Chantagem e cobardia: a lição do PàF

epa04865535 President of PSD (Social Democratic Party), Pedro Passos Coelho (R), greets the CDS-PP (Social Democratic Party) president, Paulo Portas (L), in Lisbon, Portugal, 29 July 2015, during the presentation of the coalition electoral programme for the upcoming legislative elections that will take place 04 October. EPA/MARIO CRUZ

O PSD e o CDS-PP, apesar de coligados numa só espécie de partido, pretendiam ter dois representantes no debate de 22 de Setembro, organizado pelos 3 canais nacionais em simultâneo. O Partido Socialista, e posteriormente a CDU, opuseram-se, e bem, à tentativa de Passos Coelho de trazer consigo o número dois da lista da coligação por Lisboa. Se as propostas são as mesmas e não há nada que os separe, qual é a necessidade de estarem lá duas pessoas para dizerem exactamente o mesmo?

Primeiro foi Paulo Portas quem ficou zangado por ser excluído. O líder do CDS-PP não queria ser tratado como Heloísa Apolónia mas a verdade é que o seu partido é o equivalente aos Verdes na coligação PàF. Marinho Pinto, Rui Tavares, Gonçalo da Câmara Pereira ou Garcia Pereira ficam de fora mas este indivíduo acha-se no direito de estar presente num debate onde o objectivo é ouvir o que têm para dizer os líderes das principais forças políticas em confronto, algo que Portas deixou de ser no dia em que transformou o partido que lidera num anexo do PSD. O próprio comunicado do PàF não bate certo com as exigências dos seus líderes:

As eleições legislativas do próximo dia 4 de outubro merecem, pela sua importância, um período de debate e esclarecimento aos portugueses sobre as alternativas, o trabalho realizado e as propostas eleitorais dos diferentes partidos políticos

Mas a alternativa do PSD e do CDS-PP não é exactamente a mesma? O trabalho realizado não foi comum? As propostas eleitorais dos partidos não convergiram num programa comum? Fazendo uso das críticas endereçadas ontem por Luís Montenegro ao PS, fica a sensação que a coligação também “já não diz coisa com coisa“.

Perante a possibilidade de “inconseguir” uma representação superior à dos seus adversários no debate, a coligação recorreu à chantagem e ameaçou não participar caso Portas não esteja presente. Compreende-se: Portas consegue causar estragos em debates e Pedro Passos Coelho não tem os assessores à sua volta para responder por ele. O risco de ver a hecatombe social que foi a sua governação exposta em directo pelos seus adversários é elevado e ter um aliado consigo, hipótese que está vedada aos restantes, seria uma mais-valia. Não conseguindo o tal regime de excepção, o primeiro-ministro opta por se acobardar e ficar de fora do debate. Tal como o vintém e o cretino, um cobarde há-de sempre ser um cobarde.

Comments

  1. Hélder P. says:

    Já disse aqui anteriormente o que penso sobre este ridículo episódio. Acredito que tudo começou como mais uma grande birra do enfant tèrrible Portas, a incessante busca por mais protagonismo (e proveito económico, claro) é o que move este animal político invertebrado. Agora, está a ser usada como escudo de Passos Coelho às balas dos debates. Esta coligação precisava de levar uns valentes PáFs nas ventas.

  2. Monteiro says:

    Agora devia a CDU enviar o representante de “OS Verdes” para o debate com o Portas para o cenário ficar equilibrado

  3. niko says:

    desprezo

Trackbacks

  1. […] Posto isto, chamaram-me a atenção para o grupo PSD – Distrital de Lisboa, no Facebook, onde toda e qualquer trollada é mais que bem-vinda desde que tenha como alvo o PS. Entre tanto lixo pseudo-argumentativo, aldrabices e distorções da realidade que por lá poderemos encontrar, destaco este cartaz, fabricado no já célebre gerador de cartazes, que nos diz que António Costa não quer debater com ninguém na TV. Ora, António Costa poderá ter muitos defeitos e com toda a certeza não será o meu candidato, mas no exterior do mundo encantado dos brinquedos e dos contos para crianças que mantém parte substancial das hostes da coligação anestesiada, foram precisamente os seus heróis, Pedro Passos Coelho e Paulo Portas, quem boicotou o debate entre os projectos políticos com representação na Assembleia da República. E boicotaram fundamentalmente por dois motivos: primeiro porque queriam, ao contrário dos restantes projectos, o privilégio de ter dois representantes nesse debate. Em segundo porque um debate desta natureza, em directo na TV e seguido seguramente por milhões de portugueses, poderia pôr a nu toda a propaganda falaciosa do regime, da manipulação dos números da economia ou do desemprego até a situação social caótica que alastra em Portugal. Seria, tal como o cartaz troll em cima diz, “a machadada final” nas aspirações de Passos e Portas. E escolha não foi difícil: depois da chantagem, a cobardia de quem deve e teme. […]

  2. […] do esquema para se esquivar ao debate a quatro, Passos Coelho deu uma nega aos Gato Fedorento e será o […]

  3. […] verdade é que Passos Coelho não sabe mais. Por isso evita entrevistas, por isso arranjou uma desculpa esfarrapada para fugir ao debate a quatro, por isso se esquivou de Ricardo Araújo Pereira e por isso foi tão básico e evasivo no debate […]

  4. […] foge a debates e entrevistas e cuja campanha se passou a restringir a ambientes controlados e devidamente […]

  5. […] o que não o livrou de ser alvo de uma monumental tanga nas redes sociais. Por cá também tivemos um primeiro-ministro cobarde a fugir ao debate, só faltaram os […]

  6. […] recusa participar em debate político pré-eleitoral. Muito mais é o chá que os une, que aquilo que os […]

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.