Carta de amor

Faz hoje exactamente 3 anos, meu amor. Sim, meu amor. Reunimo-nos lá em casa para festejar o teu aniversário e eu, virado para o Zé Freitas, saí-me com uma brincadeira: «Estamos aqui reunidos para festejar o lançamento do Aventar».
O Aventar ia começar exactamente à meia-noite, dia 30 de Março. Não gostaste. Achaste que estava a dar mais importância ao blogue do que a ti. E não foi. Só estava a brincar, não devias levar a mal.
15 dias antes, no Poeta, em Cinfães, tinha decidido lançar um blogue colectivo pluralista. Estava longe de ti, como estive sempre durante esse ano. Tinha de ter um entretenimento e escolhi a blogosfera. Falei com o Luis Moreira e decidimos avançar.
Sei que não vais ler isto, por isso estou à vontade. Recusas-te a ler o Aventar, detestas o Aventar. Sentes que ao longo de 3 anos te substituí constantemente por ele. Quando passava horas e horas a escrever posts e a agendar o dia seguinte. Quando passava horas no chat com o JJC a definir estratégias e a exultar pelos números das audiências. Quando ia (vou) para os intermináveis convívios de Coimbra.
O que aconteceu ontem foi grave, amor da minha vida, tão grave que desejei pela primeira vez nunca ter fundado o Aventar. Desejei pela primeira vez que o Aventar nunca tivesse existido. Porque sem o Aventar, nada daquilo teria acontecido. Não teria conhecido pessoas que conheci e cá andaria, com a cabeça entre as orelhas, levando a minha vidinha rotineira de sempre. A nossa vidinha de sempre.
Sabes o quanto me arrependo, minha querida. As desculpas que te pedi não são suficientes. Mas como parece que me vais dar uma segunda oportunidade, prometo que a partir de agora vai ser diferente. É verdade o que te disse: a par das meninas, és a pessoa mais importante da minha vida. E quando vi que ia acabar e fiz um flashback, percebi que já fomos muito felizes. E percebi que não queria que acabasse. Pelas meninas, mas sobretudo por nós. Por mim. E por ti.
Parabéns, meu amor.