Inócuo


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A imprensa portuguesa está a dar grande destaque a uma carta enviada por Jean-Claude Juncker à Provedora de Justiça europeia, na qual o presidente da Comissão Europeia revela ter pedido explicações ao seu antecessor sobre as suas novas funções no poderoso Goldman Sachs, sem contudo deixar de referir o compromisso assumido por Durão Barroso para com um comportamento de integridade e descrição, duas especialidades do ex-primeiro-ministro que abandonou o país de tanga para exercer funções de mordomo em Bruxelas e no Clube Bilderberg.

Resumidamente, Juncker disse hoje à Europa que Durão não terá direito a honras de ex-presidente e que será tratado com qualquer lobista, sendo sujeito às mesmas regras que os seus pares, estejam eles a soldo de um banco mercenário ou de outra organização terrorista qualquer. Não haverá, portanto, tratamento especial para Durão Barroso.

Portugal e a Europa rejubilam. Mas porquê? Será que a palavra de um indivíduo que firmou 343 acordos fiscais secretos com outras tantas multinacionais, que geraram perdas de milhares de milhões de euros para os países onde essas empresas estão sediadas, nas barbas do então presidente Barroso, vale assim tanto? Já agora, será assim tão diferente ser recebido com honras de ex-presidente ou na condição de lobista, sujeito a regras que (quase) ninguém sabe quais são ou muito menos se serão cumpridas? Exactamente o que é que muda?

Conspiremos. Quer-me parecer que tudo isto não passou de uma manobra de lançamento de areia para os olhos dos cidadãos europeus. Ao declarar ao mundo que Durão, o banqueiro goldmansachsiano, será tratado como um profissional do lobby, Juncker não está a fazer ou a mudar rigorosamente nada. O Goldman Sachs, assim como qualquer poder manipulador, impune e não-escrutinado, continuará a entrar em Bruxelas e em Estrasburgo quando e sempre que lhe apetecer. Se ninguém lhes fechou a porta quando se descobriu o esquema grego, não será agora que estes tipos deixarão de governar na penumbra. Não nos tomem a todos por otários.

Foto: Getty/J. Thys@Deutsche Welle

Comments

  1. anónimo says:

    Porreiro pá.

  2. Ana A. says:

    Para esta súcia de Bruxelas, à mulher de César não se exige que seja séria, basta parecê-lo (assim, muito tenuemente…! )

  3. Isto são só “tretas”para enganar e adormecer o “pagode” !!!

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