Professores contra a Educação


escoladestrOs professores são uma das classes profissionais mais invejadas, porque se mantém o mito de que o horário de trabalho desses inúteis se limita ao número de horas de aulas. Num país em que estamos mais preocupados em que os outros estejam tão mal como nós, a ilusão de que os professores não trabalham e de que, portanto, são uns parasitas, tem rendido proventos a quem destrói a Escola, argumentando que está a combater uma corporação poderosíssima e a beneficiar os alunos.

Entretanto, os professores, de uma maneira geral, aceitam tudo o que lhes é imposto, por medo, por comodismo, por falta de consciência de classe e por ausência de consciência cívica.

Um professor é um especialista numa área científica e na didáctica dessa mesma área, para além de ser um conhecedor do terreno. Se é certo que é um funcionário do Estado, é (ou deveria ser) alguém que, pela sua formação e experiência, está (ou deveria estar) dotado de espírito crítico suficiente para, no mínimo, analisar aquilo que é imposto. Acontece exactamente o contrário: os currículos, constantemente alterados, num espectáculo de instabilidade contrário aos interesses dos alunos, são postos em prática com um mínimo de queixume; as alterações brutais nos horários são deglutidas com queixinhas; a destruição da escola, através, também, da criação de mega-agrupamentos, é engolida encolhidamente; o despedimento de milhares de professores necessários às escolas dá origem a uma compaixão rápida; Crato irá empurrar os alunos das classes mais desfavorecidas para uma profissionalização precoce e os professores ficam a uma enorme distância da indignação. Às agressões de Sócrates e de Passos os professores reagem com um decidido… encolher de ombros. E assim ficam.

Para um professor ser digno desse nome, a consciência de classe não se pode desligar da consciência cívica e vice-versa. Ambas devem estar ligadas à defesa da dignidade profissional, porque um professor não pode admitir que lhe retirem, todos os anos, condições de trabalho, como não pode admitir que retirem trabalho a outros, como não pode admitir, sobretudo, que retirem aos alunos de todo o país condições de aprendizagem.

Os professores permitiram que Maria de Lurdes Rodrigues impusesse disparates como as aulas de substituição ou que retirasse aos professores o tempo necessário para preparar aulas. Tudo aquilo que Sócrates e as suas ministras amestradas fizeram está a ter continuidade com Nulo Crato, que se prepara para aumentar o horário dos professores, indiferente à produtividade, obediente a Vítor Gaspar, o Ministro das Finanças que odeia a economia.

A greve deve ser o último recurso, mas, a ser utilizado, só faz sentido se incomodar, se afectar. As greves de um dia têm constituído, na minha opinião, um modo de entregar ao Estado mais uns tostões. As manifestações são sempre momentos bonitos, mas, pela sua repetição, acabam por se transformar em folclore vazio, em contagem de cabeças, em publicidade enganosa e, sobretudo, enganadora, uma espécie de masturbação colectiva que consola, mas é estéril.

Pelos vistos, os professores optaram, mais uma vez, por deixar ficar a cabeça ao alcance do cutelo governamental, talvez na esperança de que ser decapitado não seja assim tão mau ou esperando que a decapitação atinja outros: no primeiro caso, estará a inconsciência gregária que leva o gado ao matadouro; no segundo, está o puro egoísmo comodista. Assim, é natural que Nulo Crato consiga levar adiante a sua tarefa: não lhe faltarão cúmplices.

Os professores e a Educação estão, há vários anos, a ser agredidos por sucessivos governos. O que fazem os professores, enquanto, a par da dama que têm obrigação de defender, são esmurrados e pontapeados por gente sem vergonha e sem escrúpulos? Querem conversar. E o corpo, que é o país, é que paga.

Comments

  1. adelinoferreira says:

    Portugal sem este professor existia.
    Mas, não era a mesma coisa!

  2. Iggypop51 says:

    absolutamente. Acho k vcs estão N mal representados via sindical. E até vos prejudica.

  3. Mas não havia já aulas de substituição antes da bruxa da Lourdes não sei quantas?

    • Iggypop51 says:

      Faça uma reciclagem. Pode ñ gostar mas ñ tem enganos. Faça de conta k é um telegrama.

      • Uma reciclagem? Eu é que escrevo num português razoável e vossa excelência numa ortografia completamente execrável e sou eu que preciso da tal reciclagem? Cure-se pá.

        • Iggypop51 says:

          Desculpe. Eu tb escrevo e falo Português perfeito. Sempre. Neste tipo de sites é normal usar-se linguagem telegráfica. Num mail claro q é diferente. Se escrevesse o texto mãe, claro q tb usaria Português s/ abreviaturas.

          • Eu não gosto, mas é uma opção sua. Agora para além de ter escrito assim a frase não está bem construída, você enganou-se decerto.

          • Iggypop51 says:

            Onde ? Nas cinco ou seis da ult. mens. Ñ vejo onde
            !

      • José Alberto Aguiar says:

        É miserável o uso e abuso dessa linguagem abreviada.
        Este tipo de agressões constantes à língua portuguesa está a provocar a degradação acelerada da comunicação escrita.

  4. absolutamente. Acho k vcs estão N mal representados via sindical. E até vos prejudica.

    com certeza que deveria querer: eu acho que vocês estão mal representados via sindical, E até vos prejudica.

    Estou errado? Ou percebi mal?

    • Iggypop51 says:

      Só agora percebi a que frase se referia. Assim explico, que N significa muito.

      • Normalmente consigo decifrar, desta vez não consegui. Obrigado. Mas eu de facto não sei se é só por aí. Para mim a renovação dos dirigentes sindicais foi muito mal feita, e depois o comodismo dos professores, e a contínua ilusão que as manifestações irão resolver alguma coisa. Com o Sócrates pode ter resultado na queda de uma Ministra, mas não nas políticas, e Sócrates já era o ponto rebuçado para os donos do euro, mas estava desgastado, e já não dava mais. As manifestações de nada servem, e 74/75 as greves gerais, eram greves gerais, agora não são greves gerais, o medo está imposto, o comodismo também, e algumas, muitas pessoas estão do lado do poder, porque são ignorantes e não percebem o que se passa. E a Fenprof não aprende com isso, e se calhar está à espera que a luta se faça sozinha, ou que as pessoas saiam da sua zona de conforto e comecem a lutar assim do nada. Os profs não vão todos fazer qualquer manifestação, nem fazer greves totais. E os gajos ou não se apercebem disso, ou não estão preocupados com isso. Digo eu.

      • 😀

  5. Maria do Carmo Dias says:

    Grande verdade, infelizmente. Os professores, que deveriam ser pessoas capazes de pensar com clareza e agir de acordo, de reflectir e criticar, baseado em argumentos, não o fazem. Por não serem capazes? Por terem medo de o fazer? Eu aposto mais na 2ª hipótese. No entanto, o facto de tudo aceitarem com o rabinho entre as pernas, retira-lhes força e poder de negociação. Um dia, quando, e se, os professores quiserem levantar voz, irão, lamentavelmente, constatar que já não a têm… nem voz, nem dignidade.

  6. Com a imposição dos diretores todos poderosos e bem pagos quebraram toda a resistência da classe. A pseudo democracia dos CG tranferiu para a política local as desições que antes eram da comunidade educativa.Os poucos professores que nem são a maioria no CG representam pouco e alguns representam-se a si mesmo conseguindo os melhores horários e menos chatices.

  7. Ana Arrabaça says:

    Sou professora e concordo com o desagrado da dita apatia desta classe, que também a mim me indigna. Mas tenho uma questão a colocar-lhe: se não concorda com a greve, nem a manifestação, o que sugere que se faça?

  8. Miguel Xavier says:

    Concordo com este texto, e aquilo que mais me choca é que quem nas escolas coloca questiona certas e determinadas decisões, coloca em duvida determinadas acções das direcções , quem esta com espirito critico acaba por ser considerado mau feitio, revoltado, refilão e afins. Por isso se velja onde e a que estado chegou a educação. Agora que as coisas começam a tornar-se insustentáveis e sem retorno é que se começa a gerar um burburinho e a vontade de protestar.

  9. Não consigo perceber a boca constante contra os agrupamentos. Agrupamentos, mega-agrupamentos ou afins não afetam em nada a qualidade do ensino a meu ver. Diminuem a quantidade de pessoas destacadas para funções administrativas e que até recentemente faziam muito pouco por haver demasiados cargos para demasiado poucas funções.

    Alguém me consegue ilucidar em que medida é que a constituição de mega-agrupamentos diminui a qualdiade do ensino? Sinceramente não vejo, mas posso estar enganado.

    • António Fernando Nabais says:

      Não sei como é sabe que havia pessoas que “faziam muito pouco por haver demasiados cargos para demasiado poucas funções”.
      Os mega-agrupamentos não tiveram apenas implicações nas funções administrativas. Deixo-lhe algumas ligações, com destaque para a primeira: um vídeo em que Nuno Crato, um ano antes de ser ministro, criticava os mega-agrupamentos.
      https://aventar.eu/2012/04/26/julho-de-2010-nuno-crato-critica-os-mega-agrupamentos/
      http://educar.wordpress.com/2013/04/01/sobre-o-actual-modelo-de-gestao/
      http://correntes.blogs.sapo.pt/1698782.html
      https://aventar.eu/2012/03/19/desumanizar-a-escola-um-projecto-pspsdcds/

    • Cidália Luís says:

      Pedro, é Professor?

      Desculpe a minha sinceridade, mas, sé é, não parece!
      Bem vou apenas dar-lhe dois ou três exemplos para um pior ensino com mega-agrupamentos (ma).

      1- Num ma existem milhares de alunos, milhares de EE, centenas de professores. Terá a direção da escola a mesma perceção e conhecimento destes vários intervenientes, e das realidades que lhe são inerentes? Se forem 1000 ou 5000 é igual?

      2- Saberá por acaso que nestes ma existem professores a dar aulas em 2,3 ,4 e mais escolas? Será que quem percorre várias dezenas, quem sabe, centenas de km diariamente, tem a mesma capacidade, motivação e disponibilidade para trabalhar na escola ou em casa?

      3- Não ficarão as secretarias sobrecarregadas de trabalho? Ou acha que vão manter o mesmo número de administrativos? Quando tiver que justificar uma falta ou tratar de outro assunto na secretaria e for obrigado a percorrer alguns, ou talvez, muitos km, isso facilitará a sua vida, e consequentemente o seu trabalho?

      4- E os auxiliares de educação, serão em número igual ao conjunto de AE dos agrupamentos atuais?

      Obviamente que não! Todos estes profissionais passarão a ser menos do que são até agora, mas permitindo deslocá-los entre as várias escolas do ma.

      5- Acha benéfico reuniões de departamento ou grupo com 50, 60, 70 e mais professores? Parece-lhe mais fácil o consenso? Acha mais fácil reunir tanta gente?

      6- E quanto a apoios, psicólogos, recursos e/ou serviços que passarão a ser divididos pelas várias escolas e milhares de alunos do ma?

      Bem, poderia continuar mas não me apetece, penso que já é suficiente para poder refletir um pouco.

      E antes que me diga que algumas destas situações já existem hoje, vou dizer-lhe que sim, mas passarão a existir muito, mas muito mais!

      Será que a disponibilidade, motivação, stress, necessidade de lidar com um maior número de pessoas poderá obter os mesmos resultados?
      OBVIAMENTE QUE NÃO!

      Enquanto em Portugal se centralizam serviços, nos outros países, faz-se exatamente o contrário. Porque será que esses países são mais produtivos?

      Quanto mais centralizados menos humanizados! Para quem são os serviços, não são para o Homem?

      O sucesso no Ensino não está apenas na sala de aula, está em tudo o que se refere ao meio escolar! Todos os agentes contribuem, ou não, para o seu sucesso educativo.

      • Largue o acordo ortográfico que não lhe faz nada bem.

        • Cidália Luís says:

          ???????????????

          • Que amor é que tem ao acordo ortográfico! Esse acordo provocou o caos total na escrita portuguesa. E foi imposto por um dos opositores ao ensino público de qualidade, o Cavaco Silva. Esse senhor que odeia professores, odeia a escola, odeia tudo o que tenha a ver com aprendizagem.

        • Cidália Luís says:

          Ok Pedro…concordo consigo! Só estava na dúvida quanto ao “tom” do seu comentário!!!
          Devo dizer-lhe, que não gosto, nem concordo com a maioria das alterações introduzidas e, muitas vezes, fico na dúvida se o devo (em consciência) utilizar. É ainda recente esta minha “adesão” ao acordo e com muita renitência, embora não pareça!

          • O acordo falhou em tudo, não é difícil rejeitá-lo. Este acordo nada trouxe de bom, não unificou, provocou o caos, quando devia haver só um vocabulário, existem vários, é cada vez mais visível que as pessoas estão descontentes, que o caos está mesmo provocado. E se quiser ler sobre quem percebe melhor da “poda” o Sr. Nabais e o Francisco Miguel Valada têm um infindável número de texto sobre eles, e que demonstram que o caminho a seguir é mesmo rejeitar o dito. Boa noite, e força na luta por uma escola pública, com qualidade no ensino e respeito pelos professores, alunos, funcionários.

      • Sou sim. E na escola onde trabalhava para ir ter com o diretor da minha área era mais fácil encontrá-lo no café ou no recreio do que a trabalhar no gabinete ou em reuniões ou a fazer seja lá o que fosse de administração da escola.

        1) A maior parte dos diretores têm pouco ou nenhum interesse em conhecer o meio. Basta ver os copy pastes que se fazem com os Projetos Educativos em quase todas as escolas. Pequenos ou grandes, a maior dos diretores não desempenha essas funções tendo esses elementos que listou por objetivo.

        2) Estou num agrupamento onde as escolas estão a 30 km 40 km de distância umas das outras. O bom senso a fazer horários impede que os de uma ponta se tenham de deslocar para a outra. Quem faz os horários não é o ministério.

        3) As fusões implicam aumentos de eficiência dos funcionários e não o contrário. trata-se de uma gestão mais eficiente de um mesmo recurso e não tem nada de negativo por si só. Ter menos funcionários do que o necessário é negativo em MA ou sem eles.

        4) Mesmo que 3

        5) Até concordo

        6) Mesmo que 3

        Em minha opinião, aumentar a eficiência dos recursos disponíveis é bom e necessário, e sinceramente continuo sem ver as desvantagens (fora a questão das reuniões de departamente que são bastante confusas e inúteis por sinal)

        • Cidália Luís says:

          Quanto aos directores, devo dizer-lhe, penso que também o saberá, existem bons e maus profissionais em qualquer área e/ou função!

          1- Não concordo! Sou Professora há 13 anos, passeis por 14 ou 15 escolas (já lhe perdi a conta) em diversos pontos do país e, tirando 1 ou 2 excepções não foi isso que constatei;

          2- Essa “coisa” do bom senso, é uma “coisa” que muita gente não tem! Bem sei quem faz os horários!
          E quem paga as deslocações aos professores? Acha que deveremos pagar despesas que estão ligadas à administração do Estado? Então o Estado deve, e bem, gerir melhor e melhorar a sua eficiência, mas deverão ser os professores e demais funcionários a pagar?
          E o tempo que perdem nas deslocações?
          E o cansaço acumulado?
          Já trabalhou em mais do que uma escola?
          Eu já! E posso dizer-lhe que é esgotante!!! E, uma das vezes, nem era assim tão longe!
          Quanto mais escolas, mais formas de funcionamento, mais nomes, mais serviços e horários precisará de conhecer.

          Parece-lhe pouco? talvez!
          Mas já ouviu dizer que muitas gotas de água fazem um oceano?
          Pois é…pequenas coisas, todas juntas desgastam, desmotivam e prejudicam!

          3- Concordo com a eficiência, mas não com a eficiência portuguesa. Em Portugal, 95 % das vezes que se apregoa esta eficiência a intenção é a de cortar direitos e garantias dos utentes/cidadãos. (atenção que não estou a falar em trabalhadores)

          Todos nós sabemos que a intenção é fazer omeletas sem ovos!!!

          Já experimentou ir a um Hospital daqueles em que os serviços foram centralizados? Quantas horas aguardou para ser atendido na urgência? Quanto meses ou anos levou a ser chamado para uma consulta de especialidade?
          Pois eu sei!
          Horas e horas nas urgências!
          Meses e anos para ser chamado para uma consulta, esperei 2 anos por uma!!!
          Neste momento estou à espera de uma consulta para a minha filha há 3 meses, e tem uma certa urgência, imagine lá se não tivesse!!!

          Obviamente que ter menos funcionários é negativo em qualquer situação, mas se já eram poucos, passarão a ser ainda menos.

          Acredita mesmo que a intenção é a da eficiência ou é apenas crédulo?

          Já viu os governantes dos últimos anos cortarem efectivamente as gorduras? Os excessos? Os desvarios de muitos ministros, deputados, gestores, autarcas, os estudos e pareceres que não servem para nada, a não ser para manipular a opinião pública ou para dar a ganhar a empresas, onde, muitas vezes, são accionistas ou co-interessados, etc, etc, etc.

          Isso sim, seria procurar a eficiência!
          Bem sei que não era suficiente para corrigir as finanças públicas, mas era por aí que deveriam começar!

  10. Cidália Luís says:

    António Nabais,

    Não poderia concordar mais com as suas palavras! Há anos que digo, ou escrevo, a mesma coisa. Parabéns pela sua reflexão! Mostra que ainda existem professores com sentido crítico!!!

    Acrescentaria apenas duas coisas:

    1- Não será preferível prejudicar os alunos um ano? Exigindo por exemplo o cumprimento integral do horário na escola, recusando-nos terminantemente a fazer qualquer tarefa fora deste horário, incluindo preparações, correções, reuniões e outros ões???
    Não será preferível prejudicá-los um ano fazendo uma greve às avaliações? E não me refiro apenas aos exames!

    Ou será preferível prejudicá-los pelo resto do seu percurso escolar? Pelo resto da sua vida?
    Sim, é exatamente isso que estamos a permitir e a patrocinar com a nossa apatia!!!

    2- Lamento, mas vou dizê-lo, mesmo sabendo que corro o risco de provocar uma discussão.
    Que classe é esta que ensina, ou talvez não, mas não sabe ler, interpretar, não se informa, não se esclarece, não sabe os seus direitos e deveres, não tem sentido critico, não “luta”, não tem consciência do bem coletivo, é invejosa e intriguista?

    O QUE ENSINA ESTA GENTE?
    SÃO APENAS OS CONTEÚDOS CIENTÍFICOS QUE FORMAM O CIDADÃO?

  11. leninha says:

    Trata-se de uma classe desgastada, cansada, desiludida e contagiada por um medo constante de ficar sem emprego! Que recebe pouco e que trabalha muito, sob pressão, seja dos alunos, dos pais, das próprias escolas ou do Ministério. Que tem a “obrigação” de formar indivíduos com os mínimos recursos, com extensos programas para cumprir em pouquíssimo tempo e que se vê enxovalhada por aqueles que não sabem o que é preparar uma aula, pensar na melhor forma de transmitir informação e de motivar os alunos na tentativa de consegir um ambiente de partilha e de discussão, preparando os alunos para o futuro. Não é fácil! Trazemos o trabalho para casa, as preocupações com este ou aquele aluno, que estratégias podemos implementar, que actividades desenvolver, ou seja, mais fichas, mais pesquisa, mais horas de sono perdidas, mais fins de semana em frente ao computador em vez de desfrutar dos amigos e da família.
    Por que não tomamos outras medidas de luta? Porque na sua maioria iriam afectar a qualidade de ensino dos nossos alunos, colocariam em causa a sua formação e, lamento ter de dizê-lo a mentes tão pouco instruídas sobre o tema, um bom professor não é egoísta, pensa primeiro nos seus alunos e só depois em si no que concerne ao seu trabalho. É assim que somos, apesar de nos verem como uma classe abandalhada.
    Podemos ser muita coisa, é verdade, mas não somos reconhecidos pelo que fazemos, ou tentamos fazer de positivo. Atacar sem se conhecer a realidade do outro demonstra, simplesmente, ignorância.

    • Oh Leninha, quem escreveu o artigo é PROFESSOR! E se acha que deve continuar sentadinha à espera que alguém lute por si, vai ver que a escola será bem pior que no tempo do Salazar, e isso não é de todo uma preocupação com os alunos.

    • António Fernando Nabais says:

      Cara Leninha
      Concordo, em absoluto, com o primeiro parágrafo do seu comentário.
      Por outro lado, como deve calcular, discordo, em parte do conteúdo do segundo parágrafo. Reconheço que fazer, por exemplo, uma greve aos exames nunca será uma decisão fácil, porque é evidente que isso será prejudicial aos alunos. O problema é que, desde 2005, os vários governos andam a tomar decisões que têm contribuído para uma progressiva ruína da escola pública, sem atender, minimamente, às várias críticas e sugestões vindas de indivíduos e instituições ligadas ao ensino, sem ouvir greves ou manifestações. O diálogo com o ministério é inútil, na minha opinião.
      Há demasiado conformismo entre os professores, mesmo que esse conformismo nasça das melhores intenções. Esta é a minha opinião. Ao não usarmos, finalmente, a bomba atómica da greve aos exames ou às avaliações, estamos, no fundo, a colaborar com Nuno Crato, esse (in)digno sucessor das duas antecessoras.
      Procuro escrever com conhecimento de causa: sou professor há vinte e seis anos e sou filho e irmão de professoras. Criticar não é o mesmo que atacar e o enorme respeito que tenho pela minha profissão não me inibe de dar as minhas opiniões. Esta é a minha crítica: chegámos a um ponto em que continuar sem reagir verdadeiramente é criminoso. Para bem da Educação.

      • Cristina Flores says:

        Bom dia

        1) os professores são apenas um resíduo mínimo de uma sociedade que aceita imposições nacionais e estrangeiras sem se revoltar, calada e de cabeça baixa; sociedade que aceita pagar aos bancos e credores e intrínsecos administradores que fizeram maus investimentos, mas que nunca são confrontados nem punidos por tal; e cuja única consequência é a população activa (em especial os funcionários públicos porque outros continuam a fugir aos impostos) que paga;

        2) As greves rotativas aos exames são as únicas que resultam. Temos experiência anterior. As outras greves mais não servem para oferecer dinheiro aos cofres do Estado. Mesmo que prejudiquem os alunos minimamente, uma greve tem obviamente que ter repercussões negativas (por isso mesmo é uma greve). E ou se assume essas repercussões ou não.

        3) por outro lado se o Ministério vem com a bandeira que as greves aos exames prejudicam os alunos, porque não olha para as circulares e decretos que continuamente chegam às escolas e são publicados, que não dão paz e tranquilidade às escolas para trabalhar; Obviamente os senhores que os fazem não trabalham nas escolas e a maioria percebe de educação de gabinete. Basta referir os concursos de professores ( que estão a prejudicar intensamente alunos, professores e famílias), a promulgação de metas curriculares que vieram encher um pouco mais os bolsos da editoras e causam o caos nas salas de aulas, em que os alunos têm 2 tipos de livros, com páginas diferentes, exercícios diferentes, etc; isto a meio de um ciclo de adopção de manuais, numa época de crise em que custa muito às famílias comprarem os manuais para os seus educandos. Isto não prejudica os alunos? As famílias?
        Antes do Ministério abrir a boca clamando o bem estar dos alunos, que pense no que anda continuamente a fazer ao longo de anos e anos, em que alunos carenciados são discriminados porque os pais não conseguem pagar antecipadamente os livros e só depois receberem o cheque escolar; em que os alunos com necessidades educativas cada vez têm menos professores de apoio, em que o ensino público continua a ser preterido em favor de um pretenso ensino privado, com escolas a 500 metros de escolas públicas que oferecem o mesmo currículo e discriminam deficientes, alunos de outras etnias, etcetc. Muito haveria a dizer. Não é tempo SÓ de os professores se levantarem e erguerem a cabeça, é tempo da SOCIEDADE em geral se levantar e erguer a cabeça e enfrentar de uma vez por todas estes políticos de carreira, que não têm outros empregos e dispõem do nosso futuro e do que é pior, do futuro dos nossos filhos.

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