O momento do nosso embaixador João da Câmara

João Pacheco, jornalista

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Já deve ter passado ao lado do grande momento. Já deve ter passado ao lado daquele momento em que poderia ter feito a diferença, o nosso embaixador português em Luanda. Ao embaixador João da Câmara exigia-se coragem na representação da república portuguesa. Nada disso se viu até agora, mas o nosso embaixador ainda vai a tempo de tomar uma última atitude digna em Luanda, uma última atitude que o salve como homem e como diplomata.

O nosso embaixador João da Câmara visitou Luaty Beirão passados mais de trinta dias de greve de fome deste preso político luso-angolano. Consta que cá fora não quis falar. E já mais tarde, o respectivo ministério contou ao mundo o que o nosso embaixador português em Luanda teria a dizer de útil.
Parece que Luaty Beirão está a ter um bom acompanhamento médico, acha o nosso embaixador em Luanda.

E acompanhamento político?

O nosso embaixador em Luanda serve para falar de cuidados médicos?

Isto é representar a república portuguesa?

Se o nosso embaixador João da Câmara não tem condições para desempenhar bem as suas funções de representante em Luanda da república portuguesa, só há um caminho digno a tomar.
E esse caminho já tarda.

Demita-se por favor, senhor embaixador. Demita-se e evite estar em Luanda no dia que parece estar próximo, não fique aí para nos representar em funerais.
Prestando-se a estes teatros do cinismo, está a ser envergonhado publicamente pelo ministro Rui Machete. E – muito pior – está a envergonhar a democracia portuguesa e todos nós.
Como diplomata português e como democrata, já não tem outro caminho.
Demita-se por favor, senhor embaixador João da Câmara.

Comments

  1. Manuel Santos says:

    Expliquem-me, porque sou de raciocínio lento e ignorante (lamento!), o que querem dizer com “[…] Luaty Beirão fotografado por João Pacheco […].?!!!

    • Manuel Santos says:

      Ora, como ninguém me explica o que querem dizer com “[…] Luaty Beirão fotografado por João Pacheco, vou perorar:
      Antes de eu morrer, tenho esperança que o Partido Comunista Português venha a ter um rebate de consciência política e revele aos Portugueses por que mantém um silêncio, ensurdecedor, no que a Angola diz respeito… tarefa impossível, não é Jerónimo?
      Antes de eu morrer, espero que os Portugueses obriguem todos os nossos políticos a revelar-lhes (porque eles nunca o revelarão) o que devem ou lucram com esta promíscua relação com o MPLA – que ingénuo sou!!!;
      Antes de eu morrer, espero saber o que o senhor Cavaco Silva, o senhor Durão Barroso, e outros que tais, comeram no banquete do casamento da Tchizé dos Santos (sim, a filha do ditador Zedu);
      Antes de eu morrer, ainda vou ver o Tratado de Simulambuco ser colocado ao mesmo nível que a questão de Timor – era reposta a verdade histórica e este País mostrava dignidade e seria, legitimamente, considerado, por isso, um dos ‘grandes’ do Mundo.
      Antes de eu morrer, vou ver Cabinda a reivindicar ao Zedu, à Isabelinha e aos seus generais toda a fortuna ensanguentada que lhes enche os bolsos – sim, é Cabinda e o seu Povo que continuam a ser espoliados e roubados pelo Zedu, a sua clique e pelos políticos portugueses (que também são da sua clique) do petróleo que a eles e só a eles devia dar lucro…

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