A mensagem de Natal do Jornal (do regime) de Angola

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A necessidade de alerta e de unidade cá dentro é, pois, indispensável, para que nunca mais estraguem o Natal dos angolanos. Mais necessário é ainda quando nos deparamos com um estranho posicionamento, adoptado por países que dizem ser nossos irmãos e parceiros, que deviam portar-se como tal, mas assim não fazem.
Sucede isso, nomeadamente, com Portugal. Quarenta e um anos depois da independência de Angola, as elites portuguesas continuam a tratar-nos com má educação, como se ainda fôssemos seus escravos. A forma execrável como trataram Angola por causa do caso dos “Revus”, e em particular do cidadão português Luaty Beirão, investigado e acusado de crimes graves em Angola, é característica dessa atitude de Lisboa. As punhaladas portuguesas são históricas. A literatura de Aquilino Ribeiro ou Antero de Quental está cheia de exemplos das punhaladas dos “conterrâneos nobilitados que enriqueceram (no Brasil e em Angola) trocando as riquezas da sã consciência por outras que levam ao inferno”. Facilmente ao alcance, como é de ver, da deputada do PS Isabel Moreira, por ser filha de quem é, Adriano Moreira, antigo ministro do Ultramar.
É sabido que o grupo de indivíduos julgados pela justiça angolana,financiados pelo multimilionário George Soros, no qual se incluía o cidadão português Luaty Beirão, tinha como fim último mobilizar forças para a realização de actos de violência e de terrorismo muito semelhantes aos praticados em Paris, Nice, Berlim. Começaram por organizar manifestações selvagens que degeneraram em confrontos com a Polícia Angolana, que respondeu de maneira equilibrada, comparada com a intervenção musculada das forças da ordem na Europa.
Mas, por ser Angola, Portugal voltou a julgar este caso de maneira diferente, com dois pesos e duas medidas, tal como o fez com Savimbi e faz sempre.Está provado que o cidadão português Luaty Beirão radicalizou-se no Reino Unido e em França para lançar a violência em Angola. A actividade em que se envolveu é típica de quem trabalha para a Open Society, de Soros, e serviços externos. A actual viagem do cidadão português à Europa, a coberto de uma campanha de propaganda mediática, destina-se apenas a receber o dinheiro pelos serviços que prestou a Soros. Cumpriu bem a missão. Por isso também foi à Suíça. Luaty não é nenhum filho do regime angolano, é um filho sem pai nem mãe, mal educado como os deputados da estirpe de Isabel que se metem na Esquerda sem esconderem a sua matriz pró-apartheid.
A Assembleia da República Portuguesa tem todo o direito de acolher de braços abertos o cidadão português Luaty Beirão. Tem até o direito de o receber com mais cordialidade do que tratou o Chefe de Estado angolano, alvo também da falta de educação recorrente dos nervosos deputados portugueses em relação aos estrangeiros.Mas quando a Assembleia da República Portuguesa e o Governo português apenas recebem bem os inimigos da paz em Angola não podem dizer  que as relações com Angola são fraternas. Aos irmãos não se apunhala pelas costas. (ver original)

O tipo que escreve estes delírios devia pensar seriamente mudar-se para Hollywood. Tem futuro garantido. Pode não ter um salário tão chorudo, é certo, mas talento para a ficção não lhe falta.

Foto@Folha8

Ontem senti-me representado no Parlamento

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Luaty Beirão não é nem nunca quis ser uma vítima. Não foi apanhado desprevenido a cometer um crime. Luaty Beirão desafiou uma ditadura, jogou com a coragem para demonstrar ao mundo que Angola é uma ditadura brutal, cleptocrática, sem liberdade, corrupta e que goza da subserviência de quem beneficia da sua caraterística ideológica real: O dinheiro.

Isabel Moreira subiu ontem ao púlpito da Assembleia da República para, de forma clara e objectiva, chamar os bois pelos nomes. Perdão: os ditadores cleptocratas pelos nomes. Já era tempo de se constatar o óbvio, na casa da Democracia. Ontem senti-me verdadeiramente representado no Parlamento. Não é algo que aconteça muitas vezes. Um forte aplauso, senhora deputada!

Foto: Paulo Novais/Lusa@Esquerda.net

Activistas angolanos condenados. Luaty Beirão, cinco anos e seis meses de prisão

Vamos ler um livro em conjunto e discutir formas democráticas de apear ditadores?

Talvez seja melhor não, podemos ser condenados por associação de malfeitores (nós, pugnando por um pouco de decência, não eles – a clique das malfeitorias organizadas e programadas) e por actos preparatórios de rebelião.
Quem quiser compactuar com isto, pode, porque as acções ficam com quem as pratica, mas quem estiver do lado da justiça, da dignidade humana e do direito de participação, deve começar já a denunciar e reagir. [Read more…]

“Já não estamos sós”

A carta em que Luaty Beirão anuncia o fim da sua greve de fome.

#LiberdadeJá – Vigília de apoio aos activistas politicos angolanos

“Senhor Presidente: Se tiver ainda um momento de reflexão possível recorde-se dos seus tempos de jovem quando a revolução do seu país lhe ocupava a sua força, a sua inteligência e todas as suas capacidades. O tempo em que provavelmente era feliz.”

Não resisto a juntar às minhas fotos a carta escrita por Alípio de Freitas, dirigida ao presidente angolano, José Eduardo dos Santos, e lida no dia da vigília pela filha, Luanda Cozetti.

“Senhor Presidente:

Ao mandar prender Luaty Beirão e os 14 ativistas, que estão até agora encarcerados sem culpa formada, não devia saber que um homem se quiser pode resistir e sobreviver vitoriosamente a qualquer forma de opressão.

Não devia saber porque se esqueceu. Esqueceu que já foi jovem, que já lutou por ideais. Ideais de liberdade de democracia e bem-estar social. Esqueceu tudo porque infelizmente o seu país é o exemplo contrário de tudo isto. É uma ditadura cruel, um valhacouto de ladrões, uma associação de interesses mesquinhos, melhor dizendo, um país sem povo. Quem lho afirma é alguém que durante dez anos esteve preso, sobreviveu às greves de fome e à tortura. Esta é a afirmação de um homem que esteve disposto a morrer por aquilo em que acreditava. E digo-lhe que um homem pode ser triturado pela máquina do terror que a sua condição de homem sobrevive, pois todo o homem pode manter-se vivo enquanto resistir.

A luta dos jovens angolanos é um libelo contra a opressão como forma de vida política, contra o silêncio das mordaças, contra todos os processos de aviltamento dos seres humanos, contra a corrupção ideológica. A luta dos jovens angolanos é a constatação de como o arbítrio avilta os indivíduos e as instituições, corrompendo-os pelo abuso do poder, pela falsa certeza da impunidade, pela imposição imoral de uma vontade sem limites, pelo silêncio indigno, pela conivência criminosa, pela omissão filha do medo, em que o silêncio do terror tem que ser aceito como paz social.

Se me atrevo a dizer-lhe tudo isto é porque Angola fez parte do meu ideário político e das minhas preocupações revolucionárias e muitos revolucionários angolanos foram meus amigos. Quando parti de Portugal para o Brasil devia ter partido para Angola, mas já nesse tempo as condições da minha ida não foram possíveis, devido às minhas ligações com a resistência angolana. No Brasil, colaborei com a resistência angolana e fui seguindo os seus passos como pude a té porque eu já estava umbilicalmente ligado à resistência brasileira. Mesmo assim, à minha única filha, coloquei o nome de Luanda.

Senhor Presidente, é tempo de não se deixar enredar por intrigas palacianas, por intrigantes gananciosos, por saqueadores de todo o tipo. Quando esse saque acabar o único responsável será o senhor. Se tiver ainda um momento de reflexão possível recorde-se dos seus tempos de jovem quando a revolução do seu país lhe ocupava a sua força, a sua inteligência e todas as suas capacidades. O tempo em que provavelmente era feliz.

Como sabe, o poder tanto pode chegar aos que dele abusarão como àqueles que o usarão com legitimidade a favor dos seus povos. Mas só os poderosos podem ser magnânimos, cometer actos que aos outros mortais não são possíveis Tem agora tempo de ser magnânimo: retire os presos da prisão, ouça-os e depois peça-lhes desculpa. Eles merecem.” 

Lisboa, 18 de Outubro de 2015 

Alípio de Freitas

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ONU pede libertação imediata

dos 15 activistas detidos em Angola.
[Rede Angola]

Quantos de nós estaríamos dispostos a morrer por uma causa?

Uma pergunta de Patrícia Fonseca, na Visão, num belo resumo sobre o que se passa em Angola.

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(c) Luaty Beirão fotografado por João Pacheco
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