Mega – agrupamentos: Diretores de escola têm o que merecem.

A Educação não foi ontem tema do Prós e Contra. Lá, no cantinho da Fátima, falou-se de muita coisa, mas não de Educação. De Educação, pouco ou nada ouvi. Fico sempre com a ideia que o cérebro é uma coisa tão interessante, que toda a gente deveria ter um, nomeadamente quando vai à televisão.

A temática dos mega-agrupamentos tem estado muito presente no Aventar nos últimos tempos: a manifestação em gaia que furou o silêncio em torno dos MEGA, as reflexões de Nuno Crato, comentador, sobre o tema,  ou até uma análise entre os MEGA e o trabalho de sala de aula.

Mas não temos visto explanada uma argumentação que tem sido consensual nas escolas: este processo é uma espécie de infanticídio, onde o criador mata o monstro.

Ainda no tempo de David Justino tentaram abrir a gestão das escolas a uma visão mais empresarial, mas só na governação de José Sócrates os Diretores entraram em pleno numa organização que precisa, muito, de gestão pedagógica, mas que não tem nada para gerir, no sentido financeiro do termo.

Nas escolas não há dinheiro. Gerir, nas escolas é algo que se restringe, fundamentalmente, ao pedagógico, que é, em boa verdade, o “produto” que a escola tem para “vender” à sociedade.

Os Conselhos Executivos ou Diretivos fizeram o seu caminho e com mais ou menos novidades, foram parar a Diretores – não se conhece qualquer oposição formal ao processo e genericamente, todos os Diretores estiveram de acordo com o Processo e fizeram parte dele.

No pico da luta da classe contra a Maria de Lurdes, em muitos casos (muitos mesmo!) os Diretores estiveram sempre do lado da administração e até pensaram que eram importantes quando lhes criaram o Conselho de Escolas. Dizia a Ministra que era para “ouvir as escolas”. Reconheceu mais tarde que o fez porque da parte da FENPROF não via condições para negociar e por isso “criou um parceiro”. Foi um processo lento, mas gradual – os Diretores criaram um grupo e pensaram como um grupo.

Ignoraram os professores. Ignoraram as escolas e os alunos. Tomaram decisões com uma preocupação – manter o poder.

Agora chegou a vez deles. O Criador decidiu que não precisa do seu Monstro e decidiu que ele tem de desaparecer.

O Monstro pensava que era importante e até pensava que tinha os Professores do seu lado.

Talvez até possa ter, mas pela Escola Pública e não pelo seu lugar. Talvez até seja possível parecer que os Professores estão contra os MEGA, porque realmente estão. Mas não é por caridade. É por convicção.

R.I.P. Monstro!

Comments


  1. o país é uma mega desgraça atirado borda fora como o peixe miúdo apanhado na rede errada

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