Os médicos estão em greve hoje e amanhã. Pode ler-se no Diário de Notícias que “há médicos a interromper as férias para poderem fazer greve”. Um “facto inédito”, nas palavras do Sindicato Independente dos Médicos e um sinal de “quanto a revolta e o desencanto grassam entre a classe médica”. Mas não é único, diz João Proença, dirigente do Sindicato Médico da Zona Sul: “clínicos mais jovens e mais antigos e até directores de serviço da cor política do Governo tencionam juntar-se à paralisação, fazendo prever uma adesão retumbante”.
Também amanhã, os professores saem à rua e reúnem-se no Rossio, em Lisboa, para uma manifestação nacional: “Juntaremos nesse dia, a luta dos professores à dos médicos e, juntos, defenderemos dois pilares fundamentais da nossa Democracia e do Estado Social: a Escola Pública e o Serviço Nacional de Saúde, afirmou Mário Nogueira”.
Sábado passado assistimos à criação da Associação de Combate à Precariedade, e, no anterior a esse, à manifestação pelo direito ao trabalho.
A luta está na rua, ainda que paulatinamente.
Segundo dados apresentados pelo Instituto Nacional de Estatística, referentes ao primeiro trimestre de 2012, existem perto de 820 mil desempregados, o que representa um aumento de 18,9% em relação ao trimestre homólogo de 2011. Não há memória em Portugal de uma taxa de desemprego tão elevada como a actual.
Para aqueles que conseguem trabalho, a precariedade tornou-se a regra e não a excepção. Hoje, nove em cada 10 novos contratos são precários (recibo verde, contratos a termo ou temporários), segundo dados do Banco de Portugal.
E o poema de Saramago, Ouvindo Beethoven, surge-me como um grito:
“Venham leis e homens de balanças,
Mandamentos daquém e dalém mundo,
Venham ordens, decretos e vinganças,
Desça o juiz em nós até ao fundo.
Nos cruzamentos todos da cidade,
Brilhe, vermelha, a luz inquisidora,
Risquem no chão os dentes da vaidade
E mandem que os lavemos a vassoura.
A quantas mãos existam, peçam dedos,
Para sujar nas fichas dos arquivos,
Não respeitem mistérios nem segredos,
Que é natural nos homens serem esquivos.
Ponham livros de ponto em toda a parte,
Relógios a marcar a hora exacta,
Não aceitem nem votem outra arte
Que a prosa de registo, o verso data.
Mas quando nos julgarem bem seguros,
Cercados de bastões e fortalezas,
Hão-de cair em estrondo os altos muros
E chegará o dia das surpresas”.





A escola e a saúde – tudo a abater!
O que de melhor restava do 25 de Abril…..
Gostei de ler este post.
Venham mais 5!
Gostei de ler.
Desmantelar o velho e apodrecido mundo para um novo se erguer – agora sim, com a vontade e acção do “povo” e as “elites” também – feitas povo