Sezon ogórkowy

1307449167_jpeg-147D8E008C1FDFFF-20110607-img_30783026_1633789_2_dpa_Pxgen_r_Ax541

Francisco Sosa Wagner (Reuters/UE: http://bit.ly/1cngda6)


Revejam o primeiro ‘Machete’, por favor: é um péssimo filme, mas tem uma cena em que Danny Trejo abre a barriga a um tipo e usa os seus intestinos para fugir pela janela de um hospital. É a imagem perfeita deste país: esquartejado e, ainda assim, cheio de penduras. Não admira que o Portugal de hoje dê a volta à tripa a qualquer pessoa de bem.

João Miguel Tavares, Público, 30/7/2013

Em trânsito para voluntário retiro nas margens do Neckar e depois de reflectir profundamente acerca de alguns dos episódios mais interessantes deste Verão (como as linhas em epígrafe), confesso a minha indecisão entre redigir uns dois ou três parágrafos sobre esta excelente série, com desnecessária incursão por memórias das minhas peregrinações a Tormes e a S. Miguel (se Seide ou Ceide, lá mais para a frente, passada a época dos pepinos, falaremos), compor umas nótulas soltas acerca da surpreendente querela Chomsky / Žižek  – a propósito, ofereço-vos quatro episódios (Chomsky Ataca, Žižek Responde, Chomsky Contra-Ataca  e Žižek Volta à Carga) e dois bónus (Afirma Thompson e Investigações Starkianas) – ou tecer umas inoportunas e estivais considerações, depois de conhecido este momento histórico (vale a pena ler o artigo de Teresa Firmino, no Público).

No entanto, em vez de redigir, compor, tecer, ou de me deixar enredar no espírito época dos pepinos ou serpientes de verano, preferi debruçar-me sobre outro assunto importante (sim, aquele) e a culpa é da minha Ministra da Educação.

Há dias, ao terminar a leitura de excelente e esclarecedor texto de Maria do Carmo Vieira, deparei-me, ao lado, com artigo da autoria de Noémia Neves Anacleto, grafado de forma assaz duvidosa — convém esclarecer que o Público é peremptório: “Os artigos publicados nesta secção [Espaço Público] respeitam a norma ortográfica escolhida pelos autores”.

Neves Anacleto refere vários aspectos importantes, aos quais não devemos nem podemos ficar indiferentes. Quando menciona um “parecer da OA [Ordem dos Advogados] sobre a co-adoção [?]” e alude quer à “questão da co-adoção [?]”, quer à reafirmação de posição “contra a co-adoção [?]”, quando lembra o “projeto [sic] de lei da co-adoção [?] e volta à carga com uma “opinião sobre a co-adoção [?]”, Neves Anacleto ajuda a desmentir de forma cristalina uma das frases mais arrepiantes deste relatório (objecto de análise preliminar no Bic Laranja) e que traduz opinião do Ministério da Educação: “a transição tem sido feita sem dificuldades de maior”.

O GTAAAO (pelos vistos, deixou de haver qualquer perigo de ingerência) afirma não possuir “dados objetivos [sic] sobre a aplicação mais generalizada do Acordo, a nível da sociedade”. Ora, das diversas virtudes que podem ser apontadas ao texto de Neves Anacleto, a objectividade acerca da aplicação do AO90 “a nível da sociedade” é, sem sombra de dúvida, uma delas. É claro que escrevi, poucos dias antes, no Público, isto é, exactamente no mesmo jornal em que Neves Anacleto nos oferece cinco *co-adoção, um artigo em que cometi o pecado (é vício antigo, perdoai-me) de remeter para a leitura do AO90. Claro, pois e evidentemente. Em relação a isso, contudo, se não pepinos, pelo menos, batatas.

Como nos pronunciamos acerca de dados objectivos, convém sempre lembrarmo-nos do Diário da República:

Em conformidade com o n.º 4 do artigo 14.º do Decreto –Lei n.º 204/98, de 11 de julho [sic], assiste ao júri a faculdade de exigir a qualquer candidato a apresentação de documentos comprovativos de fatos [?] por eles referidos que possam relevar para a apreciação do seu mérito.

De facto e efectivamente, já o ILTEC, em parecer, manifestara preocupações acerca da situação que denuncio neste depoimento. Contudo, é importante verificar-se que, passados mais de cinco meses, nada (sim, nada) se fez.

A propósito do relatório, seria importante que todos reflectíssemos acerca destas considerações nele contidas:

  • “Introduz dissensão e divergência, em casos onde havia a mesma grafia – ex. aspeto (pt) e aspecto (br)”

e

  • “Introduz divergências ortográficas que não existiam antes – ex. receção/recepção”.

Sim, apesar de tudo e para que não haja dúvidas, convém sempre repetir.

Voltarei depois das aulas, dos seminários, da biblioteca, da Odenwald e do Neckar.

Até Setembro.

Trackbacks


  1. […] outros exemplos, pois há. Por falar em sprachlos, peço imensa desculpa por esta publicação: a interrupção segue dentro de […]

Deixar uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.