E você, também acredita que o prejuízo da venda do Novo Banco não sairá do seu bolso?

Se acredita não fique alarmado. Anda por aí muito boa gente que acredita no Pai Natal, na inocência de José Sócrates ou na justiça portuguesa. Mas factos são factos, independentemente do que digam as Marias Luís Albuquerques desta vida. Quando um banco rebenta, você paga, não bufa (ou bufa um pouquinho vá lá) e nem se chateia muito com isso. Se chateasse não continuava a votar naqueles que resgatam bancos com o seu dinheiro. Isto no caso de integrar o lote, cada vez mais pequeno, da maioria da população que continua a votar no bloco central que resgata banqueiros. 

Este vídeo narrado pela Mariana Mortágua é, à semelhança de outros conteúdos recentes, extremamente elucidativo. Resumindo: o BES entrou em colapso e o Estado foi acudir. Dividiu o banco em dois, tendo o Novo Banco ficado com a parte não-tóxica do que sobrou. No entanto, foi necessário injectar capital. O Fundo de Resolução, do qual fazem parte todos os bancos a operar em Portugal, entrou com 1000 milhões de euros e o Estado com 3900 milhões. Note que estes 3900 milhões são seus, nossos, pelo que logo aqui saiu do nosso bolso. Pelo menos até ser devolvido. Se algum dia for.

Mas isso não vai acontecer. É até possível que seja necessário voltar a recapitalizar o Novo Banco. Em todo o caso, e à medida que as diferentes negociações vão falhando, primeiro com a Anbang, depois com a Fosun, o valor que os interessados estão dispostos a pagar pelo banco não parará de diminuir. E quando o cheque entrar, muito abaixo dos 4,9 milhões de euros que lá foram colocados, a maior fatia dos prejuízos vai ficar para a CGD. Sabe de quem é a CGD não sabe? Se sabe não se deixe enganar.

Comments

  1. Rui Silva says:

    Claro que o prejuízo será pago pelo contribuinte português
    ( quem é que queriam que fosse ! O contribuinte grego ? ).
    Mas isto é habitual efeito secundário de um estado que intervém na economia. Ainda seria pior, caso tivesse nacionalizado o banco, como fez com o BPN.
    O BES deveria ter falido , como qualquer empresa mal gerida.

    cumps

    Rui Silva

    • Rui Moringa says:

      Ó Rui e porque não faliu? Não precisa de responder porque sabemos a resposta…
      Os atrelados, oportunistas e não só, ao aparelho de Estado, assim o determinou.
      Por isso, entendo que esta partidocracia não interessa para nada. Temos de reformular o regime.
      Estranhamente quem mais fala disso é o Sr. Jardim da Madeira.
      Por isso, votar PSD, PS, é persistir no mesmo.
      Pela primeira vez na vida vou votar PC, embora não seja comunista (crédulo). Contudo o marxismo – leninismo tem vantagens para quem é assalariado como eu. Se eu sou assalariado porque voto nos capitalistas e seus apaniguados? Agora acho que a consciência de classe tem sentido prático.
      É a vida…

      • Rui Silva says:

        Caro Rui Moringa,
        Se você me disser que vota comunista porque acredita nessa doutrina , faz sentido.
        Se vota comunista para não pagar as incompetências de terceiros, faz mal. Pois o sistema comunista é isso mesmo. Pagamos segundos as nossas capacidades. Ou seja você quanto mais você se esforçar mais vai pagar. Não se esqueça do lema:
        “Cada um paga contribui segundo as suas capacidades, cada um recebe segundo as suas necessidades”.

        cumps

        Rui Silva

        • Rui Moringa says:

          Caro Rui Silva,
          É verdade, não sou crente no Comunismo como sistema único e ideal. Considero-me de ideologia e de prática um social democrata. Para mim o marxismo económico deve ser levado em consideração porque aponta para soluções a este nível muito úteis para o Homem. A economia deve estar ao serviço do Homem e não o contrário.
          Mas é verdade que tenho tido a visão de que a consciência de quem sou – um trabalhador – assalariado. Ou seja , não posso negar essa consciência votando nos meus algozes ( ideologia liberal) mais ou menos mitigada em Passos e Costa. Essa ideologia é a do chamado sistema europeu que nos (des) governa.
          Então voto seguramente PC.
          Tem a vantagem de analisar uma saída do Euro.
          Isso dá-nos mais autonomia como país.
          Veja-se a Inglaterra e a Dinamarca.
          Curioso que o CDS (alegadamente democrata cristão) que é muito pela soberania nacional não fala nisso – estranho!?
          Sei quem sou nesta vida e já vi (experiência) muito…
          Sei o suficiente do comportamento dos homens para não ter pruridos.
          Queira saber que o seu juízo sobre as minhas palavras são justos e compreensíveis. Apenas estou a pensar noutro nível.

          • Rui Silva says:

            Caro Rui Moringa,
            A teoria Marxista foi “construída” sobre pressupostos errados. Nunca poderá funcionar, apesar de nos soar bem em muitos aspetos. Se o Marxismo funcionasse, já tinha funcionado. Veja que não funcionou, e a desgraça que trouxe aos povos que a aplicaram.

            Já foram feitas quase todas as experiencias. Foi até já feita sobre a mesma população. O resultado foi o que se viu. Atraso económico e violação das mais básica liberdades do individuo.

            Gostaria também de lhe dizer que não é pelo facto de sermos assalariados que devemos “lutar” contra o capitalismo. É no sistema capitalista que é perfeitamente possível sermos assalariados hoje e amanha nós ou os nossos filhos serem empresários. E o sistema capitalista foi até hoje, o sistema que mais contribuiu para bem estar geral dos assalariados.
            Em relação ao euro, a única coisa que ganhamos com a saída é depositar nas mãos dos politicos a possibilidade de criar inflação, e baixarem os salários sem qualquer explicação.
            Quando compara Portugal com Dinamarca e RU esquece-se que estamos em regimes completamente diferentes. Não são comparáveis.

            Também não partilho da opinião que o euro nos tira a soberania. O facto de usarmos o euro , se você quiser, é como se usássemos o escudo com taxa de cambio fixo, ou indexado a outra moeda forte , que podia ser o Marco ou o Dólar. O que acontece, é que, nestas circunstancias, os politicos tem de ser mais honestos e não podem fazer promessas irrealistas.
            Quanto a mim , nossos problemas reduziam-se se o estado não interferisse tanto na economia, e quanto mais para a esquerda , caro rui Moringa, maior será essa interferência.

            cumps

            Rui SIlva

      • martinhopm says:

        Rui Moringa, pena é a consciência de classe nem sempre ou quase nunca prevalecer, não nos fazer reflectir no momento do voto. Refiro-me, claro, aos assalariados, aos trabalhadores por conta de outrem, quer do privado, quer do público. Incluo aqui reformados e pensionistas. Se assim fora, outro galo cantaria. Concordo com o seu sentido de voto. Temos que ajuizar sobre o que temos obtido através da governação dos partidos do chamado ‘arco da governação’.
        Os tempos actuais, 2017, são um pouco diferentes. Mas o sentido de voto continua válido.

    • j. manuel cordeiro says:

      É muito giro vir com esse comentário depois do Presidente da República, Primeiro-Ministro, Ministra das Fianças e Governador do Banco de Portugal terem garantido que podiam estar descansados quanto ao BES.

      E não, o BES não devia ter falido. Se a falência do BPN era comportável pelo sistema, dada a sua pequena dimensão, e portanto poderia ter falido e ter-se usado o Fundo de Garantia para os depósitos, já o mesmo não poderia ser feito com o BES. Por isso isso existe regulação, para impedir que estas coisas aconteçam. O que devia ter acontecido é o BES ter sido travado há muito tempo, antes de ser irrecuperável. Mas claro que muita coisa deveria mudar para que isso alguma vez acontecesse, como por exemplo, um banco não ter capacidade de nomear ministros (Manuel Pinho) ou até Directores Gerais das Finanças (Paulo Macedo, agora ministro da Saúde). Muito teria que ser diferente, mas para isso para isso só quebrando o clico PS/PSD e seu atrelado CDS. E nem mesmo com outros há garantia alguma que seja diferente, apesar de com estes sabermos como será. A mudança começa nas pessoas, não é na política. Sim, estou a ser lírico. Às vezes também é preciso. Mas mais vale lírico do que ser simplista e fazer de conta que era deixar falir e aproveitar para fazer de conta que o actual governo não tem nada a ver com o assunto.

      • Rui Silva says:

        Caro J.M.Cordeiro,

        E você acredita nos que dizem os representantes do governo?

        A única maneira do contribuinte não pagar a falência do BES é deixando-o falir. A maneira de pagarmos é nacionalizar.
        Este governo optou por uma forma meia enviesada que vai criar imensos problemas legais que nos vai ficar muito caro.

        Em relação regulação em que você faz tanta fé , ela já existe.
        Mas como vê apesar dos custos que representa para o contribuinte, não funciona, nem funcionará, por motivos óbvios.

        No entanto noto uma evolução (positiva – digo eu) no seu pensamento, quando diz que “… E nem mesmo com outros há garantia alguma que seja diferente, apesar de com estes sabermos como será….”. A única regulação eficaz será os banqueiros saberem que a sua má gestão será recompensada com a falência.
        Mas enquanto o governo se achar com direito a intervir na economia, precisa dos bancos e a contrapartida é oferecer-lhes um seguro anti falência ( á conta claro está , do contribuinte).
        Quanto mais socialista for um governo mais seguros estão os banqueiros, pois a necessidade de dinheiro de tal governo é muito maior , aumentando a dependência da politica em relação á banca.
        Se o caso BES fosse no tempo do PS a nacionalização seria certa, para contentamento das “esquerdas”, nesse passo em direção á nacionalização total da economia.

        A mudança começa nas pessoas ? Não.
        A mudança deve começar na politica, não nas pessoas. Pois se for o contrário ( visão romântica – a lá Rousseau ) estamos sempre dependentes de termos no exercício do poder as pessoas boas. E ainda ninguém descobriu em parte alguma como é que isso se consegue.

        cumps

        Rui SIlva

        • Nightwish says:

          Por amor de entidade divina, alguém da direita que aprenda alguma coisa de economia. Se o BES falisse, íamos ter (ainda mais) falência atrás de falência de empresas e íamos ter que injectar dinheiro no resto da banca que seria afectada com isso. Quanto à brilhante solução do governo, contrária à lei que tinha passado no início do ano, deixo-lhe isto: http://expresso.sapo.pt/economia/ulrich-admite-processar-estado-se-prejuizo-do-bpi-com-novo-banco-for-elevado=f897067

          O problema da resolução do BPN foi terem separado a Galilei limpa e terem-na dado aos mesmos ladrões que andaram a aldrabar toda a gente sem terem retirado capital para pagar a merda que fizeram.

          Aliás, o grande problema que permitiu tudo foi permitir que um banco de depósitos possa ser um banco de investimento, pelo que havemos de voltar ao mesmo.

          • Rui Silva says:

            Caro Nithwish,

            Você não percebe muito disto, pois não?
            As empresas que em resultado da má gestão do BES tiverem da falir ( ou perder o seu valor – PT p.e.) irão falir, pois não há como fugir á 2ª lição de Economia (não há almoços grátis). As que estão em condições de falir e sejam seguradas, são pagas pelo contribuinte.
            Outra correção: O BES não é um banco de investimento.

            cumps

            Rui SIlva

          • Nightwish says:

            Não, o dono do BES era dono do GES, o que era uma coisa completamente diferente…
            Já percebemos, vale tirar dinheiro às pessoas e vale destruir a economia, desde que seja pelos motivos certos. Ainda se queixam dos “comunistas”…


    • Solução privatize-se tudo que a mão invisível encarregar-se-á de manter o equilíbrio. A utopia liberal é tão viável como a ilha de Thomas More. Líricos.

      • Rui Silva says:

        Privatize-se a industria automóvel.
        Privatize-se a industria farmacêutica.
        Privatize-se a industria petrolífera.
        Privatize-se a industria aeronáutica.
        Privatize-se a industria alimentar.
        Privatize-se a indústria turística.
        Privatize-se a industria desportiva.


        senão o mundo acaba.

        cumps

        Rui SIlva

  2. NNIKO says:

    Quando os gestores dizem que não sabem ,que não é com eles ,prendam-nos até o dinheiro aparecer ,pode ser que aconteça algum milagre .

  3. martinhopm says:

    Sigam o exemplo da Islândia!

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