Hoje todos os caminhos vão dar a Braga

Color run
Pelo menos os que eu conheço.
Hoje é a terceira Color Run de Portugal. E a terceira cidade escolhida para receber «os 5k mais felizes» foi Braga.
Hoje é a minha terceira Color Run.
Estou com a Color Run desde a primeira corrida, que teve lugar em Matosinhos, no dia 7 de Abril. A de Matosinhos foi a primeira Color Run da «Europa e até de Portugal (!)», isto para parafrasear alguém, porque fica sempre uma citação, nem que seja de um qualquer cidadão anónimo.
Em Matosinhos fui voluntária. Estive a «dar cor», por sinal azul, aos corredores coloridos. Adorei a experiência. Mas queria experimentar estar do outro lado. Aliás, inscrevi-me como voluntária porque hesitei em comprar o bilhete para correr e, quando finalmente me decidi, os bilhetes tinham esgotado.
Decidi, então, que haveria de ir a Coimbra como «runner». E lá fui. Foi um dia memorável! Coimbra ganhou mesmo mais encanto para mim e para as minhas companheiras de aventura.
Para Braga voltei a inscrever-me como voluntária e voltei a ser seleccionada. Gosto mesmo de «dar pó» ao pessoal, não deixar que lhes falte a cor, mas hoje estarei a controlar as entradas dos corredores. De qualquer modo, como «despegarei» cedo do serviço, ainda tenciono ir dar uma mãozinha numa Color Station da minha preferência.
Embora pareça algo de muito parvo, pagar para que nos sujem, e pensando bem, até é algo mesmo muito parvo, é, em simultâneo, algo de maravilhoso.
Sei que os meus companheiros do Aventar não são apreciadores, vi isso quando os desafiei a formar equipa para Coimbra. Ninguém gostou da ideia. Talvez eu seja a mais patêga do pessoal que por cá escreve.
Mas por que raios é que uma mulher de 43 anos com duas filhas pequeninas precisa de ir a Color Runs? Por que raios precisa ela de trabalhar de borla?
Vivi uma vida cinzenta durante muito tempo. Vivia para o trabalho e para a vida familiar. Anulei muitos dos meus desejos. Fiz a asneira que muitas pessoas fazem. Fiz o que achava ser o meu dever. Mas o trabalho deixou de existir e a vida familiar ia ruindo.Fiquei sem nada. Percebi que para bem das minhas filhas, para bem da saúde da minha família, o meu dever é ser feliz. É estar de bem com a vida. Só estando bem e dedicando-me apaixonadamente a algo de diferente é que sou verdadeiramente feliz.Percebi que o conzentismo não me fica bem. Deprime-me, amargura-me e faz-me mal. A mim ficam bem as cores.
E numa fase da minha vida em que tudo insiste em puxar-me para baixo, em que tudo parece conjugar-se para me deprimir e não me deixar acreditar no futuro, numa fase em que não me deixam exercer a profissão que escolhi e nao encontro alternativas, preciso de acreditar em algo de diferente. Preciso de fazer algo de diferente. Preciso de me apaixonar por algo de diferente.
A Color Run é uma paixão. Só percebe quem lá vai, quer seja como corredor, quer seja como voluntário.
Tendo, agora, ambas as experiências, penso que a minha paixão maior está do lado dos bastidores. Contribuir para que outros sejam felizes. Ser feliz com eles. Fazer parte de algo maior, de uma organização que trata bem os seus voluntários. Pertencer a um grupo de pessoas que imediatamente criam laços. Integrar uma equipa jovem (é verdade, eu sou uma das poucas cotas lá no meio e nem por isso me sinto mal). Partilhar ideias e boleias. Conjugar esforços e almoços. Combinar trocas e baldrocas.
Pertencer. É disso que se trata.
Feliz Color Run a quem lá for, nem que seja só para ver.

Comments

  1. Mário Reis says:

    ?!??

  2. Miguel says:

    Noémia, já uma altura lhe dei os parabéns por um post.

    E lhos dou mais uma vez.

    Quem não a percebe, não sabe o que é realmente ser feliz.

    Um grande abraço!

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