Bihete do Canadá: Ser português

dale brazao HORA DOS PORTUGUESES é um  programa da RTP-Internacional dedicado aos emigrantes espalhados pelo mundo. Há dias passou um esboço biográfico do jornalista Dale Brazão, há mais de 40 anos fazendo jornalismo de investigação no Toronto Star e um dos jornalistas mais premiados do Canadá. Vou contar um episódio passado com este algarvio que tanto honra Portugal no estrangeiro.

Há uns bons anos, outro português, vamos chamar-lhe o Jota, passou a fazer parte da equipa de investigação ao narcotráfico da Real Polícia Montada do Canadá (RCMP). Quando a certa altura percebeu que ele mesmo estava a ser investigado, o Jota vendeu rapidamente a casa, passou o dinheiro, os carros e as mobílias para Portugal. A RCMP pediu várias vezes à polícia portuguesa que localizasse o melro que andava a ganhar a dois carrinhos, com o crime e o contra-crime, mas do lado português vinha sempre a mesma resposta: não fazia ideia onde pudesse estar o rapaz. Dale Brazão indignou-se e foi à procura do Jota em Portugal. Depois de algumas semanas e várias peripécias, ficou cara a cara com ele. E foi à polícia dizer: o Jota está ali, só não o apanham se não quiserem. Ao mesmo tempo, avisou a RCMP. O Jota lá passou pela esquadra, lá passou pelo juiz, lá ficou com termo de identidade e residência.  Um tempão depois, foi a julgamento. Dale Brazão, acompanhado de dois inspectores da RCMP, foi assistir ao julgamento em Portugal.  E ficaram banzados: apesar de todas as provas, o Jota foi absolvido, qual ser entregue à justiça canadiana, qual quê, o menino saiu do tribunal a rir como um herói imaculado.

Ser português é difícil.  Sobretudo quando se tem vergonha na cara.

Fotografia: @Dale_Brazao

Comments


  1. Apesar de ver com frequência a página do Toronto Star não conheço o jornalista, mas adorei este post.
    Como Canadiano de nascimento (preservo a nacionalidade de origem) a viver há quase 50 anos em Portugal (Açores) ao menos posso dizer que do lado de cá nunca o meu País natal me deixou envergonhado, nem lhe detetei esta esperteza nacionalista saloia que vejo em Portugal.

  2. Afonso Valverde says:

    O português às vezes é um tipo de homem “habilidoso”. Vive de “habilidades”.

  3. tancredo says:

    O português é o Ente que só é Ser quando questiona a realidade, a sua e a dos outros. O problema é que nesse desiderato, ele vê vigaristas de cima abaixo, e então conclui: se posso ser um Ente rico, porque razão optar por um Ser pobre?.
    .
    Tão desprezível é quem rouba, como quem aceita ser roubado.

  4. Fernando Cerdo says:

    Vê-se logo que é um algarvio de gema com o nome “Dale”, um nome que certamente vem do tempo dos Mouros. Ai, como são bem gastos estes € dos esprimidos contribuintes portugueses que vão para a RTPi para divulgar entre os portugueses residentes no estrangeiro uma Portugalidade quiçá apenas superada pela prestigiadíssima jornaleira “canadense” Isabel Vincentstein, serventuária do famoso magnata mediático da Nova Ordem Mundial Rupert Murdoch como jornaleira do “New York Post”. Já agora, como é que se denomina um país que tem como Chefe de Estado um(a) monarca ESTRANGEIRO/A? As velhas notas do Banco de Angola também contavam com o aprazível focinho do Contra-Almirante.

  5. Fernanda Leitão says:

    Que zangado está, Fernando Cerdo! Não gosta de emigrantes? Não gosta de algarvios? Não gosta de jornalistas com sobrenome inglesado por razões práticas de trabalho? Já agora, nãp gosta de pretos? E de ciganos? E de refugiados? Tome água das Pedras, pode ser que arriotando isso passe.
    Um país que tem por chefe de estado uma Raínha chama-se uma monarquia parlamentar. Fica mais barata do que sustentar certos Cavacos que passam por Belem. Foi uma escolha livre, referendada pelo povo canadiano, só tem que ser respeitada. Penso que não está ao corrente de quanto os emigrantes transferem para Portugal: 8 milhões de euros por dia. Também eles, demais a mais que muitos pagam impostos em Portugal, comparticipam nos gastos da RTP.

  6. Fernando Cerdo says:

    Como certamente diria o Dale Brazão: “Please don´t shove words into my mouth.” O que eu vejo nesta resposta é uma projecção psicológica do assunto que certamente deve roir a senhora jornalista, nomeadamente a discriminação a que os portugueses emigrados estão sujeitos pelos portugueses não-emigrados. Gostaria, certamente que essas atitudes não existissem. Ora nisso também estou de acordo. No entanto, também é aparente um discurso repetitivo de que lá fora é o paraíso da superioridade moral, a atitude “sanctimonious” como dizem os subtidos de Sua Majestade Britânica, não existe discriminação de espécie alguma contra Portugueses e outros emigrantes não anglo-saxónicos no Canadá, nem mesmo a subtil, e de que os portugueses emigrados são uma espécie de refugiados, ontém dos “abrileiros e comunas” hoje da classe política corrupta que até abrange lutadores anti-comunistas como os Cavacos e Portas. Como tudo, tem o seu quê de verdade mas não representa a tela completa da realidade.

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