Receita de Bordoada à Portuguesa

Receita simples embora de elaboração faseada e justificando alguns cuidados. Da autoria de Miguel Macedo, chef ora premiado com uma estrela do Guia Internacional do Golpismo Mediático

Ingredientes:

Uma manifestação em dia de Greve Geral, umas dezenas (poucas) de imbecis com pedras (ou de pedras com imbecis), toda a PSP de Lisboa disponível e indisponível, um Comando, um Ministro.

Preparação prévia:

a PSP vai receber no próximo ano 796.9 milhões de euros, mais 13,2 por cento do que em 2012, a GNR 937.9 milhões de euros, mais 9,9 por cento.

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Horas antes da manifestação, a polícia visitou os comerciantes da zona, aconselhando-os a encerrarem portas e protegerem os estabelecimentos, com o seguinte comentário: «Isto hoje vai ser duro».

Fonte
 Utensílios de cozinha:

A polícia aparece com novos escudos de corpo inteiro, como se estivesse à espera de uma chuva de pedras.

Confecção:

Infiltram-se polícias entre os imbecis. Os imbecis começam a arremessar pedras:

várias pessoas destacaram-se da manifestação, entre elas o Daniel Oliveira, e interpuseram-se entre os que estavam a atirar pedras, garrafas, balões de tinta, etc., e o primeiro cordão policial, com os braços bem erguidos, de costas para a polícia, pedindo aos energúmenos para pararem com aquilo e tentando explicar-lhes a futilidade, falta de significado político e carácter contraproducente do gesto.

Banho-Maria (citando MarceloChef e argumentista de vídeos parvos nas horas vagas):

Nestas questões não basta intervir é preciso ter atrás de si, a sensação do apoio claro da opinião pública no momento da intervenção, às vezes tem que se intervir mesmo sem o apoio da opinião pública, mas ali esse apoio foi ganho por aquela paciente espera. (texto reciclado para português)

Cuidado:

Para o apuramento do repasto, nunca se deve tentar imitar a polícia sul-coreana, que como todo a gente sabe tem uma gastronomia insípida e não percebe nada dos nossos cozidos:

O treino policial para intervenções em conflitos urbanos, obtido inclusive junto das forças israelitas, pressupunha na quarta-feira que o Corpo de Intervenção da PSP, ao ser apedrejado à frente do Parlamento, tivesse em poucos minutos formado um cerco à dezena de agressores – dando cobertura aos agentes da PSP das brigadas à civil por entre os manifestantes. E os ‘infiltrados’ procederiam rápida e cirurgicamente às detenções. O facto desta manobra táctica não ter avançado, por decisão do Comando de Lisboa, causou desconforto junto de responsáveis policiais contactados pelo CM. Só ao fim de mais de uma hora a ser apedrejada a polícia de choque avançou, de uma forma “mais indiscriminada” e sobre a multidão, “perdendo o enfoque sobre quem tinha rapidamente de ser detido – em flagrante”.

Nesta altura o ministro manda destapar a panela e servir sem moderação, depois de avisadas as dezenas (poucas) de imbecis apedrejadores e os que estavam ao seu lado.

Para que o medo se instale, é fartar vilanagem, decreta-se o estado de sítio sem audição prévia do Conselho de Estado.

Sobremesa e efeitos secundários:

Um “líder da oposição” só de ver ficou ceguinho:

Outros passam a acusar todos os presentes de responsabilidade no sucedido. Um deles, por sinal anti-republicano convicto, acha mesmo que a esquerda deve ser expulsa da República. Cuidado com os doces. Nunca se sabe o que pode uma República fazer para se defender a si própria.

Comments

  1. João Paz says:

    Uma excelente desmontagem da tramoia montada pelo desgoverno para que as televisões não falassem da Greve Geral.
    Como Há um ano atrás os “coktails” e os infiltrados (paisanos) foram desmascarados agora subiram o “nível” e a sofisticasção do GOLPE.
    Mas MUITO POUCOS (Garcia Pereira foi um deles) denunciaram esta AGRESSÃO FASCISTA.
    A grande maioria foi VILMENTE enganada pela propaganda televisiva A FAVOR DO DESGOVERNO.
    Por isso dou os parabéns ao autor desta publicação.

  2. Joao Calado says:

    obrigado, João José e parabéns por este texto tão “na mouche” e pleno de lucidez (aliás como todos os anteriores).

  3. antonio cristovao says:

    A democracia tem destes inconvenientes: nem a policia nem os atiradores de pedras fazem o que nos achamos que era bem feito. O que me entristece e perder tempo com fandango e continuar-se a votar como se vota- isso sim mudava as coisas.

  4. maria celeste d'oliveira ramos says:

    E hão-de sempre votar – ou PS ou PSD – ou então é votar nos + pequenos já com representação da AR
    Eu já há tempos que voto num “pequeno” mas é partido que até desapareceu – Partido da Terra
    Mas até votaria PC só para xatiar emboar não me possa esquecer do verão quente de 1975 – que não é já o mesmo mas não me apetece voto ùtil ??
    Mas osso votar BE que tem gente inteligente – mas não sei – em branco é que nunca pois é aproveitado para os quue quizerem – já estive em mesa de votos mas depois dos votos irem para o Goveno civil não sei o que acontece – nunca ninguém sabe e nu país desonesto não sei porque nas eleições hão-de ser honestos


  5. Para a bófia não pode faltar dinheiro, qualquer líder moderno sabe disso e tem exemplos históricos. O Zelaya meteu-se com a bófia e foi proteger o seu chapéu e botas de cowboy para a embaixada do Brasil.

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