Cantar em Português, antes ou depois do AO

Vitorino, numa entrevista ao Jornal de Leiria refere que “Quando um português canta em inglês fica tristemente ridículo”.

O Miguel Guedes, dos Blind Zero, no seu perfil do Facebook não deixou o velho alentejano sem resposta, cujo conteúdo subscrevo totalmente:

“Toda a gente tem direito a frases mais ou menos infelizes puxadas para títulos de jornal. O problema é que o Sr. Vitorino, lê-se na entrevista, pensa mesmo assim. Ele e mais uns quantos que no passado proferiram semelhantes dislates. Tenho respeito pelo Sr. Vitorino e sempre o vi como um homem de liberdade, daí que fique admirado por esta raiz que lhe tolha o pensamento. Não lhe perdi o respeito por isto. Só chego à conclusão de que lhe falta liberdade de espírito. E liberdade estética.

Há muitos anos que, ciclicamente, defendo a liberdade de criação seja em que língua for, seja como for. Contra estas tretas, contra este tipo de discurso, contra esta pacóvia e atávica forma de ver a arte e o trabalho dos outros. Imagine um carro, Sr. Vitorino. O volante é a direcção, a vontade e a paixão são o motor, a língua meras rodas do veículo. O que conta verdadeiramente é o que se diz pela boca e pelo pensamento das pessoas que vão lá entro. Que amam e odeiam em português mas que o podem dizer e expressar de qualquer forma, em qualquer língua.
O que é ridículo para si são só as rodas. Fazem andar e podem deslizar, mas são só as rodas, Sr. Vitorino. E olhe que deslizam em qualquer língua… O que conta verdadeiramente são as pessoas. Nem todos os que cantam em inglês ficam tristemente ridículos. Nem todos os que cantam em português ficam tristemente ridículos. Ficam tristemente ridículos os que ficam tristemente ridículos. Mesmo que por piada paga.”
Miguel Guedes acrescentou, ainda, um vídeo ao seu texto:

Comments

  1. Pedro Marques says:

    Qualquer dia não há cultura e identidade portuguesas e depois aí eu vou ver-vos a choramingar e a dizer ai ele tinha razão.

  2. Amadeu says:

    Essa dos portugueses terem de cantar em português é prima da “Portugal para os portugueses”.
    Ó tempo volta pra tráz …

  3. Frederico Mendes Paula says:

    Essa do cantar em português faz-me lembrar Espanha (e não só), onde tudo é espanhol, mesmo o que não é. Felizmente que Portugal é um país aberto ao exterior


  4. Nasceu na Argentina, vive em Espanha, canta em… inglês? http://www.youtube.com/watch?v=3r3NiOvLm4E
    O sr. Vitorino é tonto! Mas percebo, faz parte dos que apregoam a liberdade, a liberdade para os que pensam como ele… Felizmente que a arte não tem língua, sexo, cor ou pátria…

  5. Armindo de Vasconcelos says:

    Também subscrevo o Dr. Miguel. Embora, ambos sendo “dragões”, só ele tenha “dragon seat”!

  6. metalurge says:

    Vê-se mesmo que o sr. Miguel tem escola do pápa lá de cima com indirectas bem metidas. Tem a lição bem estudada, mas neste caso tem razão.
    Quanto ao resto como comentador desportivo é tão faccioso como os outros comentadores portistas.
    Aí perde toda a razão.

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