Inveja do Chipre

Não conheço os detalhes que levaram o parlamento do Chipre a recusar a medida que a União Europeia tentou aplicar. Não sou, também , um especialista no Chipre – sei que é uma ilha vizinha da Turquia e pouco mais, mas a Wikipedia pode dar uma ajudinha.

Mas, mesmo ignorante, sinto uma enorme inveja da posição que eles tomaram. Têm menos habitantes que o Grande Porto (um pouco mais de 800 mil habitantes) e são, por isso, uma migalha quando comparados com o gigante Alemanha. Mas, os seus parlamentares tiveram os tomates no sítio e votaram contra a imposição da Europa. Não sei o que lhes vai acontecer, tal como não faço a mais pequena ideia do que nos vai acontecer, mas estou cada vez mais convencido que está em marcha um processo político que tem como principal objetivo destruir a União Europeia e acabar com o Projeto Europeu.

Sou, desde sempre um internacionalista a quem agrada, MUITO, uma Europa das Pessoas e por isso quero ser parte de uma solução que junte povos e pessoas e não uma saída que nos separe a todos – não concordo com a proposta do PCP. Penso, no entanto que começa a valer a pena olhar para dois casos: a Islândia e a Argentina – algures ali no meio estará a saída para Portugal, não?

Comments

  1. Amadeu says:

    Hoje acordei com o mesmo sentimento. Grande Chipre !!
    Mas igualmente com uma certa curiosidade.
    Como é que os bancos de Chipre vão reabrir as portas sem corrida à retirada dos depósitos ?

  2. pedro says:

    Não posso deixar de notar que entre as alternativas sugeridas (Islândia e Argentina) nenhuma representa um país que faça parte de uma união monetária. Por isso, dificilmente aplicavel a Portugal. Teremos que arranjar outras.
    Nota: interessante artigo sobre a islândia ( para o caso de ainda não ter lido)
    http://studiotendra.com/2012/12/29/what-is-actually-going-on-in-iceland/

    • João Paulo says:

      Obrigado pelo comentário – não conhecia o post. De qq modo, se me permite sublinho uma linha do que escrevi que mostra o quanto estou de acordo consigo: “a Islândia e a Argentina – algures ali no meio estará a saída para Portugal, não?”

  3. luis says:

    Não concorda com a posição do PCP, porquê? Por romantismo? Quais os motivos que o levam a não concordar? Não compreendo como esta questão (saída do €) não está no centro do debate político, em Portugal e nos países periféricos. Leia e veja como a ligação com o exemplo Argentino que refere, só é possível com a saída do Euro.
    http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt/2012/12/sair-do-euro-e-uma-questao-de-tempo.html

    • João Paulo says:

      Luís, não se trata de romantismo, trata-se de lutar por encontrar uma saída dentro do EURO, porque o nosso maior problema – pagamento da dívida – pode ser “acertado” dentro da UE e dentro do EURO. Sair do EURO é voltar para trás no maior passo qualitativo da história europeia, aquele que permitiu uma maior aproximação entre os povos, algo que defendo. Houve erros? Claro. Há coisas mal feitas? Claro. Mas, ainda assim, acho que valerá a pena tentar dentro da UE e não fora. Porque, deixar o EURO será o mesmo que terminar com a UE.
      JP

  4. Renato says:

    A definição de tomates no sitio é um bocado estranha. A única coisa que os parlamentares cipriotas tiveram foi medo de alguém mais lixado que uma merkel, que é putin e as figuras obscuras por detrás dos depósitos russos.

    A democracia é toda muito bonita, mas quando a máfia russa gosta de brincar com marretas de 5kg a bater nos tomates daqueles que lhes fazem comichão, os votos tendem a pender no sentido pró-russo. Chamem-lhe coragem.

    • João Paulo says:

      Confessei nas primeiras linhas: “Não conheço os detalhes que levaram o parlamento do Chipre a recusar a medida que a União Europeia tentou aplicar. Não sou, também , um especialista no Chipre ”

      Muito menos conhecerei os detalhes testiculares russos e afins, mas admito a sua teoria como possível.
      Obrigado por ter comentado,
      JP

  5. Mário Reis says:

    A proposta do PCP, é uma proposta, corajosa e fundada em multiplas análises, coisa que, só agora, ilustres “analistas” começam a fazer depois da martelada que a realidade lhes tem dado na língua. Aaté mesmo no PCP a questão não é unanime, ao contrário do que se possa pensar e do comando preconceituoso que resulta de anos de demência anticomunista.
    Agora mesmo, veio mais um dar aliar-se ao PCP: Silva Peneda o tal da concertação veio dizer, que ou as regras conformadoras do euro mudam, ou não nos resta outra saída.
    Ontem João Ferreira do Amaral defende-a como inevitável: se ficarmos e a UE crescer o euro valoriza e não conseguiremos exportar (a acreditar que as exportações são a nossa tábua de salvação), se a UE continuar estagnada, orientação que não será alterada por força da génese e interesses financeiros fundacionais (veja-se a arrogância de belmiros e muitos outros parasitas), não teremos caixa de ar para respirar.
    Infelizmente, também penso que não nos resta outra saída, senão sair!
    O problema é: quanto mais tempo passar menos poder negocial teremos, porque continuaremos a escavar e a afundar o buraco em que estamos metidos e metemos as gerações futuras.
    Como diz o Mário de Carvalho, talvez fosse altura de discutir qualquer coisinha sobre o assunto.

    • João Paulo says:

      Vamos a isso, daí o post. Vamos discutir. O problema é que me parece que o povo não estará interessado nos 2/3 anos de miséria total que tal medida significaria, não? Sair do Euro, OK! E isso quer dizer o quê? Desvalorização da moeda – talvez para metade? Deixariamos de poder comprar ao exterior, iria crescer o “desenrasca” à volta da economia local e daqui a 3 anos o país começaria a crescer. Será isto?
      JP


      • Se isso implicar começarmos a crescer daqui a 3 anos, então bora! Actualmente com as medidas e previsões do Gaspar (Troika) nem daqui a 10.


  6. Cara concordo com você esse lugar ai tem opinião própria espero que de tudo certo para eles e para Europa pois se caso tenha uma crise na Europa vai afetar todos os países do mundo inteiro

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  1. […] Há uns dias, a propósito da situação em Chipre, escrevi: […]

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