Professores sem férias

O ano de 2012 e o verão em especial ficarão na memória de todos os professores, dos mais novos, aos mais velhos, passando pelos que já não são nem uma coisa nem outra. Pelas características da organização do ano lectivo, em particular devido ao serviço de exames, as férias são uma realidade que só existe no mês de agosto para boa parte dos docentes.

Até aqui nada de anormal, não fosse o facto do patrão se lembrar de concentrar neste mês o processo de concursos, tornando as férias um pesadelo.

Depois das brutal trapalhada do concurso dos professores com horário zero, são ainda mais de cinco mil os professores dos quadros que a duas semanas do arranque do trabalho ainda não sabem onde vão trabalhar. Serão ainda mais os que conhecem a escola, mas não sabem o que vão fazer porque estão na posse de uma só certeza: não vão ter alunos para ensinar.

Como refere a FENPROF, há dez mil professores dos quadros com futuro incerto. Que país é este que se dá ao luxo de dispensar profissionais qualificados deste modo?

Mas há mais.

Além dos efectivos são aos milhares os candidatos a um contrato, seja como professor “normal”, seja como professor nas AEC (actividades de enriquecimento curricular). Sendo completamente impossível de quantificar o número de candidatos  a contratados, estaremos a falar de dezenas de milhares de portuguesas e de portugueses que não conseguem descansar, que não conseguem ter um bocadinho com as suas famílias porque há um patrão que os trata como descartáveis.

E, ironia das ironias, não há vagas a concurso. As que aparecem são residuais e provavelmente serão ocupadas por docentes efectivos de outras escolas (DACL). Tanto esforço, tantas horas perdidas, tanta angústia…

Comments

  1. omaudafita says:

    Mário! Mário!! Por onde andas?

  2. anabela santos says:

    João Paulo o ano de 2012 não é um ano diferente dos outros anos… é praticamente igual, pois sou do quadro e todos os anos em agosto vivo numa ânsia tremenda, nunca sei onde vou parar e o que me vai sair na rifa. É um desespero!
    Este ano está a dar-se mais valor porque até os colegas a quem eu apelido de dinossauros da nossa profissão, denote-se com carinho, foram obrigados a concorrer se a escola não tivesse as tais seis horas para lhes atribuir.
    Apenas sei de fonte segura que o professor “Belga” quando chega a maio já sabe para onde vai….nós é sempre na última.
    Eu já fiz muitas greves, já faltei para ir muitas vezes a lisboa, já fiz tanta coisa e hoje denoto particularmente nos docentes em situação precária (os que mais precisam…) que nem estão aí para os problemas. Aderem mais rápido os docentes que estão no quadro do que os que não estão. Não sei o que se passa com a nossa juventude…falta de tudo, empenho, princípios, o que interessa é ter um trabalhinho, investir nas aulas observadas e o resto é treta.
    Eu já estou colocada, sou DCE. Nem sei como isto aconteceu, fico sempre colocada a 31 de agosto.
    Um abraço
    Anabela Santos

  3. No que me diz respeito, ainda adoro as férias de Agosto, após ter adorado as de Julho; por vezes, até as de Junho. As de Setembro, ainda gosto mais. Mas daquilo que mais adoro é só saber o horário na véspera da abertura das aulas. Durante muitos anos pensei, ingénua e aparvalhada com tanto trabalho que sobrecarregava as colegas, que era o ministério o malandro que deitava cá para fora instruções secretas que condicionavam a elaboração de horários. Até que, um belo ano, fez-se luz e pareceu-me que os horários saiam na véspera para já mais nada se poder fazer.
    Continuo a gostar das férias, mas o que dava mesmo jeito era saber o horário pelo menos uma semana antes de começarem as aulas. Aliás, podendo eu dar História de 7º, 8º, 9º, 10º, 11º, 12º, noturnos e profissionais (nestes dois últimos casos é uma sorte chegarmos ao final do ano tendo percebido que matérias estivemos a dar – há anos em que, mesmo depois do final das aulas e das férias de Maio, Junho, Julho, Agosto e Setembro, ainda nos perguntamos “afinal a que área do saber pertencem estes conteúdos?”), gostaria mesmo era de saber no final do ano letivo anterior que ia ter esta e aquela continuidade, assim como este e aquele ano e este ou aquele curriculo.
    Boas férias e não stressem.

  4. Só a memória curta pode explicar que se diga que 2012 coiso e tal…
    Enfim.
    Peço apenas que expliques como se encaixam estes dois parágrafos, por causa da coisa dos números…

    Depois das brutal trapalhada do concurso dos professores com horário zero, são ainda mais de cinco mil os professores dos quadros que a duas semanas do arranque do trabalho ainda não sabem onde vão trabalhar. Serão ainda mais os que conhecem a escola, mas não sabem o que vão fazer porque estão na posse de uma só certeza: não vão ter alunos para ensinar.

    Como refere a FENPROF, há dez mil professores dos quadros com futuro incerto. Que país é este que se dá ao luxo de dispensar profissionais qualificados deste modo?

    E que novos números irão aparecer daqui por uns dias?
    12.000?
    7.000?
    17.000?
    xpto?

  5. João Paulo says:

    Obrigado pelos vossos comentários, PG, procurei apenas fazer uma estimativa em que juntei dois números: o de colegas ainda com horário zero (aqueles que declaradamente não foram “pescados” pelos diretores) e aqueles, que tendo sido pescados, vão ter apenas parte do horário letivo, uma vez que em boa parte dos “pescados” 6h letivas foi a referência. Só isto e sim, não queria que isto fosse considerado qualquer tipo de investigação científica – é só um post num blogue. Quanto ao que vai ou não aparecer, não faço ideia. Pela minha parte aparecerão os que conseguir contar ou os que conseguir estimar. Bom FdS. JP

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