Quem esteja livre de pecado. Uma explicação

 

Deve ser bem conhecido por vários o texto que escrevi ontem do Evangelho de João Apóstolo, Capítulo 8, versículo 7, que diz:  Quem não pecou que atire a primeira pedra. Acrescento no texto de ontem: E ontem alguns manifestantes fartaram-se de não pecar. Mais em frente ainda, digo: Hoje em dia, João Apóstolo, apenas existe nos sentimentos de fé do religioso povo português. Os fariseus que tentam evitar apedrejamentos, a atividade de arruaceiros, estão dentro do parlamento a criar leis semelhantes as que castigam com apedrejamento às adúlteras, como o Paulo Portas faz, adúltero da sua promessa de nem criar nem aumentar impostos. Será ele quem vai ser o fariseu retirado para não ser arruado ou apedrejado, como merece por não cumprir a palavra dada, raro em Portas.

Pecado seria não apedrejar a polícia nem as escadarias do Parlamento. Os que não se defendem, perdem sempre. Toca pecar, paciência. A religião é a lógica da cultura que manda vestir o nu, alimentar quem tem fome, acolher o triste e todas as outra palavra que o Sermão do Monte em sete alinhas, manda. 

Confesso ter recebido vários comentários como é habitual. Mas quem sempre comenta os meus textos, Maria Celeste, diz que tenho razão mas que ela não seria arruaceira. Se for atirar, seriam sapatos. Um outro comentarista do meu aprecio, diz que os polícias são seres humanos e não merecem essa punição porque são pessoas que não preparam o Orçamento de Estado para 2013, acrescentando que era um texto infeliz. Fez-me pensar, li e reli o texto várias vezes e pareceu-me que tinha razão e fez-me meditar. Lembrei-me de um comentário telefónico de quem sempre escreve ideias sobre os meus textos, antiga estudante minha quem disse que era natural a greve, mas que atirar pedras, não era correto. Comentei esse dia que eram pessoas não identificadas e sem ideologia política, pagos de certeza, pela direita, para denigrir a correta Greve Geral do 14 de Novembro, bem orientada por Arménio Carlos quem não apareceu no apedrejamento, como corresponde conforme a lei que regulamenta as greves: a Constituição do Estado e o Código do Trabalho. Adivinho porque o comentário da minha antiga estudante não apareceu. Lamento o escândalo causado a Maria Celeste, ao senhor da minha confiança e a minha antiga estudante.

Como membro ativo de Amnistia Internacional, defendi um dia uma adúltera palestiniana, viúva, mas que deve fidelidade ao defunto marido. Viúva que coloco como imagem, solicitando que a mulher não for apedrejada por ser a lei dura para os seres humanos, como os fariseus da maioria parlamentar. Devia ter feito igual com os arruamentos da Assembleia. Deixei-me levar pela lei de Moisés, sem me lembrar das palavras da história mítica do Mestre: Quando alguns fariseus e escribas repletos de ódio e despeito acusaram a mulher adúltera exigindo seu apedrejamento, o Mestre ergue-se e diz: “O que está puro entre vós atire a primeira pedra”(Jo 8:7). Desculpas deviam solicitar também os que alçam os impostos para pagamento de uma dívida que não conseguem saldar.

Eu não estive puro no dia de ontem na escrita do texto, mas o farisaísmo da maioria parlamentar que nos mata com fome e não nos permite pensar, levaram-me a escrever o texto criticado por vários, com três em desacordo comigo. Lamento e peço desculpas. Não vou reescrever o texto. O que está dito, fica escrito, mas com esta explicação que espero seja publicada e ouvida. Atirei uma primeira pedra, mas será a única. Como Maria Celeste, caso eu aparecer a 27 a defender os meus direitos, vou-me manifestar em silêncio com os membros do meu partido e do meu sindicato, o Snesup. Lamento o escândalo causado, peço desculpas aos leitores que não comentam e envio o texto para publicação

Raúl Iturra

19 de novembro de 2012.

lautaro@netcabo.pt

Comments

  1. maria celeste d'oliveira ramos says:

    Que mundos há ainda mas Nataniayu (nunca sei escrever o nome deste nazista) não é melhor que quem faz isto

    • Raul Iturra says:

      em os seu comentários, o que faria eu? Orientam-me! Obrigado, Maria Celeste! O seu e do do Jorge Fliscorno fizeram-me pensar na crueldade que pedia aos manifestantes no meu texto do Domingo 18, aparecido na 2ª 19. Obrigado, Maria Celeste. O nome está bem escrito, fique em paz! Beijo
      RI

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