Energúmenos da mentira

Ao ler a notícia da TSF “Sofia Galvão: «Temo que não seja possível manter educação gratuita»” veio-me à memória uma história batida, a da falta de honestidade na construção argumentativa. Nada que existe no estado é gratuito, parecendo necessário lembrar à senhora Sofia Galvão que a educação não é gratuita. Talvez, com uma comparação mais terra a terra, ela perceba. Alguém que lhe diga que, tal como o ordenado dela sai dos impostos que pagamos, também a educação é paga com esses mesmos impostos.

Esses que vêm com a conversa da impossibilidade de continuar o serviço gratuito na educação, ou em que área for, querem, na verdade, selectivamente aumentar os impostos e, simultaneamente, tornar mais competitivas as alternativas disponíveis no privado. Que é como quem diz, arranjar negócio aos amigos.

Mas fazem-no com dissimulação e mentindo, atributos de gente de fraco carácter. Terem subido na vida o suficiente para conduzirem o destino de um povo diz muito sobre o ponto a que chegámos e sobre o povo que os escolheu.

Comments

  1. adelinoferreira says:

    Às armas, às armas,sobre a terra e sobre o
    mar….


  2. ESTAVA TUDO PREPARADO !

    ESTÃO QUASE A CONSEGUIR !

    REVOLTEM-SE PORRRAAAAAA !

  3. José António says:

    Caro Jorge, não esqueça que o povo que os elegeu foi brutalmente enganado. Quem não se recorda destas garantias?

    “Se vier a ser primeiro-ministro, a minha garantia é que a [carga fiscal] será canalizada para os impostos sobre o consumo e não sobre o rendimento das pessoas”; “Dizer que o PSD quer acabar com o 13.º mês é um disparate”; “O PSD acha que não é preciso fazer mais aumentos de impostos, do nosso lado não contem com mais impostos”; “O IVA, já o referi, não é para subir”; “Eu não quero ser primeiro-ministro para proteger os mais ricos”; “Que quando for preciso apertar o cinto, não fiquem aqueles que têm a barriga maior a desapertá-lo e a folgá-lo”; “Tributaremos mais o capital financeiro, com certeza que sim”; “Não podem ser os mais modestos a pagar pelos que precisam menos”…
    E ainda: “Nós não dizemos hoje uma coisa e amanhã outra”.»

    Não haja dúvidas que estamos perante uma eleição fraudulenta, com a conivência do merd@s de Belém.
    Pode sobrar-lhes alguma legalidade, mas em legitimidade e em vergonha há um déficite absoluto. São mesmo uns energúmenos.

    • adelinoferreira says:

      Como o da Casa da Coelha,está conivente
      com esta canga que nos governa e não faz
      o que jurou defender,só resta ao povo a
      desobediência civil.

    • jorge fliscorno says:

      Eu próprio me incluo nesse povo.

      E sim, em campanha eleitoral foram dissimulados a um nível nunca antes atingido.

      • Maquiavel says:

        Näo foi ainda em campanha que o PPC disse “iremos ainda além da Troyka”???

        Já fiz esta pergunta um ror de vezes, ainda ninguém me elucidou, porra!


      • Quando o pessoal não vê mais para além das campanhas eleitorais, dá nisto!

        Compreendo que muitos possam ter sido e continuar a ser enganados pela “diissimulados” mas já me custa muito compreender quem anda sempre a escorregar na calçada e insiste em usar os mesmos sapatos já gastos.

        E fico mesmo sem paciência para este “povo”. Há qualquer coisa de penitência nisto. Ou então é mesmo burrice, caneco!


    • José António, as pessoas é que não aprendem! Mas quantos mais anos serão precisos para se consiga aprender com os erros?

  4. Hugo says:

    Esta medida – a concretizar-se – representará o maior retrocesso civilizacional de Portugal nas últimas décadas, só comparável ao “orgulhosamente sós” do Salazar. Em teoria, não me repugna a ideia de as pessoas com maiores rendimentos contribuírem mais para o funcionamento das escolas públicas, mas por outro lado, essas famílias já pagam os seus impostos (com taxas superiores) e mesmo em termos práticos o aumento da receita fiscal proporcionado por essa medida seria extremamente diminuto. Em suma, esta ideia de acabar com o ensino básico gratuito não tem ponta por onde se lhe pegue. Espero que impere o bom senso e não ela não seja implementada.

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