Euro evasão fiscal: Hoeness o Depardieu alemão

Controlar míseras centenas de euros dos cidadãos pobres ou remediados é fácil. Negar o direito ao trabalho e a salário mínimo é imperativo para solucionar a crise europeia. Todavia, conjugar esforços da UE com outros países desenvolvidos no sentido da desactivação dos paraísos fiscais e combate das evasões ao fisco de milhões sobre milhões transformou-se em objectivo esquecido, em prateleiras do arquivo morto. Isto, a despeito de reiteradas promessas dos dirigentes do G-20; em especial, lembro os discursos pronunciados em Nice por Obama e pelo anfitrião Sarkozy, em Novembro de 2011.

Os casos multiplicam-se por vários pontos do globo: corrupção, enriquecimento ilícito e incumprimento de obrigações fiscais constituem o prémio de uns; austeridade severa e cega, pobreza e miséria formam a penitência de outros.

À tradicional fuga de capitais – para as 20 sociedades do PSI-20 português até é legal e os autores adquirem o direito a condecorações no 10 de Junho – está a surgir um novo fenómeno. Se necessário, exportam-se os milhões e muda-se de nacionalidade. O Putin é amigo e, se complicar, terá concorrência no negócio.

O antigo internacional de futebol alemão e actual presidente do Bayern de Munique, Uli Hoeness, denunciou às autoridades fiscais alemãs a impossibilidade de liquidar milhões de impostos, por ganhos em activos colocados na Suíça – fala-se de 20 milhões. O eixo franco-alemão, mesmo neste domínio, está funcionar em sintonia. Diz-se até que Hoeness é o Depardieu em versão germânica.

Quem está decepcionada e perturbada com o caso é chanceler Merkel. Tinha prometido estar na final da Liga dos Campeões em Londres a 25 de Maio. Com a derrota de 4-0 infligida pelo Bayern ao Barcelona esta terça-feira, se não desistir, lá estará na companhia do cidadão modelar Hoeness – trabalhador de dinamismo sobre-humano, sem paralelo no preguiçoso e rançoso Sul Europeu.

Sublinhe-se a probabilidade do Borussia Dortmund eliminar o Real Madrid. Então, a ‘Frau Merkel’ não pode mesmo faltar, mais a mais em Londres.

A chanceler, dentro dos padrões éticos e de solidariedade a que nos habituou, se for à capital do Reino Unido, aproveitará certamente para se deslocar com a comitiva governamental e guarda-costas ao 29, Chesman Place, Londres SW1, em romagem de comemoração do 60.º aniversário e gratidão pelo perdão de dívida à Alemanha em 1953. Foi nesse local que o acordo foi firmado.

Comments


  1. Infelizmente é assim . Quem é pobre , doente , pequeno está sempre
    tramado , para estes ” iluminados ” levarem sempre a melhor , como
    se ainda fossem vítimas por explorarem os outros e tudo beneficia-rem como se fosse um sacrifício . Coitdainhos dos ricos e dos cor-
    putos , que são uns santinhos .

  2. MAGRIÇO says:

    Muito bem, Carlos Fonseca! Subscrevo na íntegra.


  3. Esqueceu-se que ela pode ir homenagear a puta de ferro.

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.