As equivalências de Miguel Relvas

Miguel Relvas no seu bacharelato (em pós-bolonhês – pB -, designa-se por licenciatura) em Ciência Política e Relações Internacionais, que concluiu em 2007, terá obtido equivalências a cadeiras feitas nos cursos de História e Direito que frequentou nos anos 80.

Pese a diferença entre a Universidade de Coimbra e uma tal de Lusíada digo, Lusófona*, também andei por Direito e História na mesma década, e os currículos oficiais não eram muito diferentes, mais turbo-professor, menos coiso e tal.

Fico à espera que uma investigação jornalística desvende quais as cadeiras da década de 80 que obtiveram equivalência 20 anos depois, porque dou de barato não ter esta notícia do Público (só teria feito Ciência Política e Direito Constitucional, citadas como uma disciplina quando até numa privadas seriam duas) qualquer fundamento.

Por mera curiosidade, é sempre bom sabermos que um douto conselho científico considerou relevante para um curso de Ciência Política e Relações Internacionais disciplinas como  Direito Romano, Pré-História, Civilizações Pré-Clássicas, Civilizações Clássicas, Teoria das Fontes e do Saber Histórico, Matemática para as Ciências Sociais e Humanas, História do Direito Português, ou Introdução ao Direito.

Claro que a semestral Ciência Política do curso de Direito, Direito Constitucional e uma espécie de igualmente anual Direito Económico, cuja designação exacta me passou, fazem todo o sentido. São duas, mas do 1º ano de ambos os cursos não me recordo de mais nenhuma. A memória é uma coisa muito complicada.

Comments

  1. maria celeste ramos says:

    curriculum – curricula ou é preferível currículos ??


    • O latim ficava ali bem, mas é uma língua morta. Enterre-se.

      • Carlos says:

        É língua morta falada. A escrita continua a utilizar o latim puro em algumas palavras. Quer uma? Etc. (et caetera). Estudou latim? Bem me parecia…


        • Ó jovem defensor das universidades dos turbo-professores: no meu tempo o latim fazia parte do estudo do Português no que agora se chama 3º ciclo.
          Claro que se podem utilizar palavras e expressões latinas, como se pode utilizar vocabulário de outras línguas, mas se tenho um equivalente em português de lei é preferível optar por ele. Até porque curricula tem o desagradável de em número soar mal numa frase escrita em português escorreito, língua latina mas vivinha da silva.


          • é verdade… uma ocasião escrevi “por esses fora fora”… horroroso. só dei por ela quando me perguntaram se estava bêbedo.

          • Carlos says:

            1) Não se usa “curricula” por ser agradável ou desagradável ao ouvido ou à vista. Usa-se pelo significado mundialmente consagrado. Na educação formal, curricula (plural de “curriculum”, nada tendo a ver com “curriculum vitae”) é o conjunto de cadeiras, e seus programas, de um curso superior.
            2) No meu tempo, o Latim era uma disciplina, a par do Português / Literatura Portuguesa, dado no 6º e 7º anos do liceu.


          • Sendo que enquanto discutíamos o latim tinha eu ali uma argolada de todo o tamanho na língua portuguesa propriamente dita, fiquemos por isto:
            – os currículos oficiais não eram muito diferentes (oficiais em versão corrigida)
            ou
            – os curricula oficiais não eram muito diferentes

            optei pela primeira versão porque estou a escrever para portugueses sobre um assunto de política portuguesa, e sobretudo prezo a sonoridade da minha língua, que bem dela precisa para se manter viva.
            Não tivemos a mesma professora de Português no 3º e 4º anos do Liceu.

          • João Inês says:

            Viva, caro João Cardoso.Devia fazer um esforço e informar-se. Mesmo as privadas estão sujeitas a um crivo. Vide A3ES, que por acaso é dirigida por um ex-reitor de uma universidade pública. Essa agência é responsável pela acreditação de cursos, coisa que julgo não existiria no “seu tempo”. Entre outras novidades pasme-se pela acreditação de doutoramentos dessa tal universidade Lusíada….Ah, já me esquecia. Para isso acontecer é necessário possuir centros de investigação avaliados por um conjunto de professores (não da tal Lusíada) estrangeiros com uma classificação não inferior a Bom. Essa avaliação é feita de forma concorrencial, ou seja com outros universidades (públicas e privadas). Um abraço.

            João Inês


          • Tudo bem João Inês, mas não me trates por você que até me sinto mal…


        • Carlos: a palavra currículo existe em português…

          • Carlos says:

            Claro que a palavra “currículo” existe em português, como expressão abreviada de “curriculum vitae”.

            Mas não é desse significado que estamos a falar mas do conjunto de cadeiras, e seus programas, de um curso superior. Isso designa-se por “curricula” (plural de “curriculum”, nada tendo a ver com “curriculum vitae”).


  2. Universidade privada = curso obtido a pagantes

    • Carlos says:

      “Universidade privada = curso obtido a pagantes” – esta generalização é lamentável. Se isto vem de alguém que andou na pública, está tudo dito. Se nem sequer lá andou, estamos conversados.


  3. sim, compreendo tudo e, apesar de não estabelecer diferenças entre governantes doutores, mestrados, licenciados e com a quarta-classe – não considero o cv académico um critério tão válido como isso – não posso tolerar a mentira e o engano.
    o que continuo sem compreender é o ainda tão patente preconceito em relação às licenciaturas pós-bolonha (querendo dizer ‘de bolonha’). é estúpido e mal intencionado, desculpe que lhe diga. apenas resulta na desvalorização do esforço de milhares de estudantes que apenas enfrentam o desemprego ou empregos mal pagos.


    • O meu problema com o pós-Bolonha é de terminologia, e resume-se ao que foi aplicado em Portugal (noutros países houve bom senso). Um bacharelato passou a licenciatura, uma licenciatura a um mestrado e um mestrado a um doutoramento. Não seria grave se as designações não fossem legalmente equivalentes, mas são. Isso prejudica, e muito, quem concorre com cursos p-B tendo obtido os seus graus académicos antes.


      • João, não concordo.
        o que vejo é exactamente o oposto. são anúncios que exigem ‘licenciatura pré-bolonha’.
        embora entenda que uma licenciatura, em muitos dos cursos, possa ter demorado mais um ano a obter no sistema pré-bolonha, questiono-me se os programas e os conteúdos curriculares são assim tão diferentes. na minha avaliação de diversos cursos – por favor não me pergunte quais, não guardei elementos -, a estrutura curricular mantém-se e, assim, o conjunto de saberes adquiridos. claro que tudo isto é ‘em princípio’, já que nenhum aluno é impermeável à política da faculdade que frequente e à filosofia do professor.
        quanto ao modelo em si, estou também de acordo com o fim das ‘aulas magistrais’ e com a valorização de trabalhos e estudos. uma vez mais ‘em princípio’, e pelos mesmos motivos.
        o resto, bom… define-se por si. um aluno apresentou ou não uma tese, ou algo que se defina como um trabalho académico estruturado segundo as premissas habituais no caso. se sim, é mestre. se não, é licenciado.
        isto é, o bacharelato não passou a licenciatura, a não ser que esta se defina apenas pelo tempo de aulas, e um mestrado a um doutoramento ainda menos…
        sem prejuízo do anteriormente referido, se quiser distinguir umas das outras de forma mais facilitada, pegue nos preços e nos acessos… 🙂


        • Em termos de função pública essa distinção não existe, é mesmo de lei.
          Do que eu conheço vi um curso comprimido e espremido, e trabalhos finais de mestrado que nem uma velha tese de licenciatura mereciam ser. Quanto ao funcionamento dos cursos admito que tenha havido progressos, mas desconfio que isso varia com as universidades.


          • ora bem, João. é disso que eu falo. existem condicionantes que advêm do tratamento dado pelas faculdades e / ou professores. mas os alunos não têm culpa disso e, acredite, eles têm que andar da perna.
            e quanto à distinção pela função pública, seria totalmente estúpida esta existir (embora desconfie das triagens…)
            mas, João, eu compreendo o sentimento. simplesmente não o posso alimentar, tendo em consideração os milhares de estudantes que actualmente frequentam o ensino superior. é só isso.

  4. Carlos says:

    Estamos pior que no tempo de Salazar. Ele nunca permitiu que alguém fosse ministro se não fosse licenciado. António Ferro, seu amigo íntimo e grande impulsionador do regime, nunca o foi por isso mesmo. Agora reina o compadrio.

  5. Alberto Dias says:

    a moral da história de boa parte dos “cursos” de muitos políticos da praça é “quem paga/leva” … de todo reprovável; a outra questão desta história, é o porquê de surgirem este tipo de “estórias” … será que é porque o Relvas tem dossiers quentes nas mãos?

  6. clara says:

    então, e o Relvas?????

  7. clara says:

    Ele é curricula, curriculum, currículo… universidade Lusíada, Lusófona.. bolonha… e o dito? que só fez uma cadeira???

  8. clara says:

    Estou como o outro, que putedo é este?:)))


  9. Nada me repugna neste País depois que isto bateu tão fundo.

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