Nuno Crato: ignorante, irresponsável ou mentiroso?

Nuno Crato desvalorizou o aumento do número de alunos por turma, recorrendo a argumentos absolutamente levianos. O rendimento dos alunos levanta questões demasiado complexas e a verdade é que há estudos que provam que turmas maiores são prejudiciais, o que foi recentemente confirmado pela OCDE.

Nuno Crato justificou o aumento do desemprego entre os professores com a diminuição do número de alunos, o que, de qualquer modo, já era falacioso, pois esse facto é consequência do aumento do número de alunos por turma, da criação de mega-agrupamentos e da revisão curricular, entre outros factores. Como se isso não bastasse, descobre-se, agora, que houve cálculos errados, mais uma vez contrariados pela OCDE.

Não posso afirmar que Nuno Crato seja mentiroso e deixo ao próprio ministro a possibilidade de rejeitar essa acusação. Se não for mentiroso, será, no mínimo, ignorante. Sendo mentiroso ou ignorante, será sempre um ministro irresponsável ou continuará a ocupar a pasta graças à irresponsabilidade do primeiro-ministro.

Entretanto, é o seu filho que continua a ser prejudicado.

Comments

  1. maria celeste ramos says:

    Nuno C não se lembra como estudou ou então copiou ou então esqueceu – seja como for é um patético ministro que parece, assim, não saber fazer contas – como os meninos d’agora esqueceu em casa a máquina de calcular para não errar nas “contas” – hoje a minha amiga e vizinha professora de história que em geral não se deixa afectar pelo noticiário indecente, estava mesmo abatida – nunca a tinha visto assim e assim falámos sem saber o que dizer, como estaria quem tem ainda menos do que nós, apesar de nos terem desfeito muitos dos hábitos que tínhamos e sonhos e não há sonhos embora ainda possamos prescindir de muita coisa – obrigados mas ainda andamos e não entrámos em “depressão” – mas em estado de “raiva” – e o engraçado são as “cagonas do condomínio que só têm conversa doméstica” que estava de olha àlerta em nós pois que até nomes nos chamam mas fingimos não ouvir claro – Mas h´algo muito interesante desde ontem – na esplanada sempre nos serviram a bica e depois mais o que quizermos e eu faço despesa média grande pois até há pão + etc + almoço – apesar de gastarmos diarimante o mesmo e muito mais do que os outros – já temos de ir buscar o nosso café lá dentro e trazer para a esplanada – vamos indo – mas também temos de ir buscar o pão (e eu também a sopa) + os bolos – mas mas mas desde hoje retirar uma senha (como nos centros de saúde) e esperar mas eu quase aos GRITOS perguntei quem está na BICHA para eu não passar “à frente” (o que nunca faço mas apeteceu-me dizer isso de raiva) e lá estava na parêde um dispositivo electrónico com o número – como fumo e ninguém tem nada com isso, enquanto espero não posso fumar e fui para a rua sem saber a velocidade de avanço dos números – o engraçado é que por vezes até limpo a mesa pois não gosto de me sentar em mesa com o ESTERCO dos outros e fazia isso de boa vontade a ponto de as empregas o fazerem como pedi – a pessoa sai a menina LIMPA – e hoje o esterco era quase de um banquete em todas as mesas (na rua são 6 mesas) – enfim – entretanto esta pastelaria que faz o dinehiro que quer e está cheia de manhá até às 20H – parecia de loucos pois há incomodidade geral – e como não me apeteceu pegar no tabuleiro e ir lá dentro as mesas ficaram estercosas e cheias – ou seja, com isto tudo piorou até para as “dondocas” que um dia me disseram porque limpava eu a minha mesa pois a obrigação era das “escravas” ao que tinha respondido que não tenho complexos e limpava para não ster esterco alheio (as pessoas até dixam cair nop chão e não conseguem “dobrar-se” para panhar – eu sei que na esplanada há muitos que comem e vão e não pagam – sei mas não disse porque tem de ser as meninas a controlar e ver e olhar – e hoje pizeram senhas para não se pirarem sem PGAr – mas o interessante +é que quem quer mais do que bica pode ir buscar e ir para a RUA e PIRAR-se – mas que inteligência de merda dos que só têm cifrões nos olhos e sacrificam os que sempre pagam (e as meninas até sabem quem paga e não paga e em vez de porem a maquna registadora com pagamento prévio que era mais barato que o aparelhómetro do nº a aviar e não resolve nada e OFENDE – mas as pessoas habituam-se e com esplanada na rua só há esta – vamos ver se não perdem clientes da hora do “chá” que enche a casa e nem há por vezes lugar pelo que vão a outra pastelaria mesmo sem esplanada – que se lixem – se não sabem melhor forma de contorlar os ladrºoescom pré-pagamento e depois levar à mesa, castigam e incomodam todos – o mesmo espírto de Passos Coelho – e ali só há gente muito “direita” – toda a gente sabe que há quem escape até no Metro e outros lugares – nos supermercados etc – mas não se resolve assim – bastaria pré-pagamento – simples

  2. leopardo says:

    o ministro tem razão e aquilo é um exemplo de um jornalismo excrecavel. Eu comentei no jornal que a diferença tinha a sua origem no programa NO, mas o meu comentário que indicava ser essa a origem da diferença entre os nºs da ocde e os ministro não foi aprovado, agora o publico faz novamente um mau jornalismo. Não compreende os nºs e faz passar a ideia de que os alunos do NO não eram alunos nem os seus professores eram professores.
    Mas pense e tenha honestidade. Se comparar com anos mais antigos verá que para ter existido uma manutenção do nº de aluno graças ao programa NO é porque se comparar o nº de alunos atualmente existente (já sem o NO) com o que existia antes desse programa então o que se passa é precisamente aquilo que o ministro indicou, desapareceram 200 mil alunos.
    Estas 2 noticias são um péssimo exemplo de desinformação.
    Se compararmos o nº de aluno com uma década atrás vemos que ministro tem razão. Temos menos 200 alunos, mas mais professores.

    • Send says:

      A questão é a seguinte: há menos professores porque de facto temos menos alunos, ou há menos professores porque foi seguida uma política que a isso obrigou. Ora eu não vejo como pode o ministro ter razão, pois se a diminuição de alunos foi devido a menores inscrições nos CNO´s, essa menor procura deveu -se a opções políticas (corretas ou não) que o mesmo promoveu. Acabou com esses centros e não arranjou alternativa minimamente consistente.
      Depois o processo de RVCC não tinha as mesmas necessidades de professores que uma turma normal, muitos nem sequer um ano estavam inscritos, terminando rapidamente o processo, enquanto outros apenas se inscreviam e nunca apareciam .
      Se houvesse um pingo de honestidade por parte de Crato ele apresentava números claros e inequívocos e não esta mistificação.
      Mas mesmo que haja menos alunos, alguém com juizo (e com alguma noção de matemática) considera que aumentar o número de alunos por turma ou acabar com disciplinas (entre outras medidas) não implica diminuição de professores? Nuno Crato até pode ter razão nas medidas que tomou (o que não me parece), mas foi desonesto nesta questão, pois não assumiu as consequências lógicas das mesmas, assobiando para o lado e querendo arranjar um bode expiatório.

  3. maria clara says:

    Não é verdade que hajam menos alunos . Aquilo que diz são falácias.O que pretende este senhor com os cortes drásticos na educação daqui a uns anos ? Estas asneiras e outras vão-nos custar bem caro. Nada tem feito do que prometeu.

  4. leopardo says:

    há menos alunos e o programa NO era pouco menos que uma fraude. Mas mesmo que o programa NO se mantivesse não o nº de alunos adultos que o estava a frequentar iria decair rapidamente.
    A mistificação foi feita pela jornalista, de ambas as vezes, se ela comparar o nºs antes de ter sido criado o programa NO e depois de este acabar o que se observa é precisamente que na última década o ensino perdeu cerca de 200 mil alunos. O que estas “noticias” mostram é um péssimo jornalismo.

    • Send says:

      Não consigo entender o seu raciocínio. Diz que o ministro tem razão quando justificou a necessidade de menos professores para este ano letivo com razões demográficas? E é o jornalista que mistifica? Nuno Crato, não? As políticas por ele encetadas não tiveram efeito a esse nível? Explique-me como é que escola secundária de monserrate tem mais 50 alunos, menos duas turmas e menos professores? Explique-me como é que muitas escolas perderam alunos, como é o caso das escolas c+s pintor josé de brito e Secundária de barcelinhos? será pelo facto de não lhes deixarem abrir cursos para o qual tinham alunos? cursos que entretanto escolas privadas abriram? O péssimo jornalismo incomoda-me, a mistificação jornalística também, mas incomoda-me muito mais quando há péssima governação e quando há mistificação por parte de governantes. Não coloco em causa a existência de menos alunos, não digo que menos alunos nos CNO´s não implique menos professores, mas não é essa a principal razão da diminuição de professores nas nossas escolas. A principal razão são as políticas que foram tomadas. Basta pensar um pouco, o aumento de alunos por turma, a diminuição de disciplinas, levou a que em média se perdesse, pelo menos, um professor por grupo em cada escola. Se ele e o senhor Leopardo consideram essas medidas justas, estão no seu direito, se acham que as consequências das mesmas são inevitáveis, muito bem, agora não as assumirem e esconderem-se atrás de uns números nitidamente fabricados, aí a questão já é outra. Fabricados porque naturalmente não se pode usar esse número como um todo, e mais se a diferença se deve fundamentalmente a esses alunos, então só as escolas que tinham esses centros é que seriam afetadas, e não foi nada assim. Até lhe digo mais, a maior parte dessas escolas nem foram das mais afetadas, pois com esses alunos estavam fundamentalmente professores contratados, o maior número de horários zero foi nas escolas que não tinham NO e que, em algumas situações, até aumentaram o número de alunos.
      É pacífico que o programa NO não servia e tinha mais defeitos que virtudes, mas serve muito menos a atual solução para adultos não qualificados que… na prática não existe.

  5. leopardo says:

    se há nºs fabricados é pela jornalista.
    se tirarmos o efeito do programa NO, se analisarmos apenas o nº de alunos não adultos, os valores do ministro estão certos. A jornalista é que fez uma misturada, com alunos adultos do programa NO com alunos normais. Eu alertei-a, mas ela não publicou o meu comentário, mas no dia seguinte voltou à carga com nova noticia, desta vez com metendo já o programa NO, mas continuando sem perceber, ou sem querer perceber o que realmente se passa. E o que se passa é simples, o NO foi criado em finais de 2005, mas a jornalista no seu manipulador artigo não recua para além de 2008. Se recuasse até 2005/2006 seria visivel que o ministro tinha razão.
    Mas vocês gostam de ser vigarizados, gostam de quem vos mente. Continuem assim, é por isso que estamos aonde estamos, sempre a aplaudir vigaristas e a apupar que fala a verdade.

    • Send says:

      Se bem entendo o senhor acha que falar verdade é aumentar o número de alunos por turma, aumentar a carga horária dos professores, diminuir disciplinas, fechar cursos e depois dizer que isso não teve efeito na diminuição do número de professores?A jornalista baseia-se nos números fornecidos pelo ministério para justificar as palavras do ministro, descobre que os mesmos são uma evidente falácia, e agora é ela que deveria recuar até antes de 2005? A comparação tem que ser entre os anos a que o ministro se reporta e não aos que lhe interessa.
      Foi evidentemente o ministério que fabricou números ao juntar alunos matriculados no ensino regular com formandos inscritos nos NO, não foi a jornalista que inventou esses números. Já agora na sua busca da verdade e de quem fala verdade, lembre-se quando chamar fraude ao processo de RVCC que o seu “homem da verdade” disse que não se sentia nada incomodado com a forma como Relvas conseguiu a licenciatura.

  6. leopardo says:

    pois é… é no que dá pensar com o coração e não com a cabeça.
    Eu apenas estou a falar da evolução do nº de alunos e nisso o ministro fala a verdade e a jornalista manipula e mente. Compara nºs com alunos NO incluidos e não apenas o nº dos alunos “normais”. E isso nada tem a ver com nº de alunos por turma, carga horária dos professores, etc.
    Mas já agora o nº de disciplina era manifestamente excessivo, uma dispersão curricular que tinha apenas objectivos politicos e não educacionais.
    A questão para mim é muito simples, há que comparar apenas os nºs sem os alunos NO. Qualquer que seja a data. E se fizer essa comparação então o ministro tem razão. Agora se meter os alunos NO então o nº de alunos realmente tem variações fortes e bruscas, resultantes 1º da entrada desses alunos e depois da sua saida. Mas isso é apenas ruído.
    já agora extraindo um comentário à noticia, publicado no jornal:
    No ensino básico regular (sem recorrente) havia em 1990 1.476.131 alunos, em 2000 1.176.436 alunos e em 2010 1.071.021 alunos. No ensino secundário regular (sem recorrente nem NOs) eram em 1990 285.613 alunos, em 2000 eram cerca de 309 000 alunos e em 2010 eram cerca de 270 000 alunos. O facto de haver em 2010 cerca de 300 000 alunos no recorrente e NOs mostra o fracasso do sistema. Que se torna ainda maior se considerarmos que em 1990 eram 142.107 professores (excluindo ensino superior), em 2000 eram 175.209 e em 2010 eram 179.956.
    o nº de alunos regulares tem vindo a baixar e o de professores a subir. Foi isto que o ministro disse e é verdade. A jornalista-vigarista meteu os NO ao barulho, por malicia ou burrice, e conseguiu parecer que o nº de alunos não tem vindo a cair. Os incautos engolem isco e anzol e ficam satisfeitos. Este tipo de engano é que nos trouxe à bancarrota em que estamos e pelos vistos a maior parte do pessoal ainda não aprendeu.

    Leopardo

    • Send says:

      Vou ignorar o último parágrafo, essa de que os outros é que erram, os outros é que são culpados e os outros é que são burros (outra maneira de dizer “Os incautos engolem isco e anzol e ficam satisfeitos”) é discussão em que não entro. Se entrei na discussão foi porque achei que discutia com base nas suas ideias e que considerava que outros fazem o mesmo apesar de chegarem a conclusões diferentes.
      Vamos lá aos factos. Entrevista ao SOl, perante a pergunta sobre o que se está a passar quanto ao número de professores Nuno Crato afirma:”O que se está a passar é o resultado de várias coisas que são mais fortes do que nós. A primeira delas é a redução da população escolar, em cerca de 200 mil alunos nos últimos anos (cerca de 14%). É uma diminuição brutal. ” Perante isto, e procurando saber que números são esses a jornalista do Público investiga e concluiu o seguinte:”O que o ministro não disse na altura, mas ontem o gabinete de imprensa do Ministério da Educação e Ciência (MEC) confirmou ao PÚBLICO, é que aquele número foi alcançado contabilizando os mais de 100 mil adultos que em 2008/2009, ano que utilizou como referência, estavam inscritos nas Novas Oportunidades, um programa entretanto extinto e que no ano lectivo passado – cujos dados serviram de termos de comparação – já se encontrava moribundo.” E o senhor insiste em dizer que os números foram fabricados pela jornalista, e que deveria seguir outros números. Está claro no texto que ela cita os números dados pelo Ministério para justificar as palavras do ministro. Não consigo perceber ” a burrice” ou a “malícia”.
      Segundo aspeto, aquilo que o ministro disse não é suportado por número algum mesmo tendo em conta o vago “últimos anos”. Apresente-me lá dois números que demonstram a redução de 14%.
      Terceiro aspeto, a principal razão de redução de professores foi uma opção política e não uma consequência demográfica que per si nem obrigaria a uma redução, como o senhor, curiosamente e sem querer, até demonstrou. Como já lhe disse, estas opções até podem estar corretas, até pode ser este o caminho a seguir, e era isso que deveríamos estar a discutir. Infelizmente, o ministro resolveu deitar as culpas para aspetos exógenos e, apesar de ser matemático, usar números pouco precisos e que até agora ainda ninguém conseguiu claramente justificar. Isso é que me parece pouco credível para um ministro, podendo mesmo considerar-se pouco sério se fabricou números para justificar as suas opções.
      A discussão entre as virtudes do anterior currículo, disperso e com muitas disciplinas, criadas por “razões políticas” e o atual criado por “razões económicas” era bem mais interessante, mas infelizmente acabamos a discutir “alecrins e manjeronas”.

  7. leopardo says:

    http://pordata.pt/Portugal/Alunos+matriculados+no+ensino+secundario+publico+total+e+por+modalidade+de+ensino-1015

    O maior nº de alunos atingiu-se entre 1991 e 1998. A partir daí a queda tem sido acentuada. Só foi disfarçada a partir de 2007 devido à criação dos cursos profissionais de nível 3 e do programa NO. Aliás a queda entre os alunos regulares já tinha começado em 1994, mas foi sendo disfarçada. O programa NO ajudou a disfarçar esta queda nos últimos anos.
    Fazendo as contas com estes dados vejo um queda de 15%, se comparar com 1998, não com 2008.
    Entretanto o que se passa com o nº de professores é isto:
    http://pordata.pt/Portugal/Docentes+em+exercicio+nos+ensinos+pre+escolar++basico+e+secundario+publico+total+e+por+nivel+de+ensino-241

    comparando os 2 gráficos podemos perceber que no 2º, 3º ciclos e secundário não tem existindo uma adaptação à evolução demografica. O nº de alunos tem caido fortemente, mas o nº de professores tem-se mantido estável.
    Mas cedo ou mais tarde a adaptação terá de se fazer.

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  1. […] Poderia ter contribuído para que as condições de aprendizagem dos alunos melhorassem, mas tornou as turmas maiores. […]

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