imbecilidades do jornalismo português

confesso que já assisti a estágios de preparação da selecção para competições internacionais mais animados que este. antigamente, sempre que a selecção ia jogar uma grande competição internacional, algo de maravilhosamente extraordinário acontecia nos estágios de preparação. na primeira fase de estágio que a selecção nacional está a realizar em óbidos, os jornalistas presentes são piores que os putos nos dias de viagem para o destino de férias da família. pelo meio de conferências de imprensa que não lembram nem ao diabo, acabam por preencher os espaços informativos a que tem direito com a frase da praxe dos garotos para os pais nesses precisos dias: “já chegamos? falta muito para chegarmos?” ou como quem diz “amanhã chega finalmente Cristiano Ronaldo” – imagino portanto que os mais precavidos já terão comprado um calendário para riscar os dias que faltam para chegar o savior desta desgraça lusitana em terras brasileiras, limitando-se a poupar tempo na lavra do artigo para a edição do dia seguinte: “Rafa treinou condicionado mas não deve ser dúvida para o jogo contra a Grécia. Nani chegou com mazelas físicas mas não há problema para o fisioterapeuta António Gaspar… Ronaldo chega dentro de 2 dias” – risca-se a parte “dentro de 2 dias” e acrescenta-se “amanhã…” e está feito – editor que é editor papa isto do mesmo jornalista durante anos.

não sou do tempo de saltillo mas, tanto o meu pai como o meu avô, amigos de actores que fizeram parte do elenco de 1986, fizeram questão de me pintar a manta sobre o direito que os jogadores obtiveram junto do seleccionador de então de dormirem com as suas mulheres em vésperas de jogos ou, da pedincha que quase resultou em greve nas vésperas do jogo contra a Inglaterra por causa dos direitos de publicidade.

em 1996, apesar de tal situação não ter ocorrido na preparação para a fase final de uma prova internacional, nas vésperas do decisivo jogo contra a República da Irlanda (no qual os irlandeses foram para casa com aquele mítico chapéu de aba larga de rui costa; o quanto eu chorei com aquele golo do rui costa) vieram as prostitutas para o quarto de oliveira. conheço quem (antigo dirigente da FPF) me afirme com toda a pujança que, nessa fantástica noite, naqueles quartos dos jogadores da selecção portuguesa, só faltou mesmo a presença da torre dos clérigos.

em 2002, já com a selecção em Macau, soube-se que Daniel Kennedy, surpresa de última hora de oliveira nos convocados na turma das quintas, acusava uma substância proibida… ao mesmo tempo em que Fernando Couto (entre outros; na altura qual era o jogador que alinhasse no campeonato italiano que não se dopasse?) podia actuar na Coreia com substâncias proibidas no organismo.

em 2004, Scolari era criticado por apostar em todos os jogadores excepto na matriz vencedora de Mourinho. os desaguizados com Pinto da Costa e a teimosia do brasileiro caíram por terra frente à Grécia.

em 2008, nas vésperas do europeu, surgiam os primeiros rumores que afirmavam que Scolari não iria renovar com a FPF. a meio do torneio (para mim, aquela declaração de Scolari continua a ser o game changer que nos impediu de vencer o torneio) o brasileiro tratou de sabotar a moral construída na equipa com as duas vitórias alcançadas nos dois primeiros jogos da fase-de-grupos ao afirmar a veracidade dos rumores e a assinatura de contrato com o clube londrino.

em 2010, Carlos Queiroz virou literalmente o texas (e as fuças de um dos médicos da agência) quando os médicos da AdOP irromperam pelo centro de estágios onde se encontrava a selecção na Covilhã para controlar determinados jogadores (escolhidos aleatoriamente pela agência anti-dopagem), entre os quais Nani. Até ao dia de hoje, não se percebe bem o que é que se passou naquele triste episódio, se bem que Queiroz sempre se afirmou desagradado com o facto da agência (a cumprir um procedimento que tradicionalmente é requerido pela FPF nas vésperas de uma grande competição internacional) ter importunado o descanso dos jogadores naquela fantástica madrugada.

intercalados pelo tempo, aparecem sempre os magníficos prémios de jogo. se com a geração de ouro os prémios de jogo oferecidos pela federação eram sempre discutidos cêntimo a cêntimo, com as novas gerações do futebol português, tem existido uma maior assertividade na oferta feita aos jogadores pelo organismo dirigido pelo Rei Gomes.

ao 7º dia de estágio da selecção nacional, o melhor que tivemos sucedeu hoje quando um jornalista mais brincalhão decidiu baralhar a cabecinha ao Rui Patrício com um daqueles estudos malucos que certas universidades fazem para terem algum mediatismo nestas alturas. o tal que afirma que a selecção portuguesa tem 1% de probabilidade de ganhar este mundial. tanto? – interrogo-me. o patrício afirmou não perceber muito de matemática. não é só de matemática que não percebe o guarda-redes do sporting. por vezes também não pesca nada dos cruzamentos que bombeiam para a sua área de acção. ainda compreendia se esta pergunta viesse do mundo imaginário do palerma do Nuno Luz, mas, desta vez não veio.

a ver vamos se a chegada de Ronaldo traz algum excitement à coisa…

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