Governo opta por não vender o tele-lixo

Governo opta por vender o único canal que não passa telenovelas, pirosas ou não (se bem que as primeiras dominam), que não tem concursos da tanga e que não faz dos espaços noticiosos um autêntico folhetim de fait-divers. O governo opta por vender o único canal que emite séries a horas decentes, que tem desporto sem ser bola e que passa filmes sem serem os repetidos e repetitivos blockbusters.  Mas há-de querer que eu continue a pagar a mesma miserável taxa na factura da electricidade, os prós&prós do regime continuarão  a ter tempo de antena e a concursomania não há-de parar.

Pois eu prescindo desta RTP nova e até da velha. Longe vão os tempos em que se achava que a tele-escola que existiu nos anos 70 seria a antevisão da televisão do futuro. Televisão com grelha fixa que passa o que o operador quer à hora que ele quer é coisa do passado. Hoje há serviços online, aluguer e compra de conteúdos e uma oferta vasta de programação. Uma RTP como a RTP1, versão light dos canais privados, para nada serve, senão para manter os salários milionários, de directores mas não só.

O governo opta por fechar o que é diferente para manter o que é tele-lixo. É uma decisão sem nexo, já que o que faria sentido seria acabar de vez com a limitação ao número de canais – esta até no cabo, imagine-se, existe! Hoje em dia foram ultrapassadas as razões técnicas que dantes obrigavam à limitação do número de canais de televisão (espaço radioeléctrico finito). Um governo que se acha liberal continua a proteger os monopólios televisivos pelo controlo das licenças e acata a tese da não existência de mercado para todos. Mas existir ou não mercado é um problema dos operadores e não do estado. Cabe aos primeiros estudar se devem ou não arriscar. Por isso, toda esta história da privatização da RTP é mais um imbróglio sem nexo, sinal da incapacidade do estado, ou se se preferir, das pessoas que controlam o estado (mas o resultado é o mesmo), para planear para além do ciclo eleitoral.

Notícia: Expresso

Comments

  1. Pedro Marques says:

    Piorosas ou pirosas?

  2. Pedro Marques says:

    De nada.

  3. Não tome ao pé da letra tudo o que lê. Sobretudo o que lê no Expresso. Lembra-se do título “FMI já não vem”? Não foi assim há tantos anos. Cumprimentos. JG

  4. Carlos Mendonça says:

    O que o governo vende é a licença das frequências relativas à RTP 2. Nada impede a RTP de passar a programação do segundo canal para o primeiro. De qualquer modo mesmo que isso não aconteça agora é o que ira se passar no futuro quando os privados descobrirem que não há mercado de publicidade que aguente 4 canais com publicidade. Nessa altura algum iluminado do governo irá exigir uma “programação de serviço público” que não entre em concorrência com os privados, ou então um deles poderá falir e a RTP volta a ocupar essas frequências (foi o que aconteceu em França há uns anos).
    Não é que me importe. Não vejo os generalistas e mesmo a 2 deixei de ver quando acabaram com o Acontece.

  5. “É uma decisão sem nexo”
    Tem o nexo clarividente do Relvas…

  6. edgar says:

    “O governo opta por vender o único canal que emite séries a horas decentes, que tem desporto sem ser bola e que passa filmes sem serem os repetidos e repetitivos blockbusters.”

    Será precisamente por isso que escolheu a RTP2?

  7. MAGRIÇO says:

    Tem toda a razão! Se o espectro do mercado televisivo é pequeno, não se compreende como a SIC e a própria RTP têm tantos canais, mesmo sabendo que alguns não passam de ecos dos outros. O Governo tem razões que a razão desconhece…

  8. A ser verdade é uma vergonha! Eu quero ver tv a sério e não telelixo!

  9. E eu, que vejo menos e menos e quase nenhuma televisão, tenho que continuar a pagar a propaganda?

  10. Tito Lívio Santos Mota says:

    eu sempre disse que tinha queda era para bruxo.
    Claro que é a RTP2 a visada.
    Eu soube-o desde o princípio.
    Incomoda menos a SIC e a TVI e, ainda por cima, colabora na campanha ativa a favor do iletrismo.

  11. Rodrigo Teixeira says:

    Não sejam assim.
    A malta quer é “ídolos” com “segredos secretos” que “pensam saber dançar” enquanto comem “morangos com açucar” na “casa mais vigiada do país”…
    Ainda ninguém se lembrou foi de aumentar mais um bocadinho os intervalos da TVi e SIC para assim encaixar mais umas novelas pelo meio….
    “Portugal está no bom caminho” dizia o outro. Está está…
    ‘Queremos’ é pão e festas….. E que alguém arrume esta confusão por nós. Ou que apague a luz no final…

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.