Cartas aos Mestres (I)

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Caro Mestre Cissé,
Tu que és “o melhor cientista que actua em Portugal e na Europa” em matéria de ciências ocultas, que és capaz de “supermagias negras e brancas”, resolvendo “em poucos dias e com eficácia qualquer problema”, tu que tens toda essa experiência acumulada de resolução formidável de tão vasto leque de sarilhos humanos, e cuja obra decerto merece o respeito da comunidade mundial de mestres milagreiros, faz o que estiver ao alcance do teu talento mágico Mestre, para tirar o mais depressa possível os portugueses da situação de calamidade social a que as políticas austeritárias os conduziram. Ajuda Mestre a que este Governo traidor do seu povo possa ser o mais rapidamente possível demitido e convocadas eleições legislativas.

Não esqueças porém, antes de dares por terminada a tua intervenção mágica, de estender a tua acção à Comissão Nacional de Eleições, levando a que difunda, em todas as televisões e em horário nobre, um programa consequente e de linguagem clara de apelo ao voto, que possa cabalmente explicar aos ignorantes as consequências dos actos impensados em que se obstinam, mesmo se julgando fazer bem. Que esse programa possa levar a maioria dos abstencionistas (doentes do espírito Mestre, atingidos pela descrença na redenção) a compreender que foi justamente esse quero-lá-saber relativamente à participação na vida política do País que nos conduziu aqui (um Governo eleito por uma minoria de votantes), e que não é abstendo-se de votar e/ou fugindo do País que poderão alguma vez começar enfim a construí-lo.

Age ainda Mestre de tal modo a que possam os actuais responsáveis pelos crimes de traição ao povo e abuso de poder do Estado sobre os cidadãos ser em tempo útil julgados, impedindo que aos padecimentos passados, provocados pelo branqueamento dos crimes do Estado Novo, se acrescentem novas doenças à memória histórica dos portugueses. Que o teu contributo mágico para a cessação do sofrimento do povo de cuja Língua e História és um herdeiro possa honrar os melhores laços que a ele te unem. Assim seja.

Comments

  1. Antonio Caldeira says:

    Entre “fugir” do país ou ficar e morrer de fome, gostaria que me dissessem a que porta tenho de ir bater para encher o estômago com o meu nacionalismo. E não, ainda não estou disposto a recorrer às Sopas dos Pobres.
    Amo o meu país mas não estou disposto a pactuar com os canalhas que o tomaram de assalto. Sou português expatriado à força pela corrupção e pela mesquinhez mas não baixei os braços, faço pela vida e só tenho uma bandeira, aquela que agora insistem hastear de pernas para o ar…

  2. celesteramos.36@gmail.com, says:

    Acho interessante a declaração de A.Caldeira e se serve de algo direi que meus pais nasceram entre as duas guerras mundiais à que se seguiu a de Espanha – imagine que meus pais e eu e outros como eu se piravam para o estrangeiro por estarem descontentes . foram meus pais e eu e gerações como a minha que construíram o país onde o senhor nasceu e usufruiu do ensino e saúde gratuitas enquanto eu tive de trabalhar para estudar e construí a parte que me cabe para o senhor ter DIAS de bem estar e liberdade – claro que é livre de “dar à sola” e até ir trabalhar para o país que destruiu a europa (e Portugal) que é mais velho e de paz mas como o senhor tem DIREITOS que eu ajudei a construir, goze sim os seus direitos TODOS mas pense se tem algum dever ao menos para com seus pais que eventualmente não são da “realeza” da Ibéria e ao menos pergunte-lhes e ao menos pense se pode fazer algo pelo país, um país que lhe deu TUDO – mas agora não serve – pos vá, com o outros como você, para homeless em Genève como estão muitos que já não encontraram a suissa que FOI (e que portugueses emigrantes humanizaram) – vá vá-se embora – não terá nunca lugar onde se esconder de si mesmo se é que aprendeu algo na vida a não ser o seu bem estar que pelos vistos lhe deram e agora lhe tiram (só a si ??) Vá não faz cá falta – ficaremos nós os velhos que fizemos o país e agora nos tratam como VOCÊ

  3. celesteramos.36@gmail.com, says:

    Ou vá jogar futebol – ainda pagam muito bem – eu também não tive o emprego que quis até encontrar o trabalho que quis – para você viver pois que uma parte do meu trabalho pagou todas as REGALIAS que encontrou – está em dívida para comigo e outros tantos como eu

  4. celesteramos.36@gmail.com, says:

    De facto vou xatiar o senhor que aqui escreveu queixando-se de que os velhos acham sempre que a juventude já não é o que era (no meu tempo) – Ai não não são embora não tenham só a 4ª classe como a maioria que fez o país e não puderam estudar coisa que fez mas nada lhe ensinou que vala a pena – vá desapareça e nem volte porque se voltar encontra um país só com VELHOS

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