T.P.C. – sim ou não?

Já tinham saudades destas 3 letrinhas. Confessem… Todos para Casa, trabalhos para crianças, tortura para crianças…

A reflexão está de volta: trabalhos para casa: sim ou não?

De um lado, quem acha que o que faz falta é tempo para brincar, para ser criança.

Do outro, quem pensa ser importante o trabalho, a disciplina.

Diria que todos podem ter razão.

No arranque da escolaridade a presença dos trabalhos de casa é importante, mas sempre em quantidades muito pequenas: o treino da caligrafia e da leitura devem ser trabalhos diários, a realizar na escola, mas também em casa, em família. Do ponto de vista da criança são um reconhecimento directo das vantagens de andar na escola, através, por exemplo, da leitura de uma história aos pais.

Nos anos que se seguem há maior capacidade de realizar tarefas escolares e a quantidade pode ir aumentando de forma gradual, nomeadamente ao nível dos exercícios que exigem treino e repetição: tabuadas, algumas áreas da gramática e o treino de memorização que as ciências e a história ou a geografia exigem. Isto pode e deve ser feito em casa – julgo que haverá interesse em envolver os pais neste tipo de tarefas.

Julgo que os momentos mais delicados surgem quando se multiplicam o número de disciplinas, no 2º ciclo (antigo ciclo preparatório), mas fundamentalmente no 3º ciclo. Multiplicam-se as tarefas e os trabalhos, mas há uma marca que distingue os bons dos maus alunos: a capacidade de trabalho e de organização do tempo. Os alunos com bons resultados conseguem acompanhar as aulas, praticar desporto ou música fora da escola e ainda fazem sempre os trabalhos de casa.

Causa ou consequência, os trabalhos de casa, fazem parte da realidade. Será importante, claro, que os professores, nestes dois ciclos façam a transição entre o aluno e o estudante, ou seja, entre o aluno que faz apenas o que lhe mandam e o estudante que tem a capacidade de ser autónomo nas tarefas que desenvolve por iniciativa própria.

No ensino secundário os trabalhos de casa farão menos sentido.

É óbvio que uma parte dos alunos nunca faz os trabalhos de casa, há outros que os fazem sempre através das soluções, alguns outros sem pais para ajudar, mas não me parece que faça sentido nivelar por baixo e impedir os bons alunos de serem ainda melhores só porque há meninos e meninas com famílias ausentes. A estes últimos a Escola Pública tem que dar resposta com acompanhamentos individuais,  em pequenos grupos, permitindo que passem mais e melhor tempo na escola. Aos outros, deve dar asas para poderem voar.

Trabalhos de casa? Sim.

Comments

  1. Mário Mota says:

    Os TPC são sempre úteis. Indiscutivel. A verdade é que os tempos em que os alunos tinham pais, avós, irmãos mais velhos – a família – em casa durante muito mais horas já lá vai. Atualmente os pais andam sem tempo para os filhos por estarem demasiadas horas a trabalhar, por levarem imenso tempo a chegar a casa, etc. Desse modo, em caso de dúvidas, quem dá as necessárias explicações aos filhos? É também verdade que os horários escolares atualmente são muito mais prolongados que há tempos atrás (anos 60 e 70). O próprio ensino é instável, principalmente nas regras (de governo para governo) e tem matéria perfeitamente espúria que os alunos têm de empinar. Querem fazer de crianças só sobredotados e sobre capacitados, à viva força) com matéria desinteressante, com regulamentos ao sabor das mudanças dos governantes. Ao fim de seis horas de escola qualquer aluno está saturado – idem para muitos professores (que têm tido um “estômago” perante os caprichos muitas vezes estúpidos de certos ministros(as). Ao fim de seis horas de aulas as crianças, os pré-adolescentes, querem que a escola vá “bugiar” e passam à “curte” com os colegas e a “avacalhar” o ambiente. Daí, em muito, o desinteresse que se regista. Precisamos de uma Nova Escola, com professores que não sejam sistemáticamente sitiados pelos políticos, pelos governos. Por tudo isso: NÃO AOS TPC. Primeiro criem condições adequadas. Com que moral exigem, exigem, aos alunos e professores com esta “porca” de vida? E depois somos “piegas”… No dizer de um certo salafrário que só teve facilidades na vida e diploma de uma universidade do partido a que pertence. refiro-me a Passos Coelho e quejandos.

  2. João Paulo says:

    #1 Obrigado pelo teu comentário: acrescentas, sem dúvida, duas variáveis muito importantes
    a) organização social, nomeadamente do trabalho e das famílias não permite o acompanhamento “familiar” necessário;
    b) Escola é um excesso – nomeadamente com as AEC’s no 1~ºciclo, a vida dos mais pequenos tornou-se um inferno. Os meninos, dos 6 aos 10 estão fechados dentro da mesma sala das 9h às 17h30, são pelo menos 7h no mesmo espaço. É um erro que vai ter custos.

    Com estes dois pontos, sinto-me tentado a dizer não aos TPC, mas no entanto penso: mas e as vantagens? O que retiram alguns (poucos??) dos trabalhos de casa? Valerá a pena continuar? Ou não?
    Tenho dúvidas…

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