O Benfica merece tudo, já o País é outra história

eleitor_zangado

«O Benfica merece tudo», diz uma senhora que há horas esperava que a equipa do Benfica chegasse ao Estádio da Luz, relativizando a espera, o calor, a estafa, o empate. Pasmo-me a ver o povo assim mobilizado, espanta-me a resiliência, o carinho que dedicam a uma ideia de comunhão, aquilo de que são capazes por um clube de futebol. Nada tenho contra o clubismo – uma parte de mim é gloriosamente do Benfica, outra da Selecção Nacional – a não ser o facto de se substituir a causas maiores, mais importantes, verdadeiramente determinantes para a vida das pessoas.

Parte substancial dessas massas de adeptos abstem-se de votar, por vezes com o mesmo orgulho com que se dispõem a esperar pela chegada dos jogadores, alheados da realidade política de que são parte, tudo parecendo ignorar sobre um sistema eleitoral que faz do voto bastante mais que um direito, empenhados na abstenção com a firmeza dos que assim agindo pretendem punir a classe política. Olham para as acções de campanha partidárias com a displicência de quem vê passar a banda, com o voto deles é que não contam, isso é que era bom, que eles não andam a dormir. No dia de votar, terão mais que fazer.

Comments


  1. Os políticos são muito mais incompetentes que os futebolistas…

    • César das Naves says:

      A questão não é essa.Ou melhor se calhar é mesmo essa. Trocando por trocados,como os “políticos” são mais incompetentes, há que nos voltarmos para os competentes futebolistas.
      Trocando por miúdos, é bom irmos cantando e rindo atrás da bola, enquanto nos dão bola à sombra da competência dos artistas que antes actuavam no coliseu
      Trocando por tostões, o resultado de tudo isto é a manutenção do status quo,O que é precisametne o que querem os verdadeiros artistas que comandam não só a bola e os seus negócios, como também a governança nacional.
      Entretanto os “políticos tidos como todos iguais” é a panaceia desculpabilizadora para os assistentes das competências futebolistícas ( mas não só) deixarem de exercer o seu voto.
      E sem voto…a merda continua.
      O que é , trocando por centavos, o que querem de facto os veros artistas que manipulam não só as bolas, (o que não é verdadeiramente importante), mas que manipulam ,aniquilam,arruinam,empobrecem roubam e troikam Portugal e os portugueses.

    • Sarah Adamopoulos says:

      E o povo é tão incompetente quanto os políticos, que emanam do povo como está bom de ver.


  2. excelente Sarah, vindo de uma benfiquista tem ainda mais significado 🙂


  3. Não é isto que se chama alienação?

  4. Fernando says:

    A Sara e’ uma felizarda – futebolisticamente falando .
    Uma parte de si e’ gloriosamente benfiquista.
    Sinto inveja de nao ser assim.
    Eu adorava poder ocupar o meu tempo a falar de futebol.
    Borrifar-me para a crise. Dizer que os politicos ganham bem e governam mal.
    Ao contrario, os jogadores podem jogar mal, mas ganham bem.
    Carregar uma bandeira as costas, enfiar na cabeca um bone clubista. Por na minha veranda uma bandeira portuguesa, ainda que feita na China.
    Defender – ate a’ agressao verbal ou fisica – o meu clube ou a minha seleccao. Ser treinador de café. Cronista desportivo no local de trabalho.
    Resumindo: lixar-me para tudo o que gire a minha volta, menos para o futebol.
    Enfim,,,ser um bom portuga. Igual aqueles portugas que vivem na minha comunidade, que para se afirmarem ou mostrarem que sao “bons” portugueses, envergam uma camisola com o logotipo da FPF ou escarrapachado nas costa o nome de um jogador.
    Mas….triste de mim , nao sou assim.

    • Sarah Adamopoulos says:

      Registo a sua ironia, bem percebo o que quer dizer. Mas não se engane: não sou essa fervorosa, não “ocupo o meu tempo com o futebol”, e muito menos me estou a borrifar para a crise. Foi só uma maneira de dizer que compreendo o povo, o Benfica, a Selecção Nacional, esse fenómenos de massas, essa alienação formidável, essas bebedeiras de patriotismo à boleia do negócio do futebol: o que mais há num país em que a educação e o acesso e fruição da arte não interessam jamais os governantes?


  5. temos que mudar as regras de modo a que os politicos deixem de ser estes inuteis e por vezes lobistas perniciosos e passem a “jogar” bonito como fazem os Enzos deste mundo.

  6. s.a. says:

    Não é o povo que muda as regras, são os seus representantes, eleitos pelo povo, que as votam na Assembleia da República.

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