Quando eu gosto, eu digo

«Por que temos medo de dizer a uma pessoa que gostamos dela?». Minha mãe, imagino que ela gostasse de mim. Mas ela nunca me disse. Nem o meu pai. Teria sido tão bom se ela me abraçasse e dissesse: «Meu filho, como eu gosto de você!». Dirão que não é preciso. Discordo. É preciso. Escrevi uma carta para meu irmão mais velho que começava assim: «Meu querido irmão Ismael…». Ele me respondeu espantado: «É a primeira vez na minha vida que alguém me chama de querido». E ele já estava nos seus 75 anos de idade! Resolvi que não vou ficar atrás da cortina, espiando. Quando gosto, eu digo.

            (Rubem Alves, Do Universo à jabuticaba)

Comments

  1. maria celeste d'oliveira ramos says:

    Gostar e mostar – nem basta saber ler silêncis – é por isso que me resou – apem«nas – da educação católica – pesamentso alavras e obras – e que dificil é usar a palavra porquê ?? sera do OA ??

  2. Sónia says:

    De certo o Mundo seria um local muito mais feliz se todos fizéssemos o mesmo. Acho que as pessoas pensam que expomos a nossa fragilidade ao dizer ao outro o quão gostamos dele. e que dessa forma o outro nos “domina”. Não creio. Concordo que quando se gosta nem sempre demonstrar apenas chega, verbalizá-lo é também necessário!

  3. Amadeu says:
  4. norma7 says:

    Ma. do Céu,
    Eu tinha acabado de ler o texto abaixo, do R.Alves:

    O que as pessoas mais desejam é alguém que as escute de maneira calma e tranquila. Em silêncio. Sem dar conselhos. Sem que digam: “Se eu fosse você…” A gente ama não é a pessoa que fala bonito. E a pessoa que escuta bonito. A fala só é bonita quando ela nasce de uma longa e silenciosa escuta. É na escuta que o amor começa. E é na não-escuta que ele termina.
    Não aprendi isso nos livros. Aprendi prestando atenção. Todos reunidos alegremente no restaurante: pai, mãe, filhos, falatório alegre. Na cabeceira, a avó, com sua cabeça branca. Silenciosa. Como se não existisse. Não é por não ter o que dizer que não falava. Não falava por não ter quem quisesse ouvir. O silêncio dos velhos. No tempo de Freud as pessoas procuravam os terapeutas para se curarem da dor das repressões sexuais. Aprendi que hoje as pessoas procuram os terapeutas por causa da dor de não haver quem as escute. Não pedem para ser curadas de alguma doença. Pedem para ser escutadas. Querem a cura para a dor da solidão. (…)”
    ~ Rubem Alves, em “Se Eu Fosse Você” (do livro “O Amor Que Ascende a Lua”)

    E agora, dose dupla, p teu Post. Que bom!
    Ele é um Querido que além de tudo, ainda, desenha olhos e nariz no ‘A’ de Alves e rotula o seu Curriculum de “Curriculum Mortis”. (rs)
    Obrigada e Boa Sorte!

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