Votar numa lavandaria

Só mesmo nos EUA.

Ontem, em Chicago, os eleitores podiam votar em escolas e igrejas, quartéis de bombeiros e esquadras policiais, centros de dia e blocos residenciais. Mas também numa lavandaria self-service, ” a melhor montra para ver a democracia americana em acção”, lê-se no PÚBLICO de hoje. Explicação para o «fenómeno»: “não só porque aumenta o universo de possibilidades dos eleitores, mas também porque torna o voto mais prático, menos solene, mais próximo do dia-a-dia das pessoas”. Todos os estabelecimentos comerciais podiam receber uma mesa de voto, excepto os locais que vendem bebidas alcoólicas.

É caso para dizer se Maomé não vai à montanha, vai a montanha a Maomé. Não acho muita piada… Há locais próprios para tudo e misturar alhos com bugalhos não me parece ser grande ideia, não obstante ter que admitir que os americanos «mexem-se» e têm ideias loucas que lá terão resultados, pelo menos quantitativamente. «Não deixe de votar, mesmo que não tenha pensado nisso ou refletido muito»,  «É fácil, barato e muito cool».

Imagino a senhora com seus filhos na dita lavandaria: um olho neles, um olho na roupa a girar na máquina e outro no voto, numa pressa, ouvindo ainda o desabafo político tendencioso dos restantes utentes do estabelecimento…

A abstenção em Portugal ficava resolvida se em cada canto e esquina houvesse uma mesa de voto?

Democracia = comodidade = banalidade?

A jornalista K. Gomes afirma algo que me deixa de boca aberta: “Talvez não haja nada mais democrático que votar numa lavandaria”. E esta hein?

Comments

  1. Miucha says:

    acho muito prático, e acho que temos mais pruridos e peneiras do que aquilo que valemos. Estes iankes votam há muito mais tempo do que nós e, por muito que custe a alguns estômagos, são uma democracia exemplar (não existem do tipo “perfeitas” como realisticamente devemos encarar) e depois cá é sempre “ah e tal é preciso pensar fora da box” e depois nada!, tudo cheio de formalismos e carros topo de gama senão cai a qualidade da democracia… e mais o carmo e a trindade. Efectivamente a democracia é para o people das lavandarias e onde ele se encontrar e não para o aparelho de Estado e demais funcionários…. Pim!

  2. maria celeste d'oliveira ramos says:

    Ontemm foi “especialmente diferente” pois que é uma renhida luta de titâs e no local do furacão até se votava em camiões destinados a esse fim e até se permitiu que o não recenceado o fizesse na hora e local de votar ONDE QUISESSE e nem sequer como nós no nossa freguesia eleitoral – e logo recenseado logo direito a votar- foi uma grande caça ao voto e as pessoas responderam mesmo com muito frio e em locais no meio da lama – reportagem que vi
    A luta titânica borrifou-se para formalidades e até ambos os candidatos pediram o voto mesmo em cima da hora o que não se faz aqui pois há um dis de “silêncio”
    Embora eu prefira certa ordem e formalidade pois votar não é o mesmo que ir a lavandaria ou mixatório público
    E tiveram a maior afluência de sempre – assim foi dito já que estive a ver o pargrama votações até de madrugada mas não consegui até ao fim pois levou horas e horas e fiquei até aos resultados mais prováveis – nem sei ainda o fim mas Obama teria ganho – muita gente com mêdo de Romney (eu também teria embora os haja por cá)

  3. Konigvs says:

    Tendo em conta o carácter dos portugueses, estou em crer que a abstenção acabava no momento em que o Estado pagasse – já vi coisas mais absurdas – para que cada eleitor expressasse a sua vontade. Uma coisa do género promoção do Pingo Dasss do 1 de maio, “nunca soube tão bem votar nas eleições”. Após o voto cada eleitor ao sair conjuntamente com o cartão de eleitor receberia também um cheque de 100€.
    Até se poderia fazer uma PPP específica só para as eleições, com publicidade nas televisões, os debates seriam patrocinados, e até os boletins de voto estariam cobertos com os logos das empresas que patrocinavam o evento, e cada pessoa que votasse traria um talão de desconto.
    Queria ver se alguém ficava por votar, até os mortos se levantariam dos cemitérios e iriam receber o seu cheque, e acabavam-se as desculpas para a abstenção, ora porque estava sol, ou porque esteve chuva ou pelo contrário e vice versa.

  4. MAGRIÇO says:

    Infelizmente para a humanidade, o “Público” tem ao seu dispor muitas montras que podem testemunhar a “democracia americana” no seu melhor, desde imagens de Hiroxima e Nagasaki depois de 9 de Agosto de 1945, às mais actuais que atestam a imposição dessa tão celebrada democracia através dos “justiceiros” Drones. O Mundo devia curvar-se, agradecido.

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