontade não lhes falta de aplicar esse “detalhe”

    Já agora podiam também incluir que não se importavam nada de serem atirados para debaixo do comboio mais próximo, ou ponte mais à mão

    Os tais direitos adquiridos que teima em reclamar a cambada que trabalha sem olhar quanto sofrem os “investidores”

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