Violência isenta de sanções


Devecser, 2012. augusztus 5. Demonstrálók vonulnak fel az Élni és élni hagyni - demonstráció a jogos magyar önvédelemért elnevezésû megmozduláson Devecserben 2012. augusztus 5-én. A Jobbik és több radikális szervezet részvételével megtartott demonstráció a katolikus templom elõtti téren kezdõdött, majd a résztvevõk felvonultak azokban az utcákban, ahol véleményük szerint cigányok laknak. A rendõrség kordonnal biztosította a felvonulók útvonalát. MTI Fotó: Nagy Lajos

É comum ouvir os apoiantes locais da extrema-direita fazer comparações com a extrema-esquerda. Como se partidos como o Bloco de Esquerda, o Syriza ou o Podemos promovessem a violência, a discriminação racial ou a xenofobia. Já foram tempos, tempos em que o reino de terror soviético ordenava e as suas marionetas no terreno abanavam a cauda. Tal como os Estados Unidos, que como ninguém promoveu golpes de Estado, armou e apoiou terroristas e invadiu estados soberanos, deixando-os, regra geral, bem pior do que estavam antes. Conspiração? Irão, Iraque e os Talibans que o digam. 

Entretanto, na Hungria, a extrema-direita avança, triunfante. Não há sanções que incomodem o reinado fascista de Viktor Orbán, cujo partido até integra a mesma família europeia que os nossos PSD e CDS-PP, o que ajuda em parte a perceber o grau de tolerância de Bruxelas para com este regime com mão de ferro. As instituições europeias estão mais preocupadas em sancionar, intimidar e chantagear os periféricos, essa ameaça ao absolutismo financeiro que comanda a União.

O relato mais recente chega-nos através da Human Rights Watch (HRW), que acusa as autoridades de Budapeste de promoverem uma autêntica caça ao homem com a brutalidade a que o regime de Orbán nos vem habituando. Espancamentos, que aparentemente não poupam mulheres ou crianças, tem sido o prato do dia e os relatos reportados pela HRW revelam um nível de crueldade atroz.

Do outro lado do espectro, o governo grego tem procurado, dentro das limitações de país numa situação de fragilidade ímpar na Europa, proporcionar condições de dignidade aos refugiados que todos os dias desembarcam na sua costa. E isto, por si só, já é revelador sobre a absolutamente clara distinção entre a extrema-direita, violenta e racista, e a extrema-esquerda, radical contra o capitalismo mas humana e pacifista.

Conservadores e radicais? Yeah right…

Foto@The Contrarian Hungarian

Comments

  1. anónimo says:

    “Já foram tempos, tempos em que o reino de terror soviético ordenava e as suas marionetas no terreno abanavam a cauda”
    Agora, a Nato abana a cauda, e o “Bloco de Esquerda vota a favor da intervenção da NATO na Líbia”.
    Pelos vistos, o tempo das “marionetas do terror do capital”, ainda agora começou.

  2. Excelente artigo. Na verdade, porém, Bloco de Esquerda ou Podemos não têm nada de extremo. São na verdade sociais-democratas no essencial. Ou seja estão, com as devidas particularidades contextuais, mais coisa menos coisa, no mesmo lugar ideológico dos partidos dominantes da Europa ocidental antes da queda do muro, ou antes de Thatcher para ser mais exacto. A própria rotulação de “extrema-esquerda” a estes partidos é uma concessão à Direita e uma consequência da deteriorização acentuada de valores do sistema político-económico (a Direita teve em tempos uma consciência social relevante, acredite-se ou não), cuja propaganda actual já só sobrevive à custa de papões e rapidamente se desmorona sem eles — veja-se também o recurso sistemático a “Sócrates” para inquinar discussões, ou alusões infantis e despropositadas à Coreia do Norte.

    • Nem mais. Já me tinha pronunciado sobre este assunto noutro post. Se o BE, o Syriza e o Podemos são de extrema esquerda então o PSD e o CDS são de extrema-direita.
      O único partido português a que se pode dar esse título é o PCP e mesmo assim estamos a esticar bastante.
      Basta ter estado atento à política portuguesa nos último ano para que se perceba rapidamente que o CDS e o PSD têm muito mais em comum com o PNR que o BE tem com o PCP.
      Agora, como estão coligados (e dá jeito aos saudosos do antigo regime), vulgarizou-se essa designação em relação ao BE. A JSD até deu uma ajudinha com os cartazes no inicio do ano em que comparava a coligação com as ditaduras soviéticas do pós guerra.
      Não passa de um barato e repugnante golpe demagógico. A direita mais uma vez usa a vasta ignorância e indiferença política da grande maioria do povo português para tentar fazer associações implícitas, seja directamente como o caso dos cartazes dos jotinhas ou indirectamente com a referência à “extrema-esquerda”.
      Outra coisa pertinente que disse foi a existência de consciência social relevante na direita portuguesa. Quanto a isso só tenho um comentário: a cripta do Sá Carneiro está toda torcida de tantas voltas que o homem já deu no seu caixão

  3. É o vazio Europeu… somos pela democracia mas temos ditaduras cá dentro. Queremos governos seculares mas incentivamos um processo de adesão de vários países que caminham na direcção oposta… é tão oco que já é transparente.

  4. O que vale é que a estupidez ainda não faz parte do total do povo português !!! felizmente ainda há muita gente lúcida e bem informada !!!

Trackbacks

  1. […] a violação do princípio da separação de poderes, a censura e a xenofobia. Entre outras formas de brutalidade. E a Europa já viu este filme. Poiares Maduro tentou meter tudo no mesmo saco, mas não teve em […]

  2. […] Esta imagem, de um dos dois maiores hospitais em Alepo ainda em funcionamento, que foi ontem atingido e destruído por um novo bombardeamento do regime sírio, é o reflexo de um país transformado numa pilha de cacos e cadáveres, onde diferentes poderes se entretêm a arrasar tudo à sua volta, para gáudio de fabricantes de armas e outros terroristas que fazem fortuna com a devastação no Médio Oriente. É angustiante, um autêntico nó na garganta, visualizar imagens como esta. Não quero nem consigo sequer imaginar o que será viver ali. Não admira que milhões prefiram enfrentar o Mediterrâneo ou regime fascista de Viktor Orbán. […]

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