Que se lixe o país.

stcp

Em 2011, o PSD criticava os ajustes directos feitos pelo governo Sócrates. Hoje anuncia um mega ajuste directo daquilo que era para ser uma privatização. Coerência? Que se lixem as eleições (desde que se fechem os negócios antes).

Todo este esquema terá suporte legal num recente diploma do governo, feito à medida destas privatizações instantâneas e que desvirtua por completo o já demasiado permissivo filtro dos limites aos ajustes directos – aos quais o próprio legislador sentiu necessidade de deliberar «sobre a necessidade de prevenção acrescida do risco de corrupção e infracções conexas decorrente das medidas excepcionais estabelecidas pelo Decreto-Lei n.º 34/2009, de 6 de Fevereiro, designadamente do alargamento da possibilidade de adopção do procedimento de ajuste directo.»

E qual é a justificação do secretário de estado Sérgio Monteiro para a pressa? Uma mentira, nem outra coisa seria de esperar. Diz ele que se a privatização for feita em 2016, então seria preciso pagar indemnizações compensatórias e isso seria gastar “dinheiro dos contribuintes” (sim, ele disse mesmo isto). Só é pena que não tenha pensado no dinheiro dos contribuintes quando o seu governo resolveu dar perdões fiscais. Ora, isto é uma mentira porque, ao contrário do que o SE pretende insinuar, as indemnizações compensatórias existem porque os diversos governos, incluindo governos PSD, decidiram que as empresas de transportes não poderiam cobrar a totalidade do custo aos seus passageiros, sendo o estado a pagar a diferença – as tais indemnizações.

E é mentira novamente porque, não sendo público o modelo de privatização, não é de crer que estas indemnizações, com este ou com outro nome, acabem. Ah, sim, Sérgio Monteiro disse que “as indemnizações compensatórias são mesmo para acabar”. Acredita quem quer, já que este governo mentiu e mente como forma de fazer política. Ainda para mais, vindo de quem vem, do campeão que “assinou “swaps” mas garante que nunca foi responsável pela sua aprovação”. Que garantia dá um distraído destes, que assina sem responsabilidade, quanto às indemnizações compensatórias acabarem ou não? Se não acabarem, lá estará ele para dizer que não foi responsável pela decisão.

A verdade é que os cofres não estão cheios, a política deste governo é um desastre anunciado e querem chegar às eleições com alguns números para espetar em cartazes demagógicos a dizer que o país está melhor.

Recordando as próprias palavras de Passos Coelho sobre o assunto (sim, há memória!):

(…) «O problema é que o Governo (socialista) está a prometer alienar participações como quem vende os anéis para ir buscar dinheiro». (De uma entrevista de PPC à Etv em 2010)

«A política de privatizações em Portugal será criminosa nos próximos anos se visar apenas vender activos ao desbarato para arranjar dinheiro». (Palácio da Bolsa, Porto, Junho de 2010)

via

Único critério será o do preço. Estamos falados quanto aos objectivos: vender.

Que se lixem as eleições? Não! Que se lixe o país.

Comments

  1. Nascimento says:

    Mais um liberal. Já falta pouco para saberr o lugarzinho onde o liberal vai “trabalhar”. Aposto que vai receber do “empreendedor” e do consumidor. Ai o que eu gosto dos liberais tugas….são do tipo mãozinha estendida quando em gestão de parto, são uns giraços…paf!

  2. martinhopm says:

    Este deve ser um negócio igual ou parecido ao da TAP.
    Dizia o Governo que se tinham de cumprir as regras de Bruxelas que IMPEDIAM a venda da TAP a empresas fora da Europa. Há dois dias, em 24 de Agosto de 2015, Bruxelas esclareceu: a companhia é DEMASIADO pequena para provocar preocupações à concorrência europeia – por outras palavras: VENDAM-NA A QUEM QUISEREM PELO VALOR QUE QUISEREM! Ou seja, a venda super apressada da TAP não passou de mais uma monumental ALDRABICE. Fomos mais uma vez enganados. Não era necessário vender a empresa ao desbarato.

  3. martinhopm says:

    O Pacheco Pereira escrevia a propósito da «peste grisalha» do ‘iluminado’ deputado do PSD Carlos Peixoto, ‘licenciado em licenciatura’ e cabeça de lista do PSD às próximas eleições pela Guarda «Os velhos: não é possível exterminá-los?». E eu pergunto, em relação a este secretário de estado Sérgio Monteiro: não é possível exterminá-lo, ou seja, pregar-lhe um valente pontapé no cu e pô-lo em órbita, a ele e ao maralhal que o acompanha?!

Trackbacks

  1. […] Portanto, caros leitores, quem paga a máquina de propaganda da PAF somos nós, com o Orçamento de Estado, ou como diz a malta da PAF, com os nossos impostos. Esses mesmos impostos que o secretário de estado Sérgio Monteiro diz que não podem ser mal usados, como forma de justificar o inacreditável ajuste directo dos STCP. […]

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